sábado, 28 de setembro de 2013

JUDAS – O LIVRO MENOS INSPIRADO DA BIBLIA





Judas é um nome grego muito comum entre os mais humildes no 1º sec e possui significado do hebraico o mesmo que Judá. Existem pelo menos oito Judas no NT entre eles o traidor (Lc 6:16). De fato quem é o nosso Judas é que causa algumas duvidas. Defendemos que este é o meio irmão de Jesus (Mt 13:55). Não pelo seu nome, mas pelo “irmão de Tiago” (v. 1). O único Tiago que poderia ser citado sem mais detalhes e que seria reconhecido pela igreja primitiva é Tiago de Jerusalém que foi grande líder (At 12:17; 15:12-21), coluna da igreja (Gl 2:9), escritor da carta que leva seu nome (Tg 1:1) e também, meio irmão de Jesus (Mt 13:55). Sem duvida alguma, com apenas 25 versículos em proporção, é o livro que contem maior citação de livros apócrifos em todo o cânon bíblico.

Os livros considerados apócrifos foram os livros que não são considerados como inspirados pelo Espírito Santo e que estão em desacordo com o restante do Canon bíblico. Estes livros foram escritos em tempos diversos. O termo "apócrifo" pode, então, significar "estranho" ou "de fora". Mas não se trata de significado rigoroso, pois a palavra grega “apocryphos” (απόκρυφος) quer dizer "escondido" e aplicava-se aos livros que se ocultavam do público, para serem consultados apenas por uma classe privilegiada.

Judas estava impelido a escrever uma espécie de carta doutrinária sobre a salvação (Jd 3-4), porém em vista dos crescentes grupos heréticos do 1° sec, se move em direção ao combate diligente sobre as falsas doutrinas que impediam um crescimento sadio da igreja. Para este combate fervoroso é que Judas adota um “estranho” modo de fazê-lo ao citar textos apostólicos, citações do AT, livros apócrifos judaicos, escritos pagãos, fazendo uma “salada mista cristã”. Os grupos heréticos não demoram a serem denunciados:

“Porque se introduziram alguns, que já antes estavam escritos para este mesmo juízo, HOMENS ÍMPIOS, que convertem em dissolução a graça de Deus, e negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo. Judas 1:4”

A ASCENSÃO DE MOISES

Nos versos 5 a 7, como em quase todas as vezes, Judas não faz citações diretas mas, se utiliza de Nm 13:25, 14:38; provavelmente de Gn 6:2 e Apócrifos judaicos. Mas é no verso 9 que Judas deixa mais aparente sua forma no mínimo curiosa de escrever se valendo dos apócrifos, desta feita, utilizando de maneira explicita o livro “A ascensão de Moisés” como fonte:

 “Mas o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo, e disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar juízo de maldição contra ele; mas disse: O Senhor te repreenda. Judas 1:9”

Se vale deste texto com o mesmo intuito que o apóstolo Pedro em 2 Pe 2:10. Aqueles falsos mestres estavam difamando os lideres Cristãos e quando eram ameaçados de serem entregues aos maus espíritos e condenação eterna, zombavam e os difamavam  e seus ensinamentos. Hoje ainda é muito perigoso viver como se satanás não existisse ou que o juízo de Deus seja apenas figurativo ou falaz (Ml 3:17-18).

O LIVRO DE 1° ENOQUE

“E destes profetizou também Enoque, o sétimo depois de Adão, dizendo: Eis que é vindo o Senhor com milhares de seus santos;

Para fazer juízo contra todos e condenar dentre eles todos os ímpios, por todas as suas obras de impiedade, que impiamente cometeram, e por todas as duras palavras que ímpios pecadores disseram contra ele. Judas 1:14-15”

Aqui Judas se vale quase que literalmente do texto do respeitado apócrifo "1° Enoque" para explicitar a vinda iminente de Deus para proferir juízo contra os ímpios que neste pequeno texto é encontrado mais de seis vezes, além de diversas comparações infames: “Estes são manchas em vossas festas de amor (...) (v 12)”; “são como árvores murchas, infrutíferas, duas vezes mortas, desarraigadas (...) (v 12)”; “Ondas impetuosas do mar, (...) (v 13)”; “estrelas errantes, para os quais está eternamente reservada a negrura das trevas. (v 13).”

Judas em sua carta parece combater os mesmos grupos que o apostolo Pedro em sua segunda epistola, os precursores do Gnosticismo ainda não muito bem formulado como viria a ser no segundo século, mas muito vivo e militante. Deste grupo herético o que é mais evidenciado nesta carta, são os que saíram desta espécie de protognosticismo, os libertinos. Os libertinos usavam da graça e libertação da escravidão da lei do pecado como licença para libertinagem (v. 4). Estes  Antinomianos também são combatidos por Tiago além de outros escritos neo-testamentários (Tg 2:14-26; Rom 3:8; 6:15; 1Co 6:12-20; Gl 5:13).

A pergunta, após dado o implicativo, é se pelo uso quase que central em sua carta de livros apócrifos, faz de Judas um livro não inspirado? Ou ainda, o uso deliberativo destes apócrifos testifica que estas obras são inspiradas por Deus?

Na verdade nem um e nem outro. Uma verdade sempre será divina não importa onde esteja, na boca de um pagão, em um apócrifo, na boca de uma mula (v 11) e até na boca de um ateu. Confirmamos apenas um diferencial de que TODA a bíblia é verdadeira e inspirada pelo Espírito Santo. Não obstante, os médicos que não são cristãos, não poderiam nos ajudar com novas descobertas e tratamentos apenas por não serem "médicos gospeis". Cientistas que nos auxiliaram com o telefone, energia elétrica e tantas ferramentas úteis, seriam totalmente descartados. Teríamos que comer carne gospel, trabalho gospel, roupa gospel, lazer gospel, enfim, estamos escravizados pelo famoso, comercial e exclusivista rotulo moderno: MUNDO GOSPEL.

Nos valemos agora, para exemplo, do apostolo Paulo que utiliza varias vezes em seus escritos, ditos populares, escritos pagãos e/ou “escritos não inspirados”. Vejamos alguns exemplos:

TRADIÇÃO JUDAICA

“E, como janes e jambres resistiram a Moisés, assim também estes resistem à verdade, sendo homens corruptos de entendimento e réprobos quanto à fé. 2 Timóteo 3:8”

POETAS PAGÃOS

Porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos; como também alguns dos vossos poetas disseram: pois somos também sua geração. Atos 17:28

PROVÉRBIO – COMÉDIA DE MENANDRO (342-292 a.C.)

Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes. 1 Coríntios 15:33

PROVÉRBIO JUDEU

Não é boa a vossa jactância. Não sabeis que um pouco de fermento faz levedar toda a massa? 1 Coríntios 5:6

EPIMÊNIDES – POETA E REFORMADOR (600 a.C.) – CNOSSOS EM CRETA

Um deles, seu próprio profeta, disse: Os cretenses são sempre mentirosos, bestas ruins, ventres preguiçosos. Tito 1:12

Na verdade o que precisamos reformar é nossa cosmovisão de mundo para que possamos desfrutar das verdades "no" mundo e não "do" mundo. No mundo está cheio de boas dádivas como a musica, arte, cultura, poesias, e podemos desfrutar desde que esteja em acordo com nossa visão doutrinária. Uma verdade é sempre verdade apesar de sua fonte, chamamos na teologia reformada de “Graça Comum”, que faz "o sol nascer tanto aos justos como aos injustos (Mt 5:45)". Até mesmo na boca da jumenta de Balaão (Nm 22:28) encontramos uma verdade, pois a buscamos “apesar” de sua fonte. Me despeço citando nosso ilustríssimo escritor cristão brasileiro:

“O problema não é encontrarmos uma jumenta discutindo com um homem, o problema é a jumenta ganhar a discussão! Luiz Sayão.”

PEDRO FERNANDES