segunda-feira, 26 de agosto de 2013

BATIZAR OU MERGULHAR???



Como em todos os artigos, meu interesse não é fracionar o povo de Deus com discussões vãs, mas nos unificar em entendimento e busca das verdades inesgotáveis da bíblia que sempre levam o crente a “mergulhar” (sem trocadilhos) em um despojamento espiritual.

Existem três tipos principais de batismo, o mais praticado ao longo da história e praticado hoje pelas igrejas cristãs tradicionais é ASPERSÃO no qual se asperge pouca água sobre o candidato batismal, existe também EFUSÃO que difere em quantidade do método aspersionista e ainda IMERSÃO, que sem duvida é o método mais utilizado há algum tempo pelas igrejas contemporâneas em sua maioria igrejas Arminianas pentecostais e neo-pentecostais. Entramos numa área polemica e difícil que naturalmente gera inúmeros questionamentos do tipo: Qual dos métodos é o mais apropriado? Devemos batizar crianças (em breve tema de outro artigo)? Como Jesus foi batizado?

Tentaremos responder algumas destas questões de maneira mais generalizadas pontuando questões práticas sobre este sacramento (Mt 28:19) tão importante que é o batismo. Como dito, o batismo é um sacramento e um meio de graça, não com denotação romana em que o ritual em si tenha poderes (ex opere operato), mas acreditamos que ao obedecer este sacramento (Sacro (sagrado) + Mandamento: Sacramento), através do Espírito Santo, Deus promove crescimento espiritual ao candidato batismal. O batismo não é só um “rito de iniciação” como creem alguns estudiosos da antropologia cultural. O batismo aponta para a purificação de nossos pecados através da propiciação de Jesus (At 22:16). O Batismo é um sinal externo da obra regeneradora do Espírito Santo para adultos e selo do pacto da graça para todos sem distinção (At 16:15). É comum a todos os protestantes em geral a importância do sacramento, porém como dito, existem divergências históricas sobre os métodos. Talvez seu início se deu ainda no sec. XVI quando o grande reformador Zuínglio de Zurique, encontrou entre seus discípulos objeções teológicas quanto as práticas batismais. Bradaram que não poderiam batizar crianças e que o batismo deveria ser por imersão. Este famoso grupo ficou posteriormente conhecido como “Anabatistas” (Rebatizadores). Ironicamente Zuínglio condenou-nos à morte por afogamento.

Neste texto, o que vou defender, julgo ser a posição mais próxima do que vemos na bíblia onde o batismo deve ser ministrado por ASPERSÃO. É preciso além de perdermos a percepção de que o batismo tenha “poderes” em si, tirarmos de vez alguns mitos, falácias, sofismas e até mesmo alegorizações bíblicas que nos impedem de compreendermos de maneira mais profunda e solida este sacramento tão importante.

Adiante vejamos alguns pontos que julgo vitais para uma melhor compreensão do batismo:

O que é batismo segundo a bíblia?

Segundo o Breve Catecismo de Westminster (pergunta 94):

O Batismo é o sacramento no qual o lavar com água em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo significa e sela a nossa união com Cristo, a participação das bênçãos do pacto da graça, e a promessa de pertencermos ao Senhor. (Mt 28.19; Jo 3.5; Rm 6.1-11; Gl 3.27.)

Qual método é prescrito no novo testamento sobre o batismo?

Esta é naturalmente a primeira indagação e a resposta é, de maneira clara, Nenhum! E é aí que mora o perigo. Não existe nenhum texto no N.T. que diga “e vós quando batizardes façam assim!”. Cabe a nós, portanto, fazermos um estudo criterioso e comprometido com a verdade.

Como Jesus foi batizado?

Este será o primeiro e mais forte argumento que um imersionista defenderá para justificar suas práticas em contradição com o método aspercionista. Veja o texto:

“Então veio Jesus da Galiléia ter com João, JUNTO DO JORDÃO, para ser batizado por ele.
Mas João opunha-se-lhe, dizendo: Eu careço de ser batizado por ti, e vens tu a mim?
Jesus, porém, respondendo, disse-lhe: Deixa por agora, PORQUE ASSIM NOS CONVÉM CUMPRIR TODA A JUSTIÇA. Então ele o permitiu. E, SENDO JESUS BATIZADO, SAIU LOGO DA ÁGUA, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo sobre ele. Mateus 3:13-16”

Um imercionista dirá preminentemente que Jesus procurou um rio para se batizar e a prova mais cabal que Jesus foi imerso é o verso 16 que diz “e, sendo Jesus batizado, saiu logo da água,”. Dirão em um sofisma extraordinário que: “Jesus saiu da água, logo estava submerso. Como pode alguém sair da água se não estiver dentro dela?” É terrível esta afirmativa, pois não tem o menor fundamento lógico, chega a ser falaz. Veja, se Jesus estivesse com a água pelos joelhos e saísse da água para a margem, ainda assim, ele teria “saído da água”. Esta colocação “e, sendo Jesus batizado, saiu logo da água,”, não prova nada a não ser que ele estava na água. Não digo com isto que nesta passagem Jesus não poderia ter sido submerso. O Jordão é um rio com mais de 260 Km de cumprimento. Sua profundidade naquela época é incerta, porém com toda a certeza o suficiente para um mergulho. Temos na bíblia o caso de Naamã, o qual foi curado da lepra quando mergulhou sete vezes no rio Jordão (2 Rs 5:14). Esta passagem (Mt 3:13-16) pode ser usada para defender os dois métodos pela falta de informação, pois o método batismal não é o foco principal do evangelista, mas, deixa indícios suficientes que precisam ser evidenciados.

Origem da palavra Batismo.

Já vimos várias vezes pessoas defendendo que origem da palavra grega Baptizomai ou Baptismo (βαπτίζομαι - Batismo) significa literalmente afundar, mergulhar ou imergir. Seria outra vez estrangular a concordância nominal e seu contexto literário. O que nos auxilia interpretar palavras de idiomas extintos como algumas variações do grego falado no primeiro século presente em alguns manuscritos canônicos, são o contexto em que a palavra se encontra. Veja um exemplo para conceituarmos o que significa a palavra batismo:

“E ajuntaram-se a ele os FARISEUS, E ALGUNS DOS ESCRIBAS que tinham vindo de Jerusalém. E, vendo que alguns dos seus discípulos comiam pão com as mãos impuras, isto é, por LAVAR, os repreendiam. Porque os fariseus, e todos os judeus, conservando a tradição dos antigos, não comem sem LAVAR as mãos muitas vezes; E, quando voltam do mercado, se não se LAVAREM, não comem. E muitas outras coisas há que receberam para observar, como LAVAR os copos, e os jarros, e os vasos de metal e as camas. Depois perguntaram-lhe os fariseus e os escribas: Por que não andam os teus discípulos conforme a tradição dos antigos, mas comem o pão com as mãos por LAVAR? E ele, respondendo, disse-lhes: Bem profetizou Isaías acerca de vós, hipócritas, como está escrito: ESTE POVO HONRA-ME COM OS LÁBIOS, MAS O SEU CORAÇÃO ESTÁ LONGE DE MIM; Marcos 7:1-6.”

A palavra utilizada para “lavar” no texto, tem em termos etimológicos a mesma raiz de Baptizomai (βαπτίζομαι - Batismo). Não faz sentido se usarmos Baptizomai apenas para “imergir”, onde os fariseus conforme o texto, lavavam (batizavam) “os copos, e os jarros, e os vasos de metal e as camas.”. Com toda a certeza é ilógico mergulhar uma cama para um rito de purificação. Eles aspergiam, na maioria das vezes com um hissopo (esponja natural), água sobre os objetos. Os que estavam indagando nosso Senhor aqui são os próprios Fariseus e Escribas, conhecedores da lei, legalistas hipócritas que estavam questionando a falta de rituais de purificação (βαπτίζομαι - Batismo) por parte de seus discípulos. Mesmo que hipócritas é inegável que eles “honrravam com os lábios” segundo Isaías, ou seja, proclamavam a verdadeira lei, apenas não o faziam de coração (Ver 6) nem a compreenderam.

Conhecendo os rituais de purificação no Antigo Testamento.

Não existem rituais de purificação por imersão no A.T. Na antiga aliança são evidentes os rituais que prefiguravam o batismo de arrependimento de pecado, todos eles por aspersão.

“E falou o Senhor a Moisés, dizendo: Toma os levitas do meio dos filhos de Israel e PURIFICA-OS; E assim lhes farás, para os purificar: ASPERGE sobre eles a água da expiação; Números 8:5-7”

“E um homem limpo tomará hissopo (esponja natural), e o molhará naquela água, e a ASPERGIRÁ sobre aquela tenda, e sobre todos os móveis, e sobre as pessoas que ali estiverem, Números 19:18a”

“Então ASPERGIREI água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos PURIFICAREI. Ezequiel 36:25”

“Então tomou Moisés aquele sangue, e ASPERGIU-O sobre o povo, e disse: Eis aqui o sangue da aliança que o Senhor tem feito convosco sobre todas estas palavras. Êxodo 24:8”

Fica claro em toda a antiga dispensação, que os rituais que prefiguravam o batismo eram todos por aspersão. Posto isto, podemos voltar em nosso texto áureo sobre o batismo de Jesus (Mt 3:13-16). Jesus diz a João que precisava “cumprir toda a justiça”. Certamente se João estivesse com uma prática que fosse “estranha” aos rituais prescritos no A.T. os próprios Fariseus seriam os primeiros a condenar aquela pratica. Não é claro a interpretação se os Fariseus em Mateus 3 desejavam ou não se batizar. Se esta posição estiver correta, seria um absurdo um Fariseu conhecedor da lei, participar de um ritual de PURIFICAÇÃO de um pecador que não fosse através de ASPERSÃO.

O Eunuco foi imersionado?

A passagem do batismo do Eunuco realizado por Filipe (At 8:36-39), seria uma segunda “carta na manga” dos imercionistas. Porém, queria apresentar que este é exatamente o texto que desmancharia qualquer possibilidade contraria ao método aspercionista:

“E, indo eles caminhando, chegaram ao pé de alguma água, e disse o eunuco: Eis aqui água; que impede que eu seja batizado? E disse Filipe: É lícito, se crês de todo o coração. E, respondendo ele, disse: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus. E mandou parar o carro, E DESCERAM AMBOS À ÁGUA, TANTO FILIPE COMO O EUNUCO, E O BATIZOU. E, QUANDO SAÍRAM DA ÁGUA, o Espírito do Senhor arrebatou a Filipe, e não o viu mais o eunuco; e, jubiloso, continuou o seu caminho. Atos 8:36-39”

Se quisermos adotar o sistema imercionista de acordo com a bíblia, se é que já não deixamos claro sua total incoerência, quem ministra o sacramento deveria mergulhar juntamente com o candidato batismal, se é que o texto “saíram da água” significa que estavam mergulhados como eles próprios defendem no batismo de Jesus. Veja a incoerência. Com o texto do batismo de Jesus “saíram da água” significa que estavam mergulhados. E agora com o batismo do Eunuco, com o mesmo “saíram da água”, não significa a mesma coisa. É evidente! Porque em Atos 8:36-39, o texto deixa mais claro que estavam os dois dentro do rio. “desceram ambos à água, tanto Felipe como o Eunuco, e o Batizou. Quando saíram ambos à água (...)” Ou aceitamos que o batismo é duplo e o ministro se batiza cada vez que batiza alguém ou, como queremos defender, o batismo do Eunuco e de Nosso Senhor Jesus Cristo foi por ASPERSÃO.

Analogia com o Batismo com o Espírito Santo.

O batismo do Espírito Santo, simbolizado pelo batismo com água, é sempre descrito na Escritura em termos de aspersão ou infusão (Is. 44:3; Ez.  36:25; Joel 2:28, 29; Ml. 3:10; Atos 2:17, 18; Atos 10:44, 45).

Os relatos de Batismos no N.T.

No antigo testamento fica claro o padrão para ritual de purificação que prefigurava o batismo de arrependimentos de pecados, onde somos aspergidos pelo sangue de Jesus Cristo assim como o sacerdote aspergia o sangue de um cordeiro imolado como sacrifício pelo pecador que se propusera (Ex 24:8). Se no N.T. o batismo miraculosamente se “transformou” em imersão, teriam que objetar nos textos neo-testamentários. Porém não é o que os registros nos mostram:

  • Pentecostes


“De sorte que foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra; e naquele dia agregaram-se quase três mil almas, Atos 2:41”

Como poderiam batizar por imersão quase 3000 pessoas em Jerusalém que, diga-se de passagem, não tem um rio sequer? O rio Jordão daria perto de 100 Km de distância através de estradas. Alguns defenderiam que o poderiam fazer no famoso tanque de Siloé (Jo 5). É estranha esta afirmação, uma vez que o pentecostes aconteceu após 40 dias da crucificação de Jesus. O tanque além de não comportar esta façanha, ainda era propriedade dos judeus, os mesmos que crucificaram Jesus a poucos dias, perseguiam e martirizavam os cristãos dos primeiros séculos. Seriam no mínimo presos por invasão de propriedade.

  • Batismo do Apostolo Paulo


“E Ananias foi, e entrou na casa e, impondo-lhe as mãos, disse: Irmão Saulo, o Senhor Jesus, que te apareceu no caminho por onde vinhas, me enviou, para que tornes a ver e sejas cheio do Espírito Santo. E logo lhe caíram dos olhos como que umas escamas, e recuperou a vista; E, LEVANTANDO-SE, FOI BATIZADO. Atos 9:17-18”

  • Batismo do Carcereiro


“Mas Paulo clamou com grande voz, dizendo: Não te faças nenhum mal, que todos aqui estamos. E, pedindo luz, saltou dentro e, todo trêmulo, se prostrou ante Paulo e Silas. E, tirando-os para fora, disse: Senhores, que é necessário que eu faça para me salvar? E eles disseram: Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa. E lhe pregavam a palavra do Senhor, e a todos os que estavam em sua casa. E, tomando-os ele consigo naquela mesma hora da noite, lavou-lhes os vergões; e logo foi batizado, ele e todos os seus. Atos 16:28-33”

Será se nas prisões de Roma, em Filipos, existiam piscinas para que se pudesse batizar Paulo e Silas?

  • Batismo do mar vermelho


“Ora, irmãos, não quero que ignoreis que nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem, e todos passaram pelo mar. E todos foram batizados em Moisés, na nuvem e no mar, 1 Coríntios 10:1-2”

O Rev. Ronald Hanko sobre as topologias batismais diz o seguinte:

“Todos os batismos cerimoniais do Antigo Testamento foram realizados por aspersão ou infusão. Que esses foram batismos reais é claro a partir de Hebreus 9:10, onde a palavra grega do NT baptismos é usada, mas traduzida nas versões ACF, ARA e ARC como “abluções” (veja também vv. 13, 19, 21)

Da mesma forma, a aplicação do sangue de Cristo em nós, simbolizada pela água do batismo, é sempre descrita na Escritura como sendo aspergida (Is. 52:15; Hb. 10:22; Hb. 12:24; 1Pe. 1:2).”


Se a imersão na bíblia tem um propósito é de demonstrar o Juízo de Deus e não graça e misericórdia. Temos o exemplo de Faráo e seus exércitos que apesar de imersos não foram batizados, mas sofreram juízo de Deus. Também com Noé e sua família que foram alvos da graça e misericórdia de Deus e de outro lado o mundo que “era continuamente mau” (Gen 6:5) foi “imersionado no Juízo de Deus” e resta dizer em redundância a tudo isso que os ímpios também serão imersos no lago de fogo (Apo 20:14).

Não quero dizer que serão salvos apenas os que são batizados por aspersão. Porém o problema é que é exatamente isso que uma grande parcela das igrejas imercionistas afirmam sem calcular o prejuízo desta afirmação. Se agarram ao texto onde o apostolo diz que:

“Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação;
Um só Senhor, uma só fé, UM SÓ BATISMO; Efésios 4:4-5”

Estes na verdade são os “Anabatistas Contemporâneos”. Já vimos neste texto que o método batismal agarrado a uma exegese comprometida com a verdade que perdura por séculos é por ASPERSÃO. Será se todos os cristãos de todos os séculos que foram batizados da maneira cristã tradicional por aspersão e pedobatistas (batizam crianças), estão condenados ao inferno pois lhe faltaram o verdadeiro batismo?

Bem...preciso pegar uma calculadora e começar a chorar novamente pelos mártires desperdiçados...
  
Soli Deo Gloria
  

PEDRO FERNANDES

domingo, 18 de agosto de 2013

EIS QUE TE DIGO VASO...!




Não são poucos os que já sofreram algum tipo de decepção quando falamos sobre esta nova “tendência” moderna nos cultos carismáticos, que no geral, estão recheados de revelação, profecias, visões do futuro e afins. Por outro lado também, existe uma boa parcela que estão “satisfeitos” com estes supostos dons e acham que isso faz parte de uma vida Cristã mais espiritualizada. Instaurado portanto, um grande dilema teológico.

Sobre Profecias e Profetas modernos gostaria de enumerar alguns pontos que talvez discordasse e outros que sem duvida faria algumas ressalvas importantes.

Precisamos desfazer a visão de profeta moderno que temos impregnado em nossas mentes. Os profetas da bíblia não são simplesmente alguém que “adivinhava” o futuro. Precisamos então ver as enumeras funções e características dos profetas da bíblia comparando com os nossos confusos profetas modernos.

Eu comungo da visão tradicional reformada ou “cessacionista”, portanto não creio que ainda exista dom de REVELAÇÃO em nossos dias. Vou enumerar 10 pontos para que nos ajude a entender um pouco mais sobre o nosso polêmico assunto:

1)      Os profetas neo-testamentários do 1° sec. tinham revelação certamente da parte de Deus, isto é inegável. Por exemplo, quando Mateus cita algumas passagens do antigo testamento e faz aplicações que nunca poderíamos compreender ou(e) fazer tal alusão em nossos dias (Mat 2:6-15-18-23). Porém existem mais características nas profecias bíblicas que precisão ser evidenciadas.

2)      Os profetas estavam escrevendo os fundamentos da fé cristã. Em outras palavras, os Dons de revelação eram necessários, pois eles estavam construindo o Cannon como conhecemos hoje, adicionado e (ou) rejeitando profecias.

“Por isso, quando ledes, podeis perceber a minha compreensão do MISTÉRIO DE CRISTO,
O qual noutros séculos não foi manifestado aos filhos dos homens, como agora tem sido REVELADO PELO ESPÍRITO aos seus santos APÓSTOLOS E PROFETAS; Efésios 3:4-5”

Veja que estes mistérios que foram revelados aos santos Apóstolos e Profetas produziam doutrina outrora desconhecida pelo povo de Deus. Os dons de revelação dados aqueles, tinham um firme propósito, edificar os fundamentos da fé Cristã, produzir doutrina. Dizer que ainda temos este dom de revelação é também dizer que o Cannon ainda esta aberto a novos livros e profecias inspiradas.

EDIFICADOS SOBRE O FUNDAMENTO DOS APÓSTOLOS E DOS PROFETAS, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina; Efésios 2:20”

3)      Além de apenas “adivinhar” o futuro, os profetas tinham outro papel que é muito mais corriqueiro na história, o de admoestar, consolar e exortar seu povo. Leia os profetas do antigo testamento e verá o papel principal dos profetas bíblicos.

“E estenderei a minha mão contra JUDÁ, e contra todos os habitantes de JERUSALÉM, e exterminarei deste lugar o restante de Baal, e o nome dos sacerdotes dos ídolos, juntamente com os sacerdotes; SOFONIAS 1:4

“Ouvi, todos os povos, presta atenção, ó terra, e tudo o que nela há; E SEJA O SENHOR DEUS TESTEMUNHA CONTRA VÓS, o Senhor, desde o seu santo templo. MIQUÉIAS 1:2

“Porque o dia do Senhor está perto, sobre todos os gentios; COMO TU FIZESTE, ASSIM SE FARÁ CONTIGO; a tua recompensa voltará sobre a tua cabeça. OBADIAS 1:15

4)      As profecias dadas ao povo deveriam ser julgadas se fiéis as palavras de Deus (Dt 13). Quantas vezes o profeta poderia se enganar com uma profecia? Apenas uma única vez. 100% das vezes que se levantassem para falar deveriam estar corretos. Caso rejeitassem este falso profeta, este deveria ser apedrejado até a morte (Dt 13). Se alguém possui um dom de profecia, não poderá em hipótese alguma errar em seu uso, pois é evidente que se inspirado pelo Espírito Santo é infalível e inerrante.

Será se os profetas modernos teriam coragem de entrar neste critério? Teria mais profetas para morrer do que nossas pedras poderiam matar...

5)    Os profetas da bíblia não diziam coisas genéricas que caberiam com “qualquer tipo de camisa e com qualquer cor”.  Eles se levantavam e diziam: “eis que te digo da parte de Deus, vai acontecer isso na sua vida, desta forma”. Não precisamos muito trabalho para buscar nossas profecias modernas, onde o pregador diz que:

“Deus está me revelando que tem alguém aqui na igreja com a unha encravada!” E alguém na igreja se levanta e diz: “sou eu aqui!”...

“Deus está me revelando que tem alguém na igreja com problema financeiro!” E como não temos muitos endividados na igreja (gostaria que fosse verdade), apenas alguns se levantam e dizem: “É para mim pastor!”...

Podemos chamar estas profetadas de "profecias de probabilidade"?

6)      Profecia se é de Deus, não contraria a sua palavra. Deus não pode ser ilógico e ser contraventor de si mesmo.Veja o que o apostolo Paulo nos lembra sobre nosso tema:

“De modo que, tendo diferentes dons, segundo a graça que nos é dada, SE É PROFECIA, SEJA ELA SEGUNDO A MEDIDA DA FÉ; Romanos 12:6”

O que significa profetizar segundo a proporção da fé? Será que significa que quem tem mais fé acerta mais o futuro ou profetiza melhor?  É certo que não! Pois isto feriria, como já exposto, o nosso ponto n° 4. Profetizar segundo a medida da nossa fé (Rom 12:6), significa que as profecias devem ser julgadas segundo os fundamentos, os alicerces já estabelecidos da fé cristã (Ef 3:4-5). Uma profecia não pode de maneira alguma ir contra os oráculos de Deus. Toda profecia deve ser julgada e passar pelo crivo final da bíblia.

7)      A única parte que a bíblia parece dizer sobre a cessação dos dons é 1 Cor 13:10 e ainda diz, se nossa interpretação é correta, que cessarão os dons apenas quando Jesus voltar em sua 2° vinda.

“Mas, QUANDO VIER O QUE É PERFEITO, então O QUE O É EM PARTE SERÁ ANIQUILADO. 1 Coríntios 13:10”

Eu não posso dizer que o dom de PROFECIA cessou, pois isto fere o contexto da carta aos coríntios, principalmente do cap. 12-14. O que afirmo é que o dom de REVELAÇÃO acabou, pois o seu propósito já terminou que eram os escritos do Novo Testamento. Não podemos fazer confusão entre revelação e profecia.

O que é de fato profetizar? E o que um profeta deveria fazer hoje?

“Mas o que PROFETIZA FALA AOS HOMENS, para EDIFICAÇÃO, EXORTAÇÃO E CONSOLAÇÃO. 1 Coríntios 14:3”

O dom de profecia hoje deveria estar servindo exatamente com o que o texto nos ensina: edificação, exortação e consolação. Este é o verdadeiro profeta! Em outras palavras ensinando, pregando fielmente a palavra de Deus, consolando através dos oráculos divinos, exortando a permanecermos firmes nos ensinamentos eternos de Deus.

8)      Se profetizar é apenas prever o futuro (já vimos que não faz o menor sentido) como poderíamos obedecer ao texto do apostolo Paulo:

“E profetizem dois ou três profetas, E OS OUTROS JULGUEM. 1 Coríntios 14:29”

Como poderemos julgar uma profecia quando esta se refere a acontecimentos futuros? Faz mais sentido no contexto, se entendermos que quando Paulo fala sobre Profeta e Profecia, diz sobre ensinamentos da palavra de Deus e os outros, os ouvintes, deverão estar julgando com a mesma se é verdadeiro ou falso.

9)      É bom dizer, e este é o ponto mais sério, que não é porque as pessoas acertam as profecias que elas são de Deus e prova sua aplicabilidade para nossos dias. Estas "profecias de probabilidade", hoje acerto e amanhã não, volta e meia vão funcionar. Eu posso profetizar que na África milhares de crianças morrerão de fome no ano que vem e nem por isso preciso dizer que minha profecia é inspirada ou divina concorda? Outro ponto é que, nos últimos dias, fazendo agora uma evolução escatológica, muitos profetizarão, expulsarão espíritos imundos, farão sinais e prodígios, coisas inacreditáveis e verdadeiras que talvez nunca antes visto e nem por isso deveremos acreditar ou achar que é sinal divino.

“Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não PROFETIZAMOS nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas?

E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade. Mateus 7:22-23”


Eles não estavam alegando mentiras, certamente estes alegavam fatos reais, porém devemos submeter tudo em nossas vidas não a nossas experiências, pois enganoso é o coração do homem (Jr 17:9), mas confiar na palavra de Deus revelada, nossa única fonte segura.

10)   Será se este nosso novo modelo evangélico não esta tentando retornar ao Gnosticismo Cristão dos primeiros séculos? Apostolo João, Paulo e outros tiveram um problema sério com este grupo que diziam ter recebido conhecimento (Γνωσις: gnoses) diretamente do céu. Não entendiam Jesus como Deus e que a salvação só vem pelo conhecimento (Γνωσις: gnoses) recebido por alguns misteriosamente do infinito. Logo a perdição não viria pelo pecado, mas da ignorância perene do povo. Será que não estamos buscando novamente uma revelação através de “alguns espirituais” sobre a vontade de Deus para as nossas vidas? Poderíamos chamar estes “Profetas Modernos” de “Profetas Gnósticos”?

Mesmo com os argumentos alguns insistirão dizendo que:

“A profecia de Deus não é hipótese é um fato. Querendo ou não, Deus esta revelando através de seus servos os seus desejos para o povo.”

Talvez num mundo pós-moderno onde se pouco valoriza a razão, foi o suficiente para eliminar a necessidade de um estudo criterioso das sagradas escrituras como um GUIA SUFICIENTE para determinar nossos caminhos. Por uma supervalorização dos sentimentos e um pragmatismo religioso sem precedentes na história da igreja, é muito mais espiritual ouvir um “eis que te digo” de vez em quando do que perder tempo analisando os textos, estudando com profundidade as mensagens divinas que nos guiaram até aqui aos trancos e barrancos, mas, certamente nunca vimos um precipício tão perigoso como este do famoso “eis que te digo”.

Diante desta eminente queda do povo de Deus buscando profetas por revelações extraordinárias assim como os pagãos buscavam as cartomantes e videntes (Dt 18:9-14), não temos outra opção mais favorável e esperançosa do que em um único som bradarmos novamente:

SOLA SCRIPTURA!


PEDRO FERNANDES

sábado, 3 de agosto de 2013

ÉDEN - A PRIMEIRA IGREJA DO MUNDO!



É oportuno este tema, pois temos na mente um idéia de igreja moderna que não cabe comparações quando pegamos seus fundamentos e vemos que faz pouquíssimo tempo que “estabilizamos” este modelo.

Quando falamos sobre o início da igreja, quase sempre pensamos na reforma protestante no século XVI, ou com a igreja de Roma em seu início, provavelmente no sec. IX.

O fato é que igreja é bem mais antigo que isso. Outros irão dizer que seu inicio se deu com o Templo construído pelo Rei Salomão, quando seu Pai Davi preparara os materiais e não pode realizar seu maior sonho (1Cro 22:7). Remetemos-nos há estes tempos e pensamos num culto extremamente rigoroso feito pelos sacerdotes. É comum pensarmos também nos cânticos utilizados neste templo como se fosse o nosso Saltério, o que é em parte enganoso, pois, de fato cantava-se apenas os Salmos, porém uma grande parte deles foram escritos após o exílio.

Ou então nos lembraríamos de igreja no Antigo Testamento quando Deus ordena a Moisés a construção do tabernáculo (Ex 25). Teríamos então o mais antigo relato bíblico sobre igreja no antigo testamento?

Queria sugerir que não. O primeiro modelo de Igreja registrado na bíblia esta logo no segundo capitulo do primeiro livro da bíblia, o Genesis (Γένεσις: “inicio”), tal sua importância. Ademais veremos os argumentos para esta sustentação.

“E plantou o Senhor Deus um JARDIM NO ÉDEN, do lado oriental; Gênesis 2:8a"

Veja que o Éden não era o jardim, mas no Éden foi plantado um jardim. Concluímos que o Éden era o local, região, onde Deus plantou este jardim.

“e pôs ali o homem que tinha formado. Gênesis 2:8b”

E é neste jardim localizado no Éden que Deus coloca o homem, e o coloca com um propósito, que, aliás, anda meio esquecido em nossos dias. Alguns falsos mestres prometem e vislumbram a seus fiéis, que eles estarão em suas casas abraçados a seus travesseiros e uma chuva de “bênças” cairá nas mãos destes. Deus não abençoa preguiçoso (Pv 19:15), estamos criando “preguiçosinhos de Jesus” dentro das igrejas, que trocaram o papai Noel por Jesus Cristo. Vejamos a primeira ordenança de Deus ao homem na bíblia:

“E tomou o Senhor Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden para LAVRÁ-LO E O GUARDAR. Gênesis 2:15”

Sustentamos que o Éden não era o lugar preparado para o ser humano viver eternamente ou usar como morada, pois Deus manda eles se multiplicarem e encherem a terra. Não caberia neste jardim, toda a raça humana. Portanto é lógico que o Éden tem como propósito ser um lugar especial, santuário, lugar de adoração, ou como entendemos em nossos dias, nossa 1º Igreja (Εκκλησία).

Vejamos outros aspectos desta igreja:

“E ouviram a VOZ DO SENHOR DEUS, que passeava no jardim pela viração do dia; Gênesis 3:8a"

A “Voz” de Deus ou Deus passeava pelo jardim? Se o próprio Deus passeava no jardim, entenderíamos que Adão e Eva viram a Deus. E quando a bíblia diz que Deus nunca foi visto por ninguém (Jo 1:18)?

Talvez quando entramos neste assunto sempre nos lembramos de varias Teofanias registradas na bíblia de quando, por exemplo, Samuel ouviu a voz de Deus ainda sobre os cuidados do sacerdote Eli (1 Sm 3:10), quando Deus aparece a Jacó e o abençoa (Gen 35:9), Quando o próprio Deus toma Enoque para si (Gen 5:9), mas aquele que sem duvida é o mais intrigante, o episódio onde diz que Moisés conversara com Deus face a face (Dt5:4). E então, Moisés viu ou não a Deus face a face? Adão via ou não Deus face a face?

Bem, é importante dizer que logo após este episódio, o próprio Moisés pede a Deus que ele pudesse ver a Sua glória (Ex33:21-23) e então, Deus revela algo interessante no final do verso 23, dizendo que “a Minha face não se verá!”

“E, havendo eu tirado a minha mão, me verás pelas costas; MAS A MINHA FACE NÃO SE VERÁ. Êxodo 33:23”

Outro aspecto interessante desta inusitada igreja é que existia uma hora certa para o passeio (da até impressão que era a hora do culto)!

“E ouviram a VOZ DO SENHOR DEUS, QUE PASSEAVA NO JARDIM PELA VIRAÇÃO DO DIA; Gênesis 3:8a”

Ainda sobre o passeio de Deus na viração do dia, era comum os reis exatamente na viração do dia, dar um passeio no castelo e verificar a situação do seu reino, com outras roupas, disfarçados, poderiam numa roda de camponeses por exemplo, perguntar coisas do tipo: “Vocês sabem quem quer matar o rei?”. Usavam sempre este artificio. Lembre-se de Davi quando se levanta na “virada do dia” e, rondando o palácio, vê Bete-Seba tomando banho (2Sm 11). É por certo que Davi estava disfarçado, averiguando o palácio, “conferindo” na virada do dia o seu reino. No livro de Jó, naquela estranha reunião celeste quando Deus pergunta a satanás de onde ele havia vindo (Jó 1:7), ele responde que estava dando voltas na terra. Muito fácil! O príncipe deste mundo (Jo 12:31), estava da mesma forma, “conferindo” o seu reino. Em nosso texto (Gen 3:8), Deus estava “conferindo” o seu reino, e percebe todo o caos de sua mais recente criação. Adão e Eva não viam face a face a Deus, mas de alguma forma miraculosa, na virada do dia (no horário combinado), se comunicavam e tinha comunhão com o Criador.
  
Por ultimo, esta “igreja” é importante, pois nela continha algo muito especial, que talvez seja o cerne de nossa caminhada espiritual: A ÁRVORE DA VIDA! Existiam duas arvores em especiais no jardim, Árvore da vida (permitida), Árvore do conhecimento do bem e do mal (proibida).

“E o Senhor Deus fez brotar da terra toda a árvore agradável à vista, e boa para comida; e a ÁRVORE DA VIDA no meio do jardim, e a ÁRVORE DO CONHECIMENTO DO BEM E DO MAL. Gênesis 2:9”

Não é desculpa dizer que os frutos da árvore do bem e do mal eram o frutos mais apetitosos, pois existia toda sorte de árvores e frutos bonitos e bons para comer. Também é falácia dizer que Deus tentava o homem esfregando o pecado as fuças (Tg 1:13), pois a bíblia diz que o bom fruto, o da árvore da vida, estava no meio do jardim.

Uma pergunta muito interessante: Se adão e Eva tivessem comido o fruto da Árvore da Vida o que aconteceria?

Morrer eles já não poderiam, pois só morre quem tem pecado, como o apostolo diz:“o Salário do pecado é a morte. Rom 6:23”. Então de fato o que aconteceria?

Quero responder no final esta pergunta, antes, o que aconteceu com a Árvore da vida?

Observe, Deus posteriormente ordena a construção do tabernáculo a Moisés (Ex 25) como já vimos. Em uma dessas ordenanças, Deus ordena a utilização no culto de um Candelabro (Ex 25:31), que representa exatamente a Arvore da vida!

“Também farás um CANDELABRO de ouro puro; de ouro batido se fará este candelabro; o seu pé, as suas hastes, os seus copos, os seus botões, e as suas flores serão do mesmo.
Êxodo 25:31”

E vemos em apocalipse a sua exata localização, advinha aonde? Como na primeira igreja, bem no meio do Paraíso:

“Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da ÁRVORE DA VIDA, que está no meio do paraíso de Deus. Apocalipse 2:7”

“Bem-aventurados aqueles que guardam os seus mandamentos, para que tenham direito à ÁRVORE DA VIDA, e possam entrar na cidade pelas portas. Apocalipse 22:14”

Se o Candelabro representa a Árvore da vida, quem a Árvore da vida representa ou simboliza?

Disse Jesus: “Eu sou a VIDEIRA verdadeira, e meu Pai é o lavrador. João 15:1”

“Eu sou a VIDEIRA, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. João 15:5”


A resposta prometida neste artigo não somente para Adão e Eva, mas para todos nós é que, se eles tivessem comido do fruto da Arvore da vida, selariam para todo o sempre a situação de comunhão eterna com Deus. Não teriam mais a probabilidade de pecar ou de se afastarem da presença de Deus. Assim também nós, se qualquer um quiser entrar num estado de comunhão eterna com o Criador, será imprescindível que experimente do fruto da ARVORE DA VIDA, aquele Fruto que esteve a nossa disposição na 1° IGREJA. Devemos não só experimentar, mas, fazer parte desta videira como um ramo frutífero (Jo 15:1). Na primeira igreja do mundo, perdemos a oportunidade, e temos outra vez a chance de experimentar todos os dias deste fruto que nos alimenta e nos sustenta, não só agora, mas para todo o sempre, AMÉM!


PEDRO FERNANDES

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

MEIO CHATEADO COM O MOVIMENTO CARISMÁTICO!


De primeiro ponto é preciso dizer que não acho que o movimento carismático ou pentecostal protestante seja em si um problema conceitual ou escandaloso em suas práticas. Mas vejo alguns problemas não evidentes pela a maioria de seus praticantes assíduos.

Queria nesta oportunidade destacar algo em comum entre os grupos carismáticos que é a parte ESPIRITUAL do movimento. Se dizem mais próximos de Deus ou mais espiritualizados, aqueles que praticam com maior frequência do que os outros, ritos de penitência, campanhas de jejum, os 21 dias de Daniel (Dn 10), A Campanha Dos Sete Mergulhos De Naamã (II Reis 5:14), Campanhas de cura e libertação, Quebrando as muralhas de Jericó (Js 6:20), Campanha da chave de Davi (Ap 3:7), Campanha da Multiplicação no Deserto (Mc 8:4), entre tantos outras...

Já vi pessoalmente enumeras pessoas dizendo que estão espantadas com a igreja católica estar participando desta “nova onda”. O problema é que se esquecem que este movimento de espiritualidade teve início com a própria igreja de Roma. O que deveria nos espantar é esse movimento chegar até os púlpitos de igrejas protestantes. Especialmente de igrejas protestantes históricas. Teólogos liberais que se dizem inovadores e em busca do “novo”, abraçam a espiritualidade que tem como referência freiras e monges medievais. É evidente que o movimento acaba ganhando força com um quadro de pastores sem devoção, que não gastam tempo em oração, meditação na palavra e acabam dando margem para uma solução prática e natural, afinal esta necessidade religiosa do homem (Rom 2:15), tem que ser sanada pelo bem ou pelo mal!

Afinal, porque não abraço este movimento de espiritualidade?

Não acho errado uma vida devocional, nem discordo com o que eles pregam: Quebrantamento, despojamento, mortificação da carne, humildade, amor ao próximo, entre outros que sem dúvida são ordenanças bíblicas. Ao contrário, estes princípios devem ser o norte de nossas orações. Mas as vezes esquecem de valorizar que se estamos de joelhos fazendo uma oração, é porque um dia fui justificado pelo sacrifício de Jesus na cruz. Não me lembro de incluírem nestas “campanhas do impossível” um apelo angustiante por uma vida reta, perdão de pecados, regeneração e pelo pão de cada dia, que são os pilares das petições bíblicas (Mat 6:9). Não se valoriza nestes movimentos espirituais a justificação pela fé somente (Ef 2:8). Veja, com a evolução do problema, aquilo que é claro para nós de que a Justificação é pela fé somente, sem obras ou méritos humanos (Ef 2:8) e que naturalmente isto geraria espiritualidade, pode em algum momento, e é quase inevitável, que este praticante esteja fadado a não entender ou esquecer deste valor, e pode começar a ver a justificação “através da espiritualidade” e por uma piedade pessoal. A doutrina católica chega a anatematizar os que professam justificação pela fé somente.

É importante ainda lembrar a falsa noção de um “culto espiritual”. E claro na mente de muita gente que o culto é espiritual de verdade se tiver sinais e prodígios, um aqui falando em línguas outros ali rodopiando, um verdadeiro “retété”. Mas vemos Paulo escrevendo aos coríntios algo interessante:

“Segui o AMOR, e procurai com zelo os dons espirituais, mas principalmente o de PROFETIZAR.
Porque o que fala em LÍNGUA DESCONHECIDA não fala aos homens, senão a Deus; porque ninguém o entende, e em espírito fala mistérios.
Mas o que profetiza fala aos homens, para EDIFICAÇÃO, exortação e consolação.
O que fala em LÍNGUA DESCONHECIDA EDIFICA-SE a si mesmo, mas o que profetiza EDIFICA a igreja.
E eu quero que todos vós faleis em LÍNGUAS, mas muito mais que profetizeis; porque o que profetiza é maior do que o que FALA EM LÍNGUAS, a não ser que também interprete para que a igreja receba EDIFICAÇÃO. 1 Coríntios 14:1-5”

Que línguas estranhas são estas? E que por que sempre está ligada a edificação?

Ele começa contextualizando falando de amor, o que foi explicado no cap. 13, ligando a procurar os melhores dons, que está longe de ser o de falar em línguas. Coloca como profetizar através do amor o mais excelente dom, ou seja, o que ele mesmo diz, com o intuito de edificação, exortação e consolação (vers. 3).

Afinal porque falar em línguas não edifica a igreja e ainda, que línguas estranhas são estas?

Tenho muito respeito em dizer minha opinião e quero colocar apenas o ponto de vista majoritário das igrejas reformadas históricas. OK?

Precisamos entender algumas coisas:

1° - Uma das analogias que vemos no dom de línguas estrangeiras em Atos cap. 2 é quando em Genesis cap. 11 o povo construiu a torre de babel como uma afronta do homem a Deus. E Deus colocou confusão entre o povo, separando e dando línguas diferentes para cada um. No pentecostes com o dom de línguas estrangeiras, apenas o povo de Deus, para transmitir sua mensagem, poderia alcançar aqueles perdidos pela confusão outrora estabelecida pelo pecado.

2° - Paulo diz no Vers. 22 que as línguas são um sinal para os incrédulos e não para os crentes. Porque isso? Deus fala em Deuteronômio 28:15 as maldições que cairiam sobre o povo de Israel se eles não ouvissem as suas palavras. Então existia claramente uma maldição para os que não ouviam a voz de Deus. Vejamos outra maldição para quem não se atentasse em Suas palavras:

“Eis que trarei sobre vós uma nação de longe, ó casa de Israel, diz o Senhor; é uma nação robusta, é uma nação antiquíssima, uma nação cuja LÍNGUA IGNORARÁS, e não entenderás o que ela falar. Jeremias 5:15”

Israel sabia que quando ouvisse uma nação a sua porta falando coisas que eles não entendiam(outro idioma), era um sinal claro da ira de Deus contra Israel. Veja outra passagem:

“Assim por LÁBIOS GAGUEJANTES, e por outra língua, falará a este povo. Isaías 28:11”

Que povo que falará por lábios gaguejantes? O povo cujo trouxe o cativeiro a israel em 722 a.c., o povo Assírio. Veja que as línguas estranhas estão sempre ligadas a desgraças: Torre de Babel, Juízo iminente de Deus contra o povo, Cativeiro de Israel na Assíria, etc... Entendemos que Paulo se refere citando a lei do Antigo Testamento (1 Cor 14), dizendo que agora os judeus e gentios também falam em línguas estranhas (línguas estrangeiras e não Glossolalia), para proferir JUIZO aos ímpios. Assim como sempre foi na história de Israel o propósito permanece, uso de línguas estranhas para proferir JUIZO para o povo. Veja que agora faz mais sentido de que línguas constituem um sinal para os incrédulos e não para o povo de Deus (vers. 22). Por isso Paulo diz que os coríntios deveriam apenas falarem em línguas se tivessem alguém que traduzissem, pois, estariam deturpando o propósito divino com o Dom. para os crentes as profecias e para os ímpios as línguas estranhas como forma de Juízo iminente.

“Irmãos, não sejais meninos no entendimento, mas sede meninos na malícia, e adultos no entendimento.
Está escrito na lei: Por gente de OUTRAS LÍNGUAS, e por outros lábios, falarei a este povo; e ainda assim me não ouvirão, diz o Senhor.
De sorte que as LÍNGUAS são um sinal, NÃO PARA OS FIÉIS, MAS PARA OS INFIÉIS; e a PROFECIA NÃO É SINAL PARA OS INFIÉIS, MAS PARA OS FIÉIS. 1 Coríntios 14:20-22”

Vemos hoje um quadro totalmente novo! Após uma onda de crescimento estrondoso, temos um país onde os protestantes históricos representam uma minoria ínfima entres os crentes, porém isto parece mudar. Vemos hoje o barco virando o sentido do remo. Ainda ontem estava conversando com um vendedor de uma livraria evangélica com meu irmão e ele nos disse uma coisa interessantíssima. Falou que passou 14 ANOS numa igreja pentecostal. Atuando em cargos eclesiásticos inclusive. Porém começou a ler mais a bíblia e conhecer a história da igreja, pais da igreja como agostinho ou nas próprias palavras do vendedor: “Não aguentava mais as pregações do pastor, me davam tristeza...pois lia e na bíblia falavam outras coisas”. Não generalizo em dizer que todas igrejas carismáticas são assim. Mas vemos uma busca frenética por movimentos empíricos e falta de enraizamento na palavra de Deus. Dizem que o importante é sempre ver o “mover de Deus”. Penso que o mover mais fantástico de Deus, foi o projeto da Salvação, pensado antes da fundação do mundo, me alcançar e transformar minha vida, minhas atitudes e meu caráter. Não posso chamar isso de milagre? Enquanto ao vendedor, quando cheguei naquela loja perguntei e ele me respondeu algo incrível:

Eu disse:

“tu é crente é rapaz?”

Ele me respondeu de imediato:

“Eu? Que isso moço, sou um miserável pecador, imundo,............... mas sim senhor,............ fui alcançado pela graça, se é sua pergunta!”

E ai? Posso ouvir um Gloria a Deus?



PEDRO FERNANDES