segunda-feira, 26 de agosto de 2013

BATIZAR OU MERGULHAR???



Como em todos os artigos, meu interesse não é fracionar o povo de Deus com discussões vãs, mas nos unificar em entendimento e busca das verdades inesgotáveis da bíblia que sempre levam o crente a “mergulhar” (sem trocadilhos) em um despojamento espiritual.

Existem três tipos principais de batismo, o mais praticado ao longo da história e praticado hoje pelas igrejas cristãs tradicionais é ASPERSÃO no qual se asperge pouca água sobre o candidato batismal, existe também EFUSÃO que difere em quantidade do método aspersionista e ainda IMERSÃO, que sem duvida é o método mais utilizado há algum tempo pelas igrejas contemporâneas em sua maioria igrejas Arminianas pentecostais e neo-pentecostais. Entramos numa área polemica e difícil que naturalmente gera inúmeros questionamentos do tipo: Qual dos métodos é o mais apropriado? Devemos batizar crianças (em breve tema de outro artigo)? Como Jesus foi batizado?

Tentaremos responder algumas destas questões de maneira mais generalizadas pontuando questões práticas sobre este sacramento (Mt 28:19) tão importante que é o batismo. Como dito, o batismo é um sacramento e um meio de graça, não com denotação romana em que o ritual em si tenha poderes (ex opere operato), mas acreditamos que ao obedecer este sacramento (Sacro (sagrado) + Mandamento: Sacramento), através do Espírito Santo, Deus promove crescimento espiritual ao candidato batismal. O batismo não é só um “rito de iniciação” como creem alguns estudiosos da antropologia cultural. O batismo aponta para a purificação de nossos pecados através da propiciação de Jesus (At 22:16). O Batismo é um sinal externo da obra regeneradora do Espírito Santo para adultos e selo do pacto da graça para todos sem distinção (At 16:15). É comum a todos os protestantes em geral a importância do sacramento, porém como dito, existem divergências históricas sobre os métodos. Talvez seu início se deu ainda no sec. XVI quando o grande reformador Zuínglio de Zurique, encontrou entre seus discípulos objeções teológicas quanto as práticas batismais. Bradaram que não poderiam batizar crianças e que o batismo deveria ser por imersão. Este famoso grupo ficou posteriormente conhecido como “Anabatistas” (Rebatizadores). Ironicamente Zuínglio condenou-nos à morte por afogamento.

Neste texto, o que vou defender, julgo ser a posição mais próxima do que vemos na bíblia onde o batismo deve ser ministrado por ASPERSÃO. É preciso além de perdermos a percepção de que o batismo tenha “poderes” em si, tirarmos de vez alguns mitos, falácias, sofismas e até mesmo alegorizações bíblicas que nos impedem de compreendermos de maneira mais profunda e solida este sacramento tão importante.

Adiante vejamos alguns pontos que julgo vitais para uma melhor compreensão do batismo:

O que é batismo segundo a bíblia?

Segundo o Breve Catecismo de Westminster (pergunta 94):

O Batismo é o sacramento no qual o lavar com água em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo significa e sela a nossa união com Cristo, a participação das bênçãos do pacto da graça, e a promessa de pertencermos ao Senhor. (Mt 28.19; Jo 3.5; Rm 6.1-11; Gl 3.27.)

Qual método é prescrito no novo testamento sobre o batismo?

Esta é naturalmente a primeira indagação e a resposta é, de maneira clara, Nenhum! E é aí que mora o perigo. Não existe nenhum texto no N.T. que diga “e vós quando batizardes façam assim!”. Cabe a nós, portanto, fazermos um estudo criterioso e comprometido com a verdade.

Como Jesus foi batizado?

Este será o primeiro e mais forte argumento que um imersionista defenderá para justificar suas práticas em contradição com o método aspercionista. Veja o texto:

“Então veio Jesus da Galiléia ter com João, JUNTO DO JORDÃO, para ser batizado por ele.
Mas João opunha-se-lhe, dizendo: Eu careço de ser batizado por ti, e vens tu a mim?
Jesus, porém, respondendo, disse-lhe: Deixa por agora, PORQUE ASSIM NOS CONVÉM CUMPRIR TODA A JUSTIÇA. Então ele o permitiu. E, SENDO JESUS BATIZADO, SAIU LOGO DA ÁGUA, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo sobre ele. Mateus 3:13-16”

Um imercionista dirá preminentemente que Jesus procurou um rio para se batizar e a prova mais cabal que Jesus foi imerso é o verso 16 que diz “e, sendo Jesus batizado, saiu logo da água,”. Dirão em um sofisma extraordinário que: “Jesus saiu da água, logo estava submerso. Como pode alguém sair da água se não estiver dentro dela?” É terrível esta afirmativa, pois não tem o menor fundamento lógico, chega a ser falaz. Veja, se Jesus estivesse com a água pelos joelhos e saísse da água para a margem, ainda assim, ele teria “saído da água”. Esta colocação “e, sendo Jesus batizado, saiu logo da água,”, não prova nada a não ser que ele estava na água. Não digo com isto que nesta passagem Jesus não poderia ter sido submerso. O Jordão é um rio com mais de 260 Km de cumprimento. Sua profundidade naquela época é incerta, porém com toda a certeza o suficiente para um mergulho. Temos na bíblia o caso de Naamã, o qual foi curado da lepra quando mergulhou sete vezes no rio Jordão (2 Rs 5:14). Esta passagem (Mt 3:13-16) pode ser usada para defender os dois métodos pela falta de informação, pois o método batismal não é o foco principal do evangelista, mas, deixa indícios suficientes que precisam ser evidenciados.

Origem da palavra Batismo.

Já vimos várias vezes pessoas defendendo que origem da palavra grega Baptizomai ou Baptismo (βαπτίζομαι - Batismo) significa literalmente afundar, mergulhar ou imergir. Seria outra vez estrangular a concordância nominal e seu contexto literário. O que nos auxilia interpretar palavras de idiomas extintos como algumas variações do grego falado no primeiro século presente em alguns manuscritos canônicos, são o contexto em que a palavra se encontra. Veja um exemplo para conceituarmos o que significa a palavra batismo:

“E ajuntaram-se a ele os FARISEUS, E ALGUNS DOS ESCRIBAS que tinham vindo de Jerusalém. E, vendo que alguns dos seus discípulos comiam pão com as mãos impuras, isto é, por LAVAR, os repreendiam. Porque os fariseus, e todos os judeus, conservando a tradição dos antigos, não comem sem LAVAR as mãos muitas vezes; E, quando voltam do mercado, se não se LAVAREM, não comem. E muitas outras coisas há que receberam para observar, como LAVAR os copos, e os jarros, e os vasos de metal e as camas. Depois perguntaram-lhe os fariseus e os escribas: Por que não andam os teus discípulos conforme a tradição dos antigos, mas comem o pão com as mãos por LAVAR? E ele, respondendo, disse-lhes: Bem profetizou Isaías acerca de vós, hipócritas, como está escrito: ESTE POVO HONRA-ME COM OS LÁBIOS, MAS O SEU CORAÇÃO ESTÁ LONGE DE MIM; Marcos 7:1-6.”

A palavra utilizada para “lavar” no texto, tem em termos etimológicos a mesma raiz de Baptizomai (βαπτίζομαι - Batismo). Não faz sentido se usarmos Baptizomai apenas para “imergir”, onde os fariseus conforme o texto, lavavam (batizavam) “os copos, e os jarros, e os vasos de metal e as camas.”. Com toda a certeza é ilógico mergulhar uma cama para um rito de purificação. Eles aspergiam, na maioria das vezes com um hissopo (esponja natural), água sobre os objetos. Os que estavam indagando nosso Senhor aqui são os próprios Fariseus e Escribas, conhecedores da lei, legalistas hipócritas que estavam questionando a falta de rituais de purificação (βαπτίζομαι - Batismo) por parte de seus discípulos. Mesmo que hipócritas é inegável que eles “honrravam com os lábios” segundo Isaías, ou seja, proclamavam a verdadeira lei, apenas não o faziam de coração (Ver 6) nem a compreenderam.

Conhecendo os rituais de purificação no Antigo Testamento.

Não existem rituais de purificação por imersão no A.T. Na antiga aliança são evidentes os rituais que prefiguravam o batismo de arrependimento de pecado, todos eles por aspersão.

“E falou o Senhor a Moisés, dizendo: Toma os levitas do meio dos filhos de Israel e PURIFICA-OS; E assim lhes farás, para os purificar: ASPERGE sobre eles a água da expiação; Números 8:5-7”

“E um homem limpo tomará hissopo (esponja natural), e o molhará naquela água, e a ASPERGIRÁ sobre aquela tenda, e sobre todos os móveis, e sobre as pessoas que ali estiverem, Números 19:18a”

“Então ASPERGIREI água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos PURIFICAREI. Ezequiel 36:25”

“Então tomou Moisés aquele sangue, e ASPERGIU-O sobre o povo, e disse: Eis aqui o sangue da aliança que o Senhor tem feito convosco sobre todas estas palavras. Êxodo 24:8”

Fica claro em toda a antiga dispensação, que os rituais que prefiguravam o batismo eram todos por aspersão. Posto isto, podemos voltar em nosso texto áureo sobre o batismo de Jesus (Mt 3:13-16). Jesus diz a João que precisava “cumprir toda a justiça”. Certamente se João estivesse com uma prática que fosse “estranha” aos rituais prescritos no A.T. os próprios Fariseus seriam os primeiros a condenar aquela pratica. Não é claro a interpretação se os Fariseus em Mateus 3 desejavam ou não se batizar. Se esta posição estiver correta, seria um absurdo um Fariseu conhecedor da lei, participar de um ritual de PURIFICAÇÃO de um pecador que não fosse através de ASPERSÃO.

O Eunuco foi imersionado?

A passagem do batismo do Eunuco realizado por Filipe (At 8:36-39), seria uma segunda “carta na manga” dos imercionistas. Porém, queria apresentar que este é exatamente o texto que desmancharia qualquer possibilidade contraria ao método aspercionista:

“E, indo eles caminhando, chegaram ao pé de alguma água, e disse o eunuco: Eis aqui água; que impede que eu seja batizado? E disse Filipe: É lícito, se crês de todo o coração. E, respondendo ele, disse: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus. E mandou parar o carro, E DESCERAM AMBOS À ÁGUA, TANTO FILIPE COMO O EUNUCO, E O BATIZOU. E, QUANDO SAÍRAM DA ÁGUA, o Espírito do Senhor arrebatou a Filipe, e não o viu mais o eunuco; e, jubiloso, continuou o seu caminho. Atos 8:36-39”

Se quisermos adotar o sistema imercionista de acordo com a bíblia, se é que já não deixamos claro sua total incoerência, quem ministra o sacramento deveria mergulhar juntamente com o candidato batismal, se é que o texto “saíram da água” significa que estavam mergulhados como eles próprios defendem no batismo de Jesus. Veja a incoerência. Com o texto do batismo de Jesus “saíram da água” significa que estavam mergulhados. E agora com o batismo do Eunuco, com o mesmo “saíram da água”, não significa a mesma coisa. É evidente! Porque em Atos 8:36-39, o texto deixa mais claro que estavam os dois dentro do rio. “desceram ambos à água, tanto Felipe como o Eunuco, e o Batizou. Quando saíram ambos à água (...)” Ou aceitamos que o batismo é duplo e o ministro se batiza cada vez que batiza alguém ou, como queremos defender, o batismo do Eunuco e de Nosso Senhor Jesus Cristo foi por ASPERSÃO.

Analogia com o Batismo com o Espírito Santo.

O batismo do Espírito Santo, simbolizado pelo batismo com água, é sempre descrito na Escritura em termos de aspersão ou infusão (Is. 44:3; Ez.  36:25; Joel 2:28, 29; Ml. 3:10; Atos 2:17, 18; Atos 10:44, 45).

Os relatos de Batismos no N.T.

No antigo testamento fica claro o padrão para ritual de purificação que prefigurava o batismo de arrependimentos de pecados, onde somos aspergidos pelo sangue de Jesus Cristo assim como o sacerdote aspergia o sangue de um cordeiro imolado como sacrifício pelo pecador que se propusera (Ex 24:8). Se no N.T. o batismo miraculosamente se “transformou” em imersão, teriam que objetar nos textos neo-testamentários. Porém não é o que os registros nos mostram:

  • Pentecostes


“De sorte que foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra; e naquele dia agregaram-se quase três mil almas, Atos 2:41”

Como poderiam batizar por imersão quase 3000 pessoas em Jerusalém que, diga-se de passagem, não tem um rio sequer? O rio Jordão daria perto de 100 Km de distância através de estradas. Alguns defenderiam que o poderiam fazer no famoso tanque de Siloé (Jo 5). É estranha esta afirmação, uma vez que o pentecostes aconteceu após 40 dias da crucificação de Jesus. O tanque além de não comportar esta façanha, ainda era propriedade dos judeus, os mesmos que crucificaram Jesus a poucos dias, perseguiam e martirizavam os cristãos dos primeiros séculos. Seriam no mínimo presos por invasão de propriedade.

  • Batismo do Apostolo Paulo


“E Ananias foi, e entrou na casa e, impondo-lhe as mãos, disse: Irmão Saulo, o Senhor Jesus, que te apareceu no caminho por onde vinhas, me enviou, para que tornes a ver e sejas cheio do Espírito Santo. E logo lhe caíram dos olhos como que umas escamas, e recuperou a vista; E, LEVANTANDO-SE, FOI BATIZADO. Atos 9:17-18”

  • Batismo do Carcereiro


“Mas Paulo clamou com grande voz, dizendo: Não te faças nenhum mal, que todos aqui estamos. E, pedindo luz, saltou dentro e, todo trêmulo, se prostrou ante Paulo e Silas. E, tirando-os para fora, disse: Senhores, que é necessário que eu faça para me salvar? E eles disseram: Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa. E lhe pregavam a palavra do Senhor, e a todos os que estavam em sua casa. E, tomando-os ele consigo naquela mesma hora da noite, lavou-lhes os vergões; e logo foi batizado, ele e todos os seus. Atos 16:28-33”

Será se nas prisões de Roma, em Filipos, existiam piscinas para que se pudesse batizar Paulo e Silas?

  • Batismo do mar vermelho


“Ora, irmãos, não quero que ignoreis que nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem, e todos passaram pelo mar. E todos foram batizados em Moisés, na nuvem e no mar, 1 Coríntios 10:1-2”

O Rev. Ronald Hanko sobre as topologias batismais diz o seguinte:

“Todos os batismos cerimoniais do Antigo Testamento foram realizados por aspersão ou infusão. Que esses foram batismos reais é claro a partir de Hebreus 9:10, onde a palavra grega do NT baptismos é usada, mas traduzida nas versões ACF, ARA e ARC como “abluções” (veja também vv. 13, 19, 21)

Da mesma forma, a aplicação do sangue de Cristo em nós, simbolizada pela água do batismo, é sempre descrita na Escritura como sendo aspergida (Is. 52:15; Hb. 10:22; Hb. 12:24; 1Pe. 1:2).”


Se a imersão na bíblia tem um propósito é de demonstrar o Juízo de Deus e não graça e misericórdia. Temos o exemplo de Faráo e seus exércitos que apesar de imersos não foram batizados, mas sofreram juízo de Deus. Também com Noé e sua família que foram alvos da graça e misericórdia de Deus e de outro lado o mundo que “era continuamente mau” (Gen 6:5) foi “imersionado no Juízo de Deus” e resta dizer em redundância a tudo isso que os ímpios também serão imersos no lago de fogo (Apo 20:14).

Não quero dizer que serão salvos apenas os que são batizados por aspersão. Porém o problema é que é exatamente isso que uma grande parcela das igrejas imercionistas afirmam sem calcular o prejuízo desta afirmação. Se agarram ao texto onde o apostolo diz que:

“Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação;
Um só Senhor, uma só fé, UM SÓ BATISMO; Efésios 4:4-5”

Estes na verdade são os “Anabatistas Contemporâneos”. Já vimos neste texto que o método batismal agarrado a uma exegese comprometida com a verdade que perdura por séculos é por ASPERSÃO. Será se todos os cristãos de todos os séculos que foram batizados da maneira cristã tradicional por aspersão e pedobatistas (batizam crianças), estão condenados ao inferno pois lhe faltaram o verdadeiro batismo?

Bem...preciso pegar uma calculadora e começar a chorar novamente pelos mártires desperdiçados...
  
Soli Deo Gloria
  

PEDRO FERNANDES