sábado, 28 de setembro de 2013

JUDAS – O LIVRO MENOS INSPIRADO DA BIBLIA





Judas é um nome grego muito comum entre os mais humildes no 1º sec e possui significado do hebraico o mesmo que Judá. Existem pelo menos oito Judas no NT entre eles o traidor (Lc 6:16). De fato quem é o nosso Judas é que causa algumas duvidas. Defendemos que este é o meio irmão de Jesus (Mt 13:55). Não pelo seu nome, mas pelo “irmão de Tiago” (v. 1). O único Tiago que poderia ser citado sem mais detalhes e que seria reconhecido pela igreja primitiva é Tiago de Jerusalém que foi grande líder (At 12:17; 15:12-21), coluna da igreja (Gl 2:9), escritor da carta que leva seu nome (Tg 1:1) e também, meio irmão de Jesus (Mt 13:55). Sem duvida alguma, com apenas 25 versículos em proporção, é o livro que contem maior citação de livros apócrifos em todo o cânon bíblico.

Os livros considerados apócrifos foram os livros que não são considerados como inspirados pelo Espírito Santo e que estão em desacordo com o restante do Canon bíblico. Estes livros foram escritos em tempos diversos. O termo "apócrifo" pode, então, significar "estranho" ou "de fora". Mas não se trata de significado rigoroso, pois a palavra grega “apocryphos” (απόκρυφος) quer dizer "escondido" e aplicava-se aos livros que se ocultavam do público, para serem consultados apenas por uma classe privilegiada.

Judas estava impelido a escrever uma espécie de carta doutrinária sobre a salvação (Jd 3-4), porém em vista dos crescentes grupos heréticos do 1° sec, se move em direção ao combate diligente sobre as falsas doutrinas que impediam um crescimento sadio da igreja. Para este combate fervoroso é que Judas adota um “estranho” modo de fazê-lo ao citar textos apostólicos, citações do AT, livros apócrifos judaicos, escritos pagãos, fazendo uma “salada mista cristã”. Os grupos heréticos não demoram a serem denunciados:

“Porque se introduziram alguns, que já antes estavam escritos para este mesmo juízo, HOMENS ÍMPIOS, que convertem em dissolução a graça de Deus, e negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo. Judas 1:4”

A ASCENSÃO DE MOISES

Nos versos 5 a 7, como em quase todas as vezes, Judas não faz citações diretas mas, se utiliza de Nm 13:25, 14:38; provavelmente de Gn 6:2 e Apócrifos judaicos. Mas é no verso 9 que Judas deixa mais aparente sua forma no mínimo curiosa de escrever se valendo dos apócrifos, desta feita, utilizando de maneira explicita o livro “A ascensão de Moisés” como fonte:

 “Mas o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo, e disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar juízo de maldição contra ele; mas disse: O Senhor te repreenda. Judas 1:9”

Se vale deste texto com o mesmo intuito que o apóstolo Pedro em 2 Pe 2:10. Aqueles falsos mestres estavam difamando os lideres Cristãos e quando eram ameaçados de serem entregues aos maus espíritos e condenação eterna, zombavam e os difamavam  e seus ensinamentos. Hoje ainda é muito perigoso viver como se satanás não existisse ou que o juízo de Deus seja apenas figurativo ou falaz (Ml 3:17-18).

O LIVRO DE 1° ENOQUE

“E destes profetizou também Enoque, o sétimo depois de Adão, dizendo: Eis que é vindo o Senhor com milhares de seus santos;

Para fazer juízo contra todos e condenar dentre eles todos os ímpios, por todas as suas obras de impiedade, que impiamente cometeram, e por todas as duras palavras que ímpios pecadores disseram contra ele. Judas 1:14-15”

Aqui Judas se vale quase que literalmente do texto do respeitado apócrifo "1° Enoque" para explicitar a vinda iminente de Deus para proferir juízo contra os ímpios que neste pequeno texto é encontrado mais de seis vezes, além de diversas comparações infames: “Estes são manchas em vossas festas de amor (...) (v 12)”; “são como árvores murchas, infrutíferas, duas vezes mortas, desarraigadas (...) (v 12)”; “Ondas impetuosas do mar, (...) (v 13)”; “estrelas errantes, para os quais está eternamente reservada a negrura das trevas. (v 13).”

Judas em sua carta parece combater os mesmos grupos que o apostolo Pedro em sua segunda epistola, os precursores do Gnosticismo ainda não muito bem formulado como viria a ser no segundo século, mas muito vivo e militante. Deste grupo herético o que é mais evidenciado nesta carta, são os que saíram desta espécie de protognosticismo, os libertinos. Os libertinos usavam da graça e libertação da escravidão da lei do pecado como licença para libertinagem (v. 4). Estes  Antinomianos também são combatidos por Tiago além de outros escritos neo-testamentários (Tg 2:14-26; Rom 3:8; 6:15; 1Co 6:12-20; Gl 5:13).

A pergunta, após dado o implicativo, é se pelo uso quase que central em sua carta de livros apócrifos, faz de Judas um livro não inspirado? Ou ainda, o uso deliberativo destes apócrifos testifica que estas obras são inspiradas por Deus?

Na verdade nem um e nem outro. Uma verdade sempre será divina não importa onde esteja, na boca de um pagão, em um apócrifo, na boca de uma mula (v 11) e até na boca de um ateu. Confirmamos apenas um diferencial de que TODA a bíblia é verdadeira e inspirada pelo Espírito Santo. Não obstante, os médicos que não são cristãos, não poderiam nos ajudar com novas descobertas e tratamentos apenas por não serem "médicos gospeis". Cientistas que nos auxiliaram com o telefone, energia elétrica e tantas ferramentas úteis, seriam totalmente descartados. Teríamos que comer carne gospel, trabalho gospel, roupa gospel, lazer gospel, enfim, estamos escravizados pelo famoso, comercial e exclusivista rotulo moderno: MUNDO GOSPEL.

Nos valemos agora, para exemplo, do apostolo Paulo que utiliza varias vezes em seus escritos, ditos populares, escritos pagãos e/ou “escritos não inspirados”. Vejamos alguns exemplos:

TRADIÇÃO JUDAICA

“E, como janes e jambres resistiram a Moisés, assim também estes resistem à verdade, sendo homens corruptos de entendimento e réprobos quanto à fé. 2 Timóteo 3:8”

POETAS PAGÃOS

Porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos; como também alguns dos vossos poetas disseram: pois somos também sua geração. Atos 17:28

PROVÉRBIO – COMÉDIA DE MENANDRO (342-292 a.C.)

Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes. 1 Coríntios 15:33

PROVÉRBIO JUDEU

Não é boa a vossa jactância. Não sabeis que um pouco de fermento faz levedar toda a massa? 1 Coríntios 5:6

EPIMÊNIDES – POETA E REFORMADOR (600 a.C.) – CNOSSOS EM CRETA

Um deles, seu próprio profeta, disse: Os cretenses são sempre mentirosos, bestas ruins, ventres preguiçosos. Tito 1:12

Na verdade o que precisamos reformar é nossa cosmovisão de mundo para que possamos desfrutar das verdades "no" mundo e não "do" mundo. No mundo está cheio de boas dádivas como a musica, arte, cultura, poesias, e podemos desfrutar desde que esteja em acordo com nossa visão doutrinária. Uma verdade é sempre verdade apesar de sua fonte, chamamos na teologia reformada de “Graça Comum”, que faz "o sol nascer tanto aos justos como aos injustos (Mt 5:45)". Até mesmo na boca da jumenta de Balaão (Nm 22:28) encontramos uma verdade, pois a buscamos “apesar” de sua fonte. Me despeço citando nosso ilustríssimo escritor cristão brasileiro:

“O problema não é encontrarmos uma jumenta discutindo com um homem, o problema é a jumenta ganhar a discussão! Luiz Sayão.”

PEDRO FERNANDES

sábado, 21 de setembro de 2013

PAULO OU TIAGO, EIS A QUESTÃO?

Durante muito tempo se valorizou a razão de ser da teologia sistemática, porém nunca foi tão importante seu valor como em nossos dias em que se destaca do texto poucas palavras e se faz um estudo com uma estranha “teologia a granel”. Já foi dito muitas vezes aqui neste blog, mas nunca é demais lembrar: “Texto sem contexto é pretexto para heresia”.

O apostolo Paulo destaca em muitos textos a Justificação pela fé somente (Rm 9:30; Rm 1:17; Rm 3:30; 2 Cor 1:24; Fl 3:9; Rm 3:28; Rm 11:20; Gl 3:26; Gl 3:11; Tt 3:7; Rm 3:22; Rm 5:1; Gl3:24; Ef2:8; Gl 3:8; Rm 4:25; Rm 10:6) e bastaria apenas uma citação para que déssemos total credibilidade a esta verdade pois cada virgula das sagradas escrituras foram cuidadosamente selecionados pelo Espirito Santo. Dentre essas queria destacar a mais evidente:

“Sabendo que o homem não é JUSTIFICADO PELAS OBRAS DA LEI, MAS PELA FÉ EM JESUS CRISTO, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos JUSTIFICADOS PELA FÉ EM CRISTO, e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada. Gl 2:16”

Fica evidenciado em apenas uma frase seu ponto de vista sobre como o homem é propiciado perante Deus, que é justamente a problemática que qualquer religião do mundo tenta resolver, o cristianismo, porém, é a única que defende a justificação pela fé somente sem a cooperação humana.

A controvérsia se dá pelo famoso texto de Tiago Cap. 2:14-18 que fala da importância das obras. Mais adiante Tiago (Irmão de Jesus) vai além e chega a dizer com todas as letras sobre “justificação pelas obras” (vs 24). Veja o que diz o texto:

“Vedes então que o homem é justificado pelas obras, e não somente pela fé. Tg 2:24”

Tenho várias perguntas naturais sobre os dois textos que aqui apresentamos e pretendo tratar neste artigo de algumas tais como:

Em quem acreditar? Em Tiago ou Paulo?

Se existe está aparente contradição, como fica nossa confiabilidade na bíblia?

Afinal o que é correto afirmar, justificação pelas obras ou pela fé?

Antinômio ou aparente contradição.

Há na bíblia inúmeras passagens difíceis, que são passiveis de duas ou mais interpretações. Sabemos que existe, porém, apenas uma intenção que o autor no texto nos quis apresentar. Os Reformadores do sec. XVI costumavam chamar de “sentido natural do texto”, que é o primeiro sentido encontrado numa leitura natural levando em consideração o contexto literário e histórico-cultural. A bíblia apresenta os chamados “Antinômios” que é uma verdade que não nos é possível de maneira lógica e racional, ser compreendida. Dentre os antinômios mais famosos cito a Trindade, Responsabilidade Humana e Soberania de Deus, Dupla Natureza de Jesus, etc...

Além dos antinômios existem as aparentes contradições da bíblia. Por séculos a fio esta posição vem sido defendido como verdades por ateus, agnósticos e até por teólogos liberais que afirma que realmente a bíblia contém erros e que seu uso como única fonte de verdade é altamente dogmático, fanático e irracional. Norman Gaisler e Thomas Howe escreveram um livro publicado no Brasil pela editora Mundo Cristão chamado: Manual Popular de Duvidas e Enigmas e “Contradições da Bíblia” – que trata justamente sobre este assunto explicando de maneira brilhante estes supostos “erros e contradições”.

Estas duas passagens não são antinômios pois existe uma conclusão lógica e natural para os dois textos que pretendemos expor a seguir.

1.       Ocasião em que foi escrita.

Inúmeros comentaristas sustentam que Tiago escreve esta carta antes do primeiro grande concilio da igreja primitiva em que o próprio Tiago presidiu em atos capitulo 15. Estes que defendem esta posição argumentam que Tiago ainda não conhecia os preciosos argumentos de Paulo sobre Justificação pela fé, pelo modo que trata o assunto. Não se contradizem, porém Tiago usa de maneira distinta o termo e o próprio contexto deixa claro que não se trata de que alguém alcance a justificação pelas obras, mas que as “obras” são a resposta direta para aquele que se diz justificado que no fim é uma obra soberana, miraculosa e invisível, que se mostra aparente e real por nossos frutos (Mt 12:33).

2.       Texto Original.

No texto original em que foi escrito fica mais aparente seu real sentido quando Tiago se vale da palavra “justificação”. Veja o texto:

ρτε τι ξ ργων ΔΙΚΑΙΟ ται νθρωπος κα οκ κ πίστεως μόνον. Tg 2:24”
“Vedes então que o homem é JUSTIFICADO pelas obras, e não somente pela fé.Tg 2:24”

Esta variação da palavra grega “Dikaioo – ΔΙΚΑΙΟ traduzida para o português como “justificação” é utilizada por Jesus em outro texto de maneira bem interessante. Leia o texto:

“Mas a sabedoria é JUSTIFICADA por todos os seus filhos. Lc 7:35”
κα ΔΙΚΑΙΩΘΗ  σοφία π παντων τν τέκνων ατς. Lc 7:35”

Em outras palavras, parafraseando o texto, Jesus quer dizer que: “A sabedoria é demonstrada ser sabedoria verdadeira pelos seus resultados aparentes”. Este sem duvida alguma é o real sentido da argumentação de Tiago nesta perícope.

3.       Abraão e Raabe.

Tiago ao enfatizar a importância das obras se vale de dois exemplos bem estranhos à primeira vista. O publico alvo de sua carta são judeus convertidos ao cristianismo na diáspora. Chega ao ponto de chamar igreja de sinagoga (Tg 2:2) por causa dos Judeus. Para exemplificar seu argumento sobre justificação, Tiago utiliza o caso de Abraão que seria mais familiar para seu leitor hebreu. Porém o que é pouco entendido é que, Tiago não defende a propiciação humana através das obras, antes, nos lembra que Abraão recebeu a promessa de Deus (Gn 12), logo após se firma em sua aliança (Gn 15) e a evidência de que fora justificado era sua “boa obra” quando se propõe a sacrificar anos mais tarde seu único filho como prova de sua devoção a Deus (Gn 22). De igual modo coloca o caso da meretriz Raabe que diz ter crido em Deus e o que fizera através de seu povo (Js 2:9). A prova segundo Tiago que Raabe de fato creu ou a prova que Raabe de fato fora justificada foi que ela não denunciou a missão dos espias em Jericó (Js 2:15). Portanto, Tiago tem o propósito de dizer que aqueles que se intitulam justificados, mas que não produzem boas obras nada são além de tagarelas e tolos. Tiago nesta passagem combate os antinomianistas enquanto que Paulo combate os Legalistas. Não existe contradição, apenas mudança de foco e colocação.

4.       Justificação: Ato ou Prova?

A diferença principal de argumentos além da que já foi apresentada é que Paulo quando cita o mesmo exemplo de Abraão em suas cartas (Rm 4:1-25; Gl 3:6-9) tem como referencia clara o momento em que a justificação é IMPUTADA a Abraão registrado no texto de Gênesis 15:6. Quando Tiago utiliza o exemplo de Abraão tem em vista a PROVA que ele havia sido justificado que esta em outro texto que é Gênesis 22:12, que ocorreu muitos anos mais tarde no sacrifício de Isaque no monte Moriá. Entendemos portanto, que Paulo se refere à justificação pelo momento em que se propicia e Tiago se refere a suas provas.

5.       Entender a Justificação pela fé nos desobriga das obras?

Por fim, me despeço fazendo uma citação de João Calvino em sua obra prima “Institutas da Religião Cristã”, séc. XVI vol. 4, p. 147, onde sabiamente nos ensina:

“Alegam (Papistas) que as boas obras são destruídas através da justificação pela fé. Abstenho-me de dizer quem são esses zelotes de boas obras que tanto nos difamam. Que lhes seja permitido insultar tão impunemente quão licenciosamente infectam a todo o mundo com a obscenidade de sua vida. Fingem ofender-se que as obras percam seu valor quando se exalta tanto a fé. No entanto, e se com isso elas mais se exaltam e se fortalecem? Pois não sonhamos com uma fé vazia de boas obras, nem com uma justificação que subsista sem elas. A diferença está apenas nisto: enquanto confessamos que a fé e as boas obras estão, necessariamente, associadas entre si, contudo colocamos a justificação na fé, não nas obras. Por que razão isso é feito, a explicação é imediata, se tão só nos voltarmos para Cristo, a quem a fé se dirige e donde ela recebe toda sua força. Portanto, por que somos justificados pela fé? Porque pela fé nos apropriamos da justiça de Cristo, mercê da qual unicamente somos reconciliados com Deus. Desta, contudo, não poderás apropriar-te sem que, ao mesmo tempo, te apropries também da santificação, visto que “ele nos foi dado para justiça, sabedoria, santificação e redenção” [1Co 1.30]. Logo, Cristo a ninguém justifica, a quem, ao mesmo tempo, não santifique. Ora, estas mercês são ligadas por vínculo perpétuo e indivisível, de modo que aqueles a quem ilumina com sua sabedoria, os redime; aqueles a quem redime os justifica; aqueles a quem justifica, os santifica. Entretanto, uma vez que a questão é apenas acerca da justiça e da santificação, insistamos nelas. Ainda que entre elas façamos distinção, contudo Cristo contém ambas inseparavelmente nele. Queres, pois, obter justiça em Cristo? Então é necessário que antes possuas a Cristo; porém não podes possuí-lo sem que te tornes participante de sua santificação, já que ele não pode ser dividido em parcelas [1Co 1.13]. Quando, pois, o Senhor nos concede usufruir dessas mercês somente por haver-se dado a si mesmo, a ambas ele ao mesmo tempo prodigaliza, uma jamais sem a outra. Portanto, faz-se evidente quão verdadeiro é que somos justificados não sem as obras, contudo nem por meio das obras, porque na participação de Cristo, na qual consiste toda nossa justiça, não se contém menos a santificação que a justiça.”

CALVINO, João. Institutas da Religião Cristã, séc. XVI vol. 4, p. 147.  REFUTAÇÃO DAS FALSAS ACUSAÇÕES COM QUE OS PAPISTAS TENTAM GRAVAR DE ÓDIO A ESTA DOUTRINA DA JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ SOMENTE.



PEDRO FERNANDES

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

EXISTE LUGAR PARA REI NO INFERNO?

 


A declaração de alguns sobre a possível condenação eterna do grande rei Salomão se deve ao aparente silencio da bíblia quando narra sua obscura morte. Não pretendemos espremer das paginas das escrituras a salvação de nosso herói, antes, tentaremos expor de maneira muito resumida, porém clara e fiel a posição quase que unânime de todos os grandes estudiosos da história cristã.

Primeiramente contra sua salvaçãotemos as seguintes declarações:

“Pelo que o Senhor se indignou contra Salomão, porquanto desviara o coração do Senhor, Deus de Israel, o qual duas vezes lhe aparecera”. (I Rs 11.9.)

“E tinha setecentas mulheres, princesas, e trezentas concubinas; e suas mulheres lhe perverteram o coração”. (I Rs 11:3)

“Então edificou Salomão um alto a Quemós, a abominação dos moabitas, sobre o monte que está diante de Jerusalém, e a Moloque, a abominação dos filhos de Amom.
E assim fez para com todas as suas mulheres estrangeiras; as quais queimavam incenso e sacrificavam a seus deuses.” (I Rs 11:7-8)

Mas a declaração de condenação que é primaz entre os que defendem sua condenação eterna sem duvida é:

“E tu, meu filho Salomão, conhece o Deus de teu pai, e serve-o com coração perfeito e espírito voluntário; porque o Senhor esquadrinha todos os corações, e penetra todos os desígnios e pensamentos. Se o buscares, será achado de ti; porém, se o deixares, REJEITAR-TE-Á PARA SEMPRE.” (1Cr.28:9)

1.       SALOMÃO FOI REGEITADO PARA SEMPRE?

Sabemos o quanto Salomão se tornou idolatra e rejeitou os preceitos das leis de Deus, então num silogismo frustrado e pretensioso concluem que nas palavras finais REJEITAR-TE-Á PARA SEMPRE”, Deus estaria rejeitando-o para sempre.

Quero defender que quando Deus “rejeita” algo ou alguém, isto pode ter outra denotação. Se não vejamos outros claros exemplos na bíblia em que encontramosdiferentes verbos correlatos com o substantivo feminino “rejeição”:

a)      ASAFE - Salmista e servo de Deus, pergunta ao Senhor: “Ó Deus, por que NOS REJEITASTE PARA SEMPRE?” (Sl.74:1).

b)      HEMÃ - Ezraíta, outro salmista e servo de Deus, também indaga: “Senhor, por que ME REJEITAS? Por que escondes de mim a tua face?” (Sl88:14).

c)       REI DAVI–Davi também foi rejeitado por Deus! Disse o Senhor a Davi: “Achei Davi, meu servo; com o santo óleo o ungi.” (Sl89:20), pelo que lhe replicou Davi: “Mas tu o repudiaste e REJEITASTE, tu estás indignado contra o teu ungido.” (Sl 89:38). Depois ele pergunta ao Senhor: “Porventura não NOS REJEITASTE, ó Deus? Não sais, ó Deus, com os nossos exércitos.” (Sl108:11)

Teríamos a mesma avidez em condenar juntamente com Salomão todos estes além dos que não foram citados? Vejamos outros exemplos:

d)      ISRAEL – As escrituras revelam o intento de Deus em rejeitar seu povo:“O meu Deus os REJEITARÁ, porque não o ouviram, e errantes andarão entre as nações.”(Os.9:17), Os ideais de Deus em rejeitar seu povo foram consumados: “Por isso o Senhor REJEITOU a toda a descendência de Israel, e os oprimiu, e os deu nas mãos dos despojadores, até que os expulsou da sua presença.” (II Rs 17:20); Porém, essa rejeição foi efêmera, porquanto a COMPAIXÃO de Deus é maior que sua rejeição, e Ele o fez voltar ao estado anterior à rejeição: “Fortalecerei a casa de Judá, e salvarei a casa de José; fá-los-ei voltar, porque ME COMPADEÇO deles; E SERÃO COMO SE EU NÃO OS TIVERA REJEITADO; porque eu sou o Senhor seu Deus, e os ouvirei.” (Zc.10:6)

e)      JERUSALÉM – Igualmente as outras passagens, Deus intenta contra Jerusalém: “E disse o Senhor: Também a Judá hei de remover de diante da minha face, como removi a Israel, E REJEITAREI ESTA CIDADE DE JERUSALÉM que elegi como também a casa da qual eu disse: Estará ali meu Nome.” (2Rs.23:27). Posteriormente Jesus confronta o sentido de “rejeição eterna” da forma que o conhecemos: “Eu, porém, vos digo que de maneira nenhuma jureis; nem pelo céu, porque é o trono de Deus; nem pela terra, porque é o escabelo de seus pés; NEM POR JERUSALÉM, PORQUE É A CIDADE DO GRANDE REI.” (Mt.5:34,35)




2.       SALOMÃO ERA PECADOR

A verdade é que vemos pecados gravíssimos no desenvolver da vida de nosso herói. Temos assustadoras surpresas quando vemos o mais sábio homem do mundo se envolvendo com idolatria a deuses estranhos, lascívia, pecados de toda sorte. A Palavra de Deus diz: “Ficarão de fora os cães, os feiticeiros, os adúlteros, os homicidas, OS IDÓLATRAS, e todo o que ama e pratica a mentira.” (Ap22:15). A pergunta natural sobrepujante é se Salomão experimentou o arrependimento verdadeiro ou não. Viveu-se uma vida dissoluta até o fim ou se teve oportunidade de transformação interna de seu caráter pouco antes da morte. Temos pistas nas escrituras que podem nos revelar. Em suas próprias palavras:“Porque sete vezes cai o justo, e se levanta.” (Pv.24:16); Ainda escreve parecendo responder ao leitor que se indaga nessa oportunidade: “Eu sei que tudo quanto Deus faz DURARÁ ETERNAMENTE; nada se lhe pode acrescentar, e nada se lhe pode tirar.”, ele afirma crer que a Salvação é obra tão somente de Deus; portanto, crê intimamente na sua eternidade; assim, ele professa a certeza absoluta de sua salvação eterna.

3.       SALOMÃO NÃO É LISTADO ENTRE OS HERÓIS DA FÉ (HB 11)

Este argumento me parece o mais frágil de todos e devemos ter cuidado para não destroná-lo ainda no enunciado. Não mencionaria esta colocação não fosse sua relevância entre os que “condenam” Salomão pela sua ausência na “Galeria dos Heróis da Fé” (Hb 11).  Perguntamos-nos então numa maior abrangência do assunto.Será se os demais que estão ausentes desta lista também não foram salvos? Será se nós, pequenos no reino (se é que o exista), também não necessitamos de voltar ao tempo ou orar e pedir que o escritor de hebreus não nos inclua na “sagrada lista” que ganhou agora status de “livro da vida”? Vemos que Deus não faz acepção de pessoas e justifica pela fé somente tanto Abraão quanto a meretriz Raabe (Tg 2:21-26). Entendemos que nossos obras dão testemunho do nosso coração, mas não são meritórias a salvação apenas as são para nossa própria condenação. Portanto, como todos demais livros bíblicos, o autor de hebreus tem um motivo para a inclusão de cada personagem em seu estudo, criar um raciocínio lógico, não “demarcar” os que foram salvos e os que não foram.

4.       SALOMÃO FOI SALVO?

a)      O Senhor amou a Salomão (2Sm.12:24);

b)      Salomão, igualmente, amava ao Senhor e andava nos estatutos de Davi (I Rs3:3);

c)       O Senhor lhe apareceu em sonhos (I Rs 3:5);

d)      Ele era servo de Deus (I Rs3:7-9);

e)      O Senhor lhe prometeu um coração sábio (I Rs 3:12);

f)       O fez alcançar a promessa (I Rs5:12);

g)      Havia nele a Sabedoria de Deus (I Rs3:28);

h)      Ele foi rei sobre todo o Israel (I Rs4:1);

i)        Ele dominava sobre todos os reinos (I Rs 4:21,24);

j)        O Senhor lhe deu descanso de todos os lados (iIRs 5:4);

k)      Não por acaso o seu nome é Salomão (Shalom, que significa Paz);

l)        Ele edificou a Casa do Senhor (I Rs 6:2,14,38);

m)    O Senhor se agradou da Casa que Salomão fizera ao seu Nome, pois uma nuvem (a Glória do Senhor) encheu a Casa (I Rs8:10-11);

n)      Ele orou a Deus (I Rs 8:22-53), e nessa oração ele reconhece que Deus guarda o pacto e a benevolência (I Rs 8:23);

o)      O Senhor ouviu a sua oração (I Rs9:3);

p)      Ele desejou que todos os povos da terra saibam que o Senhor é Deus (I Rs8:60);

q)      Ele ofereceu sacrifícios ao Senhor (I Rs 8:62-64);

r)       Por causa dele a rainha de Sabá bendisse ao Senhor Deus, dizendo que Ele se agradou de Salomão (I Rs10:9);

s)       Ele foi colocado no trono de Israel e estabelecido rei pelo Senhor Deus (I Rs 10:9);

t)       E, finalmente, quando ele morreu, não foi sepultado em Samaria, junto aos reis de Israel, mas, assim como seu pai, ele foi sepultado na cidade de Davi, onde eram sepultados os retos reis de Judá (I Rs11:43).

5.       O QUE JESUS PRONUNCIA SOBRE SALOMÃO?

O Senhor Jesus Cristo, ao falar sobre Salomão, omite-lhe censuras; menciona somente a sua glória. Por que alguns fazem exatamente o contrário?

“E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles.” (Mt 6:29)

6.       O AMOR DE SALOMÃO

Nosso Senhor diz que a rainha Sabá (rainha do sul), exercerá papel de suma importância no Juízo Final, quando se levantará com os incrédulos, e os condenará. 

“A rainha do sul se levantará no dia do juízo com esta geração, e a condenará; porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. E eis que está aqui quem é maior do que Salomão.” (Mt 12:42)

Maior em todas as coisas, sobretudo no amor. Ora, se o amor de Salomão, isto é, se o amor do homem em forma de dom, ainda que pequeno, jamais se acaba, quanto mais o imensurável amor de Jesus, que é eterno e infinitamente maior?

7.       A PROMESSA PARA SALOMÃO

Existe na bíblia uma promessa que envolve diretamente a nossa exponencial figura:

“Quando teus dias forem completos, e vieres a dormir com teus pais, então farei levantar depois de ti um dentre a tua descendência, o qual sairá das tuas entranhas, e estabelecerei o seu reino. Este edificará uma casa ao meu nome, e confirmarei o trono do seu reino para sempre.Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho; e, se vier a transgredir, castigá-lo-ei com vara de homens, e com açoites de filhos de homens. Mas a minha benignidade não se apartará dele; como a tirei de Saul, a quem tirei de diante de ti.” (2 Sm 7:12-15)

Para muitos estudiosos da Bíblia esse texto está se referindo ao reino. Deus aqui não está falando apenas que retiraria o seu amor para sempre do reino mas também da pessoa de Salomão. Na verdade o que esta por trás destas colocações contrárias a sua salvação é que a graça de Deus é simplesmente constrangedora. Como pode alguém como Salomão ser salvo? Como pode o ladrão na cruz ser salvo? Como eu posso ser salvo, apesar de minhas transgressões? Mas a pergunta não fica apenas por aqui, veja que a bíblia como palavra inspirada, faz questão de não “aliviar” para ninguém. Leia com atenção a história de qualquer herói bíblico e verás que não existe esse que tem a vida impar ou que seja exemplo de retidão, a não ser nosso Senhor Jesus. Por isso ao falar da situação do pecado humano é que o apostolo Paulo relembra que: “não há um justo. Nenhum sequer” (Rm 3:10). As profecias e passagens que demonstram exortativamente contra o homem e em nosso caso, contra Salomão, funcionam como a lei, que não tem propósito salvador, antes, condenador.

Qual o propósito da lei?

“Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz, aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda a boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus.” (Rm 3:19)

Por ser justo, cumpridor da lei, ninguém será salvo! Nem Salomão, Davi, eu, você e nem ninguém. Pela graça sois salvos mediante a fé. E se é pela graça, não é pelas obras. Do contrario, a graça já não é graça!!!


PEDRO FERNANDES

terça-feira, 3 de setembro de 2013

PEDRO TU ÉS PEDRA?





Esta é uma questão muito antiga e de mesma proporção discutida. Portanto meu interesse não é dar uma nova hermenêutica ao tema, mas sistematizar nosso pensamento em auxilio com a palavra de Deus.

TEXTO ÁUREO:

“Quem diz os homens ser o Filho do homem? E eles disseram: Uns, João Batista; outros, Elias; e outros, Jeremias, ou um dos profetas. Disse-lhes ele: E vós, quem dizeis que eu sou? E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque to não revelou a carne e o sangue, mas meu Pai, que está nos céus. Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela; Mateus 16:13-18”

Tivemos a pouco novamente uma transição do papado romano, e nesta geração vimos talvez à maior quantidade de representantes máximos na igreja católica. A luz dos historiadores tiveram na história 265 papas, e sem duvida a pouco um dos mais expoentes, João Paulo II, que teve o terceiro maior pontificado de todos os tempos. Tamanho seu valor que em seu funeral contamos com mais de 200 chefes de estado e mais de dois milhões de pessoas. Julgo, portanto, altamente relevante nosso tema que é justamente expor a visão reformada majoritária sobre o papado romano.

Sobre Mt 16:18 quem é a pedra que Jesus se refere?

Existem três interpretações principais sobre o texto:

a.       Visão romana de que a pedra é Pedro;

Protestante em duas variáveis:

b.      A pedra é a “confissão” de Pedro revelada pelo Espírito;
c.       A pedra é Jesus.

Neste artigo gostaria de defender a terceira opção de que a pedra referida no texto não é outro se não o próprio Jesus. Ademais 10 argumentos que demonstram de maneira resumida este posicionamento:

1.       Texto original.

Este texto em que Jesus utiliza um trocadilho é mais evidente o jogo de palavras na língua em que foi escrito, no Grego.

“συ ει ΠΕΤΡΟΣ και επι ΤΑΥΤΗ τη ΠΕΤΡΑ οικοδομησω μου την εκκλησιαν”
“tu és PEDRO, e sobre ESTA PEDRA edificarei a minha igreja”

A palavra transliterada para Pedro é “Pétros” (πετρος) e para pedra é “Petra” (πετρα). Veja que o substantivo é trocado na segunda vez em que é utilizado trocando a vogal “o” para “a” (αΑλφα / οομικρον), alterando seu gênero de masculino para feminino. Ainda utiliza o pronome de indicação “esta” (ταυτη) no feminino, deixando claro que Petra não poderia estar se referindo a Petros, não concordando lógico e gramaticalmente em numero e gênero.

Alguns ainda dizem que Pedro significa "Rocha". Jesus interpreta diferente: “Tu serás chamado Cefas (que quer dizer Pedro). (Jo 1:42)”. Então Cefas (Pedro) no aramaico, Jesus interpretou não como “Petra” mas como “Petros”. A palavra pedra (Petros) deriva-se de “Petra” e não “Petra” de “Petros”. “Petra” é o radical. Assim como Cristão deriva-se de Cristo e não Cristo deriva-se de Cristãos. Não é porque se tem a mesma raiz etimológica que “Petros” significa o mesmo que “Petra”. “Petros” significa “lasca de pedra” ou “pedra pequena”, posto que “Petra” significa “rocha”. Novamente, transliterado nosso texto ficaria assim: 

“Tu és PEDRINHA e sobre esta ROCHA edificarei a minha igreja”.

2.       Contexto favorável

Toda a perícope e o restante do contexto estão favoráveis a esta interpretação de que Jesus é a pedra pois o centro da conversa está centrada em Jesus.

a.       “13b - Quem dizem os homens ser o Filho do homem?” (Jesus é o centro do assunto);
b.      “15 - E vós, quem dizeis que eu sou?” (Jesus é o centro do assunto);

A correta interpretação de Pedro inspirado pelo Espírito Santo:

c.       “16b - Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.” (Jesus é o centro do assunto);

Logo em seguida diz que precisa ir para Jerusalém sofrer e o centro é novamente Jesus.

d.      “21 - Desde então começou Jesus a mostrar aos seus discípulos que convinha ir a Jerusalém, (...).” (Jesus é o centro do assunto);

Em seguida o capitulo imediato a este é o da transfiguração que continua centrada em Jesus.

3.       Se Jesus é a pedra porque usou a terceira pessoa para falar de si mesmo?

O questionamento é que ao usar “esta pedra” Jesus utiliza-se da terceira pessoa. Porque Jesus não diz: “sobre Mim edificarei minha igreja”? Não faz sentido este frágil argumento pois em vários outros textos ele se usa desta forma de linguagem para referir-se a Si:

“Jesus respondeu, e disse-lhes: Derribai este templo, e em três dias o levantarei. Jo 2:19 (Jesus está na terceira pessoa);
“Eu sou a porta; Jo 10:9” (Jesus está na terceira pessoa);
“Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; Jo 14:6a” (Jesus está na terceira pessoa);
“Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas.” Jo 10:11 (Jesus está na terceira pessoa).

4.       Se Jesus era a pedra como ele pode ser o construtor e a pedra ao mesmo tempo?

Este argumento é acompanhado dos que defendem Pedro ser a pedra, pois, não faz sentido Jesus ser o construtor e ainda ser o material da construção (Hb 3:4). Podemos chamar este exemplo de superposição de imagens. Em João 10 diz que Jesus é a porta do aprisco e diz também que ele também é o bom pastor. Faz sentido em apenas um parágrafo Jesus ser a porta e ao mesmo tempo ser o bom Pastor?

“Eu sou a porta; Jo 10:9”
“Eu sou o bom Pastor. Jo 3:11”

5.       O que Diz o Antigo testamento sobre a pedra?

No antigo testamento em nenhum lugar pedra representa homem, mas sempre Deus e sempre como figura profética de Cristo, salvo quando pedra é sinônimo de algum embaraço (Sl 91:12) que naturalmente é linguagem coloquial.

“Portanto assim diz o Senhor DEUS: Eis que eu assentei em Sião uma pedra, uma pedra já provada, pedra preciosa de esquina, que está bem firme e fundada; aquele que crer não se apresse. Is 28:16”

“A pedra que os edificadores rejeitaram tornou-se a cabeça da esquina. Salmos 118:22”

“E não tomarão de ti pedra para esquina, nem pedra para fundamentos, porque te tornarás em assolação perpétua, diz o Senhor. Jr 51:26”

“Dele sairá a pedra de esquina, dele à estaca, dele o arco de guerra, dele juntamente sairá todo o opressor. Zc 10:4”

6.       Quem era a pedra para o próprio Pedro?

“Então Pedro, cheio do Espírito Santo, lhes disse: Principais do povo, e vós, anciãos de Israel: (...) Ele é a pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posta por cabeça de esquina. At 4:8-11”

“E, chegando-vos para ele, pedra viva, reprovada, na verdade, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa, 1 Pe 2:4”

7.       Quem é a pedra para Paulo?

“Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo.
1 Cor 3:11”


“E beberam todos de uma mesma bebida espiritual, porque bebiam da pedra espiritual que os seguia; e a pedra era Cristo. 1 Cor 10:4”

“Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina; Ef 2:20”

8.       A ideia que Pedro como pedra possui as chaves do céu.

Esta ideia de que as chaves foram dadas para Pedro é muito forte no romanismo. No próprio escudo do vaticano tem esta simbologia com duas chaves antepostas uma a outra. É contraditório pois este é justamente o argumento mas favorável de que a pedra é Jesus Cristo.

“E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus. Mt 16:19”

Em questão do “desligardes na terra será desligado no céu”, não se refere em questão apenas da “sacralicidade” ou “autoridade” da igreja na terra em função da pedra que dizem ser Pedro, mas claramente fazendo referência à disciplina eclesiástica como se vê dois capítulos a frente numa leitura responsável de todo o capitulo 18 de Mateus:

“Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu. Mt 18:18”

O contexto aqui é de disciplina. Porém no tocante as “chaves do céu” leiamos quem de fato possui as chaves do céu, e perceberemos que não pode ser Pedro a pedra, visto que aquele que possuir as chaves dos céus (Mt 16:19), este será a pedra indicada.

“E ao anjo da igreja que está em Filadélfia escreve: Isto diz o que é santo, o que é verdadeiro, o que tem a chave de Davi; o que abre, e ninguém fecha; e fecha, e ninguém abre: Ap 3:7”

9.       Razões gerais para Pedro não ser papa.

a. Pedro não nomeou Matias para o lugar de Judas pois não possuía primazia reconhecida dentre os apóstolos (At 1:15);
b. Pedro obedece a ordem dos outros apóstolos quando foi enviado a pregar o evangelho em Samaria com João (At 8:14);
c. Primeiro concílio geral da igreja e não é Pedro que dirige este mas Tiago irmão de Jesus (Atos 15);
d. Todas as vezes que os apóstolos queriam saber quem era o maior entre eles ou quem era o líder dos 12, sempre Jesus os repreende em todas as ocasiões (Mt 18:1);
e. Pedro não é primaz de Jerusalém, se o fosse Paulo faltaria com ética quando diz que não existe um líder na igreja mas três colunas principais. E cita primeiro Tiago e Pedro por segundo (Gl 2:9);
f.  Paulo é o cabeça dos Gentios e não Pedro. (2 Cor 11:28) (Gl 2:7);
g. Pedro é repreendido por Paulo (Gl 2) e seria um absurdo inaceitável um inferior contrapor alguém em posição mais estimável. (Gl 2:11-14);
h. O próprio Pedro não se entendia como papa. Cornélio tenta se ajoelhar aos seus pés e Pedro sabiamente diz que ele é apenas um ser humano. (Atos 10:25);
i. Não existe uma hierarquia entre o povo de Deus, a ideia de um governo eclesiástico “episcopal” é no mínimo estranho aos demais ensinamentos cristãos. (Lc 22:26).

10.   Pedro representa a fragilidade humana.

Por fim, finalizo parafraseando Hernandes Dias Lopes, que ricamente nos dá razões “sólidas” (sem trocadilhos) de que Pedro não poderia em hipótese alguma ser a pedra ao qual se fundamenta a igreja de Cristo na terra:

Pedro instável. Pedro como uma “pedrinha” não é símbolo de estabilidade quando anda no mar da Galileia. (Mt 14:29-30)

Pedro contraditório. Logo em seguida da declaração de Pedro (Mt 16:18), poucos versículos a frente, contradiz suas colocações e ganha nome de satanás (Mt 18:23).

Pedro desprovido de entendimento. No monte da transfiguração (Mt 17), pedro não sabia o que falava pois equiparava Jesus aos representantes da Lei e dos Profetas (Elias e Moisés) ao ponto de o próprio Deus intervir com tais afirmações (Mt 17:5).

Pedro o autoconfiante. No senáculo, Jesus diz: “Todos vós esta noite vos escandalizareis em mim...” (Mt 26:31) e Pedro o autoconfiante responde: “Ainda que todos se escandalizem em ti, eu nunca me escandalizarei (Mt 26:33)”. Para naquela mesma noite negar a Cristo por três vezes.

Pedro o dorminhoco. No Getsêmani Jesus faz a oração sacerdotal e pede que os discípulos orassem enquanto isso. Pedro não suportou nem por uma hora e Jesus volta e o encontra dormindo: “Então nem uma hora pudeste velar comigo? (Mt 26:40).

Pedro violento. Ainda no Getsêmani Jesus é preso. E o evangelho de Mateus relata o seguinte: “E eis que um dos que estavam com Jesus, estendendo a mão, puxou da espada e, ferindo o servo do sumo sacerdote, cortou-lhe uma orelha. (Mt 26:51)”. Jesus porém o advertiu: “Ou pensas tu que eu não poderia agora orar a meu Pai, e que ele não me daria mais de doze legiões de anjos (72.000 mil anjos)? (Mt 26:53)”. Não precisa dizer quem foi este descontrolado discípulo.

Pedro covarde. Após a prisão de jesus, Pedro para não ser percebido, se acovarda e acompanha tudo de longe. “Então, prendendo-o, o levaram, e o puseram em casa do sumo sacerdote. E Pedro seguia-o de longe. (Lc 22:54)”

Pedro o discípulo que nega a Jesus três vezes. Se Pedro é conhecido na bíblia não é por seu suposto papado, mas pela sua trinitária negação. Cada uma em um nível crescente de apostasia. Primeiro ele nega, segundo ele faz juramento de sua negação e por último pragueja blasfemando contra Jesus. (Mt 26:69-75)

Poderia a igreja eterna do Deus vivo ser edificada sobre a areia movediça do caráter humano?

Pedro, sois homem abençoado por Deus, separado para o colégio apostólico de Cristo, homem santo e exemplo para todos os cristãos que como tu são pecadores arrependidos. Mas me desculpe, Pedro, tu não és pedra e nem papa!


PEDRO FERNANDES