sexta-feira, 4 de outubro de 2013

UM JESUS FRACO PREGADO NA CRUZ!




Neste tupiniquim país que se denomina Cristão em quase que sua plenitude, falar do sacrifício do Filho de Deus parece algo familiar e totalmente corriqueiro. É muito importante o termo “parece”, pois, neste pais “cristianizado” muito mais que Cristão, sobre Jesus e sua obra redentora se sabe muito pouco ou quase nada. Afinal o que jesus fez na cruz? Nos salvou? Providenciou a Salvação? Sofreu um martírio histórico e por isso nos é dado como exemplo? Foi um bom homem com uma grande história? Grande filósofo e produziu grandes ensinamentos?

Se você não conseguiu responder a maioria das perguntas acima você precisa continuar lendo este texto, ler a bíblia, ler bons livros, procurar urgentemente ajuda pastoral e o mais importante, se achegar a Deus em oração.

O cristianismo histórico defende que o homem no seu primeiro representante, transgrediu a lei de Deus e condenou toda a raça humana à escravidão do pecado, merecendo sofrer a justa condenação do Criador. Deus em rica misericórdia, decide providenciar o plano redentivo enviando na plenitude dos tempos (Gl 4:4), seu único Filho para que todo que nEle crê não pereça mas obtenha a salvação do eterno juízo de Deus (Jo 3:16).

Então me responda:

Porque vemos os pregadores da graça no final do seu sermão, aludindo uma longa lista do que devemos fazer para alcançar esta propiciação diante de Deus?

Porque nas mensagens Cristãs ouvimos sempre o “faça isto e será feliz!”, “para ser salvo você tem de fazer isto!”?

Não parece meio contraditório uma religião que prega a graça e ao mesmo tempo de maneira esquizofrênica também faz referência as obras as vezes na mesma frase?

A verdade é que a graça é constrangedora. Temos implantado na sociedade uma mentalidade legalista do “faça você mesmo” que diz que tudo na vida tem um preço e como podemos alcança-las. Não faz o menor sentido o bem mais precioso de nossas vidas “vir de bandeja”, sem nenhum preço a pagar, nenhuma contrapartida do homem. A nossa mente parece dizer assim: “ha não, de graça não!”. Simplesmente não estamos acostumados. É assim que os Cristãos que com a boca bravejam a religião da fé, como seus braços gritam a religião das obras.

CRISTO E A FIDELIDADE

Em berços neopentecostais que parecem ter perdidos de longe o evangelho de Cristo (Gl 1:8) pregam em nome de um estranho “jesus” uma vitória que nem de longe se parece com o que a palavra de Deus nos ensina. Focado nos bens materiais e coisas presentes, usam o nome de Deus apenas como “convidado especial” para chamar a atenção dos fiéis, quando não trocam o “sim salabim” pelo famoso “em nome de Jesus aconteça!”.

“Seja fiel e não ficarás mais doente”.

“Doe o que você tem, e sua vida vai mudar.”

“Faça isso e receba aquilo.”

“Sua vitória hoje tem sabor de mel”

“Onde eu colocar as minhas mãos prosperará (...) Prosperarei, transbordarei”

“As suas palavras tem poder, decrete com fé e receberás o que pedir”

Não duvido que pessoas tenham ganhado a vida nestes “shows da fé” e transformado a sua história como encontramos em vários testemunhos sinceros. Porém não intendo a necessidade de usar o nome de “jesus” para tal, programa de auto ajuda e palestras motivacionais também tem resultados parecidos.

CRISTO E AS OBRAS

Por outro lado vemos também no final dos sermões contemporâneos uma longa lista de deveres de casa que o candidato ao Reino Eterno deve fazer para “merecer” estar no céu. No final das contas estamos afirmando que o que Jesus fez por nos na cruz não foi suficiente para nossa salvação e que precisamos por conta própria resolver o problema ou contribuir com a solução. Sabemos pelo testemunho bíblico que isto seria impossível.

“Porque bem sabemos que a lei é espiritual; mas eu sou carnal, vendido sob o pecado.
Porque o que faço não o aprovo; pois o que quero isso não faço, mas o que aborreço isso faço.
E, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa.

De maneira que agora já não sou eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim. Rm 7:14-17”

CRISTO E A COOPERAÇÃO HUMANA

Esta visão conhecida como Sinergismo, corrente teológica mais popular no mundo Cristão moderno, entende que Jesus na cruz não salvou de maneira suficiente e eficazmente o pecador, antes, “providenciou” a salvação para aqueles que um dia creriam em sua salvação. De maneira simples pregam que o homem tem a capacidade de buscar a Deus e poderia escolher de maneira livre a salvação ou condenação. Nesta confusa lógica dizem que o sacrifício de Jesus não foi suficiente e eficaz para a salvação do pecador, pois, alguns não vão crer e não vão aceitar este sacrifício, portanto, Jesus não teria salvado pecadores na cruz, porém, “providenciado” a salvação. Não conseguimos ver esta posição de maneira clara pois o tempo todo em inúmeros textos, a bíblia evidencia o pecado do homem e sua total incapacidade de auto salvação:

“Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; Rm 3:23”

“Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus. Rm 3:10-11”

CRISTO E A FÉ

Este seria talvez o nível menos perceptível e não menos perigoso de legalismo nos arraiais Cristãos. Nesta ânsia de “cooperação” para a salvação, tentando de alguma maneira “fazer a sua parte”, até mesmo entre os Cristão históricos encontramos brotando o conceito legalista de que para ser salvo não precisa de obras mas precisa-se de fé. Ora, este conceito é estranho e contraditório pois apenas retiraram a condicional “obras” colocando outra condicional “fé”, o que no final ainda é condição para a salvação, o que perderia a qualidade de salvação pela graça.

Veja o exemplo brilhante e divino, onde o apostolo Paulo nos orienta sobre a profundida da Graça salvadora de Deus em seu Filho Jesus:

“Ora, ao que trabalha, o salário não é considerado como favor, e sim como dívida. Rm 4:4”

A questão como demonstrado acima é bem simples. Se você trabalha para sua salvação como cooperador, ajuda com suas boas obras ou até mesmo com sua fé, sua salvação não virá como um presente mas como um pagamento de uma dívida. Tudo o que fazemos aparentemente de bom, só o fazemos porque já fomos salvos e esta será a grande prova de que este foi realmente alcançado por Cristo (Tg 2:14). Nossas obras nunca serão chamadas de “ação” direta para nossa salvação, antes, sempre será considerada como “reação” para o que recebemos de graça. Consideremos de bom coração este presente que recebemos “apesar” de nossas qualificações e méritos pois realmente não os tínhamos, recebemos única e exclusivamente pelos méritos e qualificações do nosso Senhor e Redentor, Jesus o Cristo!

PEDRO FERNANDES