quinta-feira, 1 de agosto de 2013

MEIO CHATEADO COM O MOVIMENTO CARISMÁTICO!


De primeiro ponto é preciso dizer que não acho que o movimento carismático ou pentecostal protestante seja em si um problema conceitual ou escandaloso em suas práticas. Mas vejo alguns problemas não evidentes pela a maioria de seus praticantes assíduos.

Queria nesta oportunidade destacar algo em comum entre os grupos carismáticos que é a parte ESPIRITUAL do movimento. Se dizem mais próximos de Deus ou mais espiritualizados, aqueles que praticam com maior frequência do que os outros, ritos de penitência, campanhas de jejum, os 21 dias de Daniel (Dn 10), A Campanha Dos Sete Mergulhos De Naamã (II Reis 5:14), Campanhas de cura e libertação, Quebrando as muralhas de Jericó (Js 6:20), Campanha da chave de Davi (Ap 3:7), Campanha da Multiplicação no Deserto (Mc 8:4), entre tantos outras...

Já vi pessoalmente enumeras pessoas dizendo que estão espantadas com a igreja católica estar participando desta “nova onda”. O problema é que se esquecem que este movimento de espiritualidade teve início com a própria igreja de Roma. O que deveria nos espantar é esse movimento chegar até os púlpitos de igrejas protestantes. Especialmente de igrejas protestantes históricas. Teólogos liberais que se dizem inovadores e em busca do “novo”, abraçam a espiritualidade que tem como referência freiras e monges medievais. É evidente que o movimento acaba ganhando força com um quadro de pastores sem devoção, que não gastam tempo em oração, meditação na palavra e acabam dando margem para uma solução prática e natural, afinal esta necessidade religiosa do homem (Rom 2:15), tem que ser sanada pelo bem ou pelo mal!

Afinal, porque não abraço este movimento de espiritualidade?

Não acho errado uma vida devocional, nem discordo com o que eles pregam: Quebrantamento, despojamento, mortificação da carne, humildade, amor ao próximo, entre outros que sem dúvida são ordenanças bíblicas. Ao contrário, estes princípios devem ser o norte de nossas orações. Mas as vezes esquecem de valorizar que se estamos de joelhos fazendo uma oração, é porque um dia fui justificado pelo sacrifício de Jesus na cruz. Não me lembro de incluírem nestas “campanhas do impossível” um apelo angustiante por uma vida reta, perdão de pecados, regeneração e pelo pão de cada dia, que são os pilares das petições bíblicas (Mat 6:9). Não se valoriza nestes movimentos espirituais a justificação pela fé somente (Ef 2:8). Veja, com a evolução do problema, aquilo que é claro para nós de que a Justificação é pela fé somente, sem obras ou méritos humanos (Ef 2:8) e que naturalmente isto geraria espiritualidade, pode em algum momento, e é quase inevitável, que este praticante esteja fadado a não entender ou esquecer deste valor, e pode começar a ver a justificação “através da espiritualidade” e por uma piedade pessoal. A doutrina católica chega a anatematizar os que professam justificação pela fé somente.

É importante ainda lembrar a falsa noção de um “culto espiritual”. E claro na mente de muita gente que o culto é espiritual de verdade se tiver sinais e prodígios, um aqui falando em línguas outros ali rodopiando, um verdadeiro “retété”. Mas vemos Paulo escrevendo aos coríntios algo interessante:

“Segui o AMOR, e procurai com zelo os dons espirituais, mas principalmente o de PROFETIZAR.
Porque o que fala em LÍNGUA DESCONHECIDA não fala aos homens, senão a Deus; porque ninguém o entende, e em espírito fala mistérios.
Mas o que profetiza fala aos homens, para EDIFICAÇÃO, exortação e consolação.
O que fala em LÍNGUA DESCONHECIDA EDIFICA-SE a si mesmo, mas o que profetiza EDIFICA a igreja.
E eu quero que todos vós faleis em LÍNGUAS, mas muito mais que profetizeis; porque o que profetiza é maior do que o que FALA EM LÍNGUAS, a não ser que também interprete para que a igreja receba EDIFICAÇÃO. 1 Coríntios 14:1-5”

Que línguas estranhas são estas? E que por que sempre está ligada a edificação?

Ele começa contextualizando falando de amor, o que foi explicado no cap. 13, ligando a procurar os melhores dons, que está longe de ser o de falar em línguas. Coloca como profetizar através do amor o mais excelente dom, ou seja, o que ele mesmo diz, com o intuito de edificação, exortação e consolação (vers. 3).

Afinal porque falar em línguas não edifica a igreja e ainda, que línguas estranhas são estas?

Tenho muito respeito em dizer minha opinião e quero colocar apenas o ponto de vista majoritário das igrejas reformadas históricas. OK?

Precisamos entender algumas coisas:

1° - Uma das analogias que vemos no dom de línguas estrangeiras em Atos cap. 2 é quando em Genesis cap. 11 o povo construiu a torre de babel como uma afronta do homem a Deus. E Deus colocou confusão entre o povo, separando e dando línguas diferentes para cada um. No pentecostes com o dom de línguas estrangeiras, apenas o povo de Deus, para transmitir sua mensagem, poderia alcançar aqueles perdidos pela confusão outrora estabelecida pelo pecado.

2° - Paulo diz no Vers. 22 que as línguas são um sinal para os incrédulos e não para os crentes. Porque isso? Deus fala em Deuteronômio 28:15 as maldições que cairiam sobre o povo de Israel se eles não ouvissem as suas palavras. Então existia claramente uma maldição para os que não ouviam a voz de Deus. Vejamos outra maldição para quem não se atentasse em Suas palavras:

“Eis que trarei sobre vós uma nação de longe, ó casa de Israel, diz o Senhor; é uma nação robusta, é uma nação antiquíssima, uma nação cuja LÍNGUA IGNORARÁS, e não entenderás o que ela falar. Jeremias 5:15”

Israel sabia que quando ouvisse uma nação a sua porta falando coisas que eles não entendiam(outro idioma), era um sinal claro da ira de Deus contra Israel. Veja outra passagem:

“Assim por LÁBIOS GAGUEJANTES, e por outra língua, falará a este povo. Isaías 28:11”

Que povo que falará por lábios gaguejantes? O povo cujo trouxe o cativeiro a israel em 722 a.c., o povo Assírio. Veja que as línguas estranhas estão sempre ligadas a desgraças: Torre de Babel, Juízo iminente de Deus contra o povo, Cativeiro de Israel na Assíria, etc... Entendemos que Paulo se refere citando a lei do Antigo Testamento (1 Cor 14), dizendo que agora os judeus e gentios também falam em línguas estranhas (línguas estrangeiras e não Glossolalia), para proferir JUIZO aos ímpios. Assim como sempre foi na história de Israel o propósito permanece, uso de línguas estranhas para proferir JUIZO para o povo. Veja que agora faz mais sentido de que línguas constituem um sinal para os incrédulos e não para o povo de Deus (vers. 22). Por isso Paulo diz que os coríntios deveriam apenas falarem em línguas se tivessem alguém que traduzissem, pois, estariam deturpando o propósito divino com o Dom. para os crentes as profecias e para os ímpios as línguas estranhas como forma de Juízo iminente.

“Irmãos, não sejais meninos no entendimento, mas sede meninos na malícia, e adultos no entendimento.
Está escrito na lei: Por gente de OUTRAS LÍNGUAS, e por outros lábios, falarei a este povo; e ainda assim me não ouvirão, diz o Senhor.
De sorte que as LÍNGUAS são um sinal, NÃO PARA OS FIÉIS, MAS PARA OS INFIÉIS; e a PROFECIA NÃO É SINAL PARA OS INFIÉIS, MAS PARA OS FIÉIS. 1 Coríntios 14:20-22”

Vemos hoje um quadro totalmente novo! Após uma onda de crescimento estrondoso, temos um país onde os protestantes históricos representam uma minoria ínfima entres os crentes, porém isto parece mudar. Vemos hoje o barco virando o sentido do remo. Ainda ontem estava conversando com um vendedor de uma livraria evangélica com meu irmão e ele nos disse uma coisa interessantíssima. Falou que passou 14 ANOS numa igreja pentecostal. Atuando em cargos eclesiásticos inclusive. Porém começou a ler mais a bíblia e conhecer a história da igreja, pais da igreja como agostinho ou nas próprias palavras do vendedor: “Não aguentava mais as pregações do pastor, me davam tristeza...pois lia e na bíblia falavam outras coisas”. Não generalizo em dizer que todas igrejas carismáticas são assim. Mas vemos uma busca frenética por movimentos empíricos e falta de enraizamento na palavra de Deus. Dizem que o importante é sempre ver o “mover de Deus”. Penso que o mover mais fantástico de Deus, foi o projeto da Salvação, pensado antes da fundação do mundo, me alcançar e transformar minha vida, minhas atitudes e meu caráter. Não posso chamar isso de milagre? Enquanto ao vendedor, quando cheguei naquela loja perguntei e ele me respondeu algo incrível:

Eu disse:

“tu é crente é rapaz?”

Ele me respondeu de imediato:

“Eu? Que isso moço, sou um miserável pecador, imundo,............... mas sim senhor,............ fui alcançado pela graça, se é sua pergunta!”

E ai? Posso ouvir um Gloria a Deus?



PEDRO FERNANDES