quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

A BATALHA ESPIRITUAL!





Dom Quixote de La Mancha é um velho senhor que como talvez todos de sua época (1600-1615) apaixonado por romances de cavalaria e suas espalhafatosas façanhas. Criando um mundo novo e irreal em sua própria cabeça, nosso desengonçado herói parte em uma viagem em busca de seu troféu, sua amada Dulcineia. Começa a ver o seu rosto em tudo ao seu redor, as nuvens, o vento, o sol...por onde olhava lá estava ela. Suas batalhas são travadas com inimigos imaginários e que na verdade não existem ou como seu autor queria transmitir, com os INIMIGOS ERRADOS. Quando Dom Quixote ataca seus famosos moinhos de vento, a dura realidade lhe impropera as dores de um mundo diferente dos romances que para ele, eram de fato sua vida. Com isso não lhe resta opção, a não ser chegar à conclusão de que o mundo na verdade estava confuso, Dom Quixote nasceu um século mais tarde do que deveria para ser, como sonhara, um renomado cavaleiro andante.

TEXTO AUREO

“E Deus pelas mãos de Paulo fazia maravilhas extraordinárias. De sorte que até os lenços e aventais se levavam do seu corpo aos enfermos, e as enfermidades fugiam deles, e os espíritos malignos saíam. E alguns dos exorcistas judeus ambulantes tentavam invocar o nome do Senhor Jesus sobre os que tinham espíritos malignos, dizendo: Esconjuro-vos por Jesus a quem Paulo prega. E os que faziam isto eram sete filhos de Ceva, judeu, principal dos sacerdotes.
Respondendo, porém, o espírito maligno, disse: Conheço a Jesus, e bem sei quem é Paulo; mas vós quem sois? E, saltando neles o homem que tinha o espírito maligno, e assenhoreando-se de todos, pôde mais do que eles; de tal maneira que, nus e feridos, fugiram daquela casa.
E foi isto notório a todos os que habitavam em Éfeso, tanto judeus como gregos; e caiu temor sobre todos eles, e o nome do Senhor Jesus era engrandecido. E muitos dos que tinham crido vinham, confessando e publicando os seus feitos. Também muitos dos que seguiam artes mágicas trouxeram os seus livros, e os queimaram na presença de todos e, feita a conta do seu preço, acharam que montava a cinqüenta mil peças de prata. Assim a palavra do Senhor crescia poderosamente e prevalecia. Atos 19:11-20”

FAÇA GUERRA!

John Piper em uma de suas incríveis declarações, afirma que “a única atitude possível contra um desejo fora do controle é uma total declaração de GUERRA!”. Ele estava correto em dizer isto, pois longe de uma vida de paz e prosperidade o que almejamos nesta terra é uma vida de tribulações e intermináveis combates. Já disseram certa vez que fomos chamados para avançar um Reino, fomos chamados com um propósito intrínseco, assim como temos o de adoração, contemplação, temos também um chamado natural de combate. Não queremos paz em Sião. Certamente este reino não é construído por aqueles que descansam tranquilos em Sião, mas por aqueles que saem as ruas e lutam. Para apenas de vez em quando olharmos para cima com um sorriso e recuperar nossas forças que certamente se renovam em um ciclo eterno.

A BATALHA DE PAULO EM ÉFESO

Paulo esteve em Éfeso de cabeça raspada e pregou apenas aos judeus como de costume (At 17:2), assim como fez em quase todos os lugares em que esteve, discorria primeiramente nas sinagogas judaicas. O fez em Tessalônica, Beréia, Atenas, Corinto e finalmente em Éfeso onde esteve pregando pela primeira vez (At 18:19) antes de ter uma longa permanência (At 19). Os próprios Judeus pediram para que ele permanecesse ali mas partiu a confirmar todos os discípulos em todas as cidades em que pregou o evangelho. Paulo retorna a cidade que estava em seus projetos missionários uma vez que Éfeso era riquíssima além de portuária entre a parte oriental e ocidental do império Romano. Entre a partida de Paulo e seu retorno a cidade de Éfeso, esteve ali certo discípulo de nome Apolo, apesar de não ter grandes orientações sobre o ministério de Jesus, Tinha grande conhecimento nas escrituras (At 18:24), e conseguiu perceber pelo Espirito Santo que o Cristo prometido pelos profetas era Jesus o nazareno. Pregou ousadamente nas sinagogas dos Judeus e convenceu numerosos multidões de que Jesus era o Cristo (At 18:28).

Finalmente chega a Éfeso nosso herói, apostolo Paulo, não como Dom Quixote que viviam além da realidade. Paulo conhecia muito bem seus inimigos, sabia de suas estratégias, sabia de seus interesses. Muito mais que isso, chegou sabendo o que queria e como fazê-lo.

ONDE É O CAMPO DE BATALHA?

Antes que possamos avançar com o Reino de Deus aqui na terra, precisamos ter alguns conselhos de batalha. O Terreno onde avançaremos é uma terra alheia, perdida, vendida as suas próprias paixões. Ele tem um dominador, um comandante, ou como nossos Senhor Jesus nos informa, ela tem um príncipe (Jo 16:11). Este príncipe está furioso e tentará de todas as formas, aniquilar qualquer possibilidade de vitória.

TEMOS BONS SOLDADOS?

Paulo esteve pregando e ensinado em Éfeso por quase três anos, um tempo bastante prolongado se compararmos com suas passagens por outras cidades (At 17). O que é incrível de Paulo em Éfeso são os sinais que Paulo realizou naquele lugar. Paulo não era poderoso, não possuía dons de cura, dons do suor santo, ou qualquer maluquice que possamos imaginar. Os sinais que o Espirito Santo realizou em Éfeso, não foram feitos em nenhum lugar. Foi especialmente extraordinário o que aconteceu naquele lugar. Temos de aprender que o Espirito Santo não é uma energia, ou uma luz, ou uma força sobrenatural, mas a terceira pessoa da trindade com vontades, personalidade e sentimentos se é que podemos o descrever de forma tão minimalista. Aprendemos que Deus capacita seus soldados, e que quanto mais difícil à batalha mais poder receberemos para vencê-la. Paulo tinha uma grande batalha a frente...

QUEM É NOSSO INIMIGO?

Nosso inimigo tem de ser identificado, pois se não, corremos o risco de como Dom Quixote, lutarmos com o inimigo errado. Esta cidade que teve experiências tremendas da parte de Deus é a mesma que Paulo orienta em sua carta (Carta aos Efésios) para que sejam cheios do Espirito Santo, para que reconheçam que Deus é soberano e que escolheram eles e sua igreja antes da fundação do mundo e também informa para os efésios que seu inimigo não é a “carne ou sangue” mas principados e potestades e dominadores do ar. Portanto uma correta identificação do inimigo, possibilita que no preparemos de maneira adequada contra diferentes tipos de combate. Ninguém prepara um grande submarino para uma guerra no deserto!

ALISTAMENTO MILITAR

Neste exército, encontramos muitas semelhanças entre nosso sistema de defesa militar e o celeste. Temos batalhões, pelotões, recrutas (neófitos), Generais (Anciãos), e temos também o alistamento militar. Para participar deste seleto grupo, não é necessário ter grande carreira militar ou grandes experiências, ter um grande currículo, ter grandes qualificações. Na verdade neste recrutamento o próprio general, o maior de todos, aquele que comanda também os astros e as estrelas, nos dará a capacitação da qual precisamos. E o ponto alto deste alistamento é que só se pode entrar neste grupo aqueles que são chamados para isso. Recusar este chamado, assim como nosso sistema militar, gera multa, impedimentos e implicações terríveis.

O que nos parece no texto é que vendo este glorioso exército encabeçado por um dos maiores soldados de todos os tempos, alguns de fora, que não foram chamados, ou recrutados, se aventuraram a se autopromover, e partiram para guerra.

“E alguns dos exorcistas judeus ambulantes tentavam invocar o nome do Senhor Jesus sobre os que tinham espíritos malignos, dizendo: Esconjuro-vos por Jesus a quem Paulo prega. Atos 19:13”

Eles não foram chamados e/ou recrutados e mesmo assim partiram para o ataque. Não é assim que funciona. Nossos inimigos são astutos e vorazes. Não estão para brincadeira, e não perdem a oportunidade de triunfar em um flanco fragilizado.

“Respondendo, porém, o espírito maligno, disse: Conheço a Jesus, e bem sei quem é Paulo; mas vós quem sois? E, saltando neles o homem que tinha o espírito maligno, e assenhoreando-se de todos, pôde mais do que eles; de tal maneira que, nus e feridos, fugiram daquela casa. Atos 19:15-16”

Jesus já tinha os apóstolos e seus discípulos, e perceba que ele diz a eles que eles não eram ceifeiros. Se eles quisessem se tornar trabalhadores do reino, que orassem a Deus para que Ele os enviasse. Portanto, fazer parte do exército de Cristo necessita de recrutamento.

O CONFRONTO

Toda jogo tem regra e todos os caminhos tem atalhos. Você já ouviu falar de crime de guerra? Mas não parece irônico falar sobre “crime de guerra”, onde o princípio norteador da guerra é matar? Na verdade se usa este termo pois existem convenções e tratados mundiais assinados pelas nações que regulamentam limites para qualquer ação militar. Nós temos também este parâmetro que é a bíblia. A Bíblia deve nortear qualquer conflito espiritual. É extremamente relevante nossa reflexão pois em nossos dias, temos um conceito totalmente controverso do que é a batalha espiritual. Na verdade existem dois grandes polos entre os cristãos. Aqueles que subestimam a atuação de satanás, e com isso se perdem de ficar atentos as ciladas do inimigo (Ef 6:11). Há também o outro extremo que superestima os poderes do diabo. Acabam regressando a uma antiga heresia chamada de maniqueísmo, que cria dois “deuses”, um bem outro mal, de poderes iguais e que conflitam entre si numa batalha cósmica eterna. Não podemos cair em nenhuma destes extremos, mas reconhecer de maneira responsável a atuação de satanás.

Paulo foi corajoso, entrou em Éfeso, uma cidade paganizada, repleta de bruxaria, feitiçaria, idolatria... Com grande estratégia e altivez começa a enfrentar o sistema demoníaco que estava arraigado naquele lugar. Com grande autoridade discorria sobre os mistérios de Deus revelados em Jesus Cristo (Cl 1:26). Penetrando em todas as camadas da sociedade, todos os meios políticos, religiosos, culturais e sociais, Paulo enfrenta este inimigo poderosamente e Deus efetua grandes sinais e prodígios por seu intermédio.

“E, naquele mesmo tempo, houve um não pequeno alvoroço acerca do Caminho.
Porque um certo ourives da prata, por nome Demétrio, que fazia de prata nichos de Diana, dava não pouco lucro aos artífices, Aos quais, havendo-os ajuntado com os oficiais de obras semelhantes, disse: Senhores, vós bem sabeis que deste ofício temos a nossa prosperidade; E bem vedes e ouvis que não só em Éfeso, mas até quase em toda a Ásia, este Paulo tem convencido e afastado uma grande multidão, dizendo que não são deuses os que se fazem com as mãos. E não somente há o perigo de que a nossa profissão caia em descrédito, mas também de que o próprio templo da grande deusa Diana seja estimado em nada, vindo a ser destruída a majestade daquela que toda a Ásia e o mundo veneram. E, ouvindo-o, encheram-se de ira, e clamaram, dizendo: Grande é a Diana dos efésios. Atos 19:23-28”

“Mas quando conheceram que era judeu, todos unanimemente levantaram a voz, clamando por espaço de quase duas horas: Grande é a Diana dos efésios. Atos 19:34”

É preciso saber quem está por detrás de qualquer situação, senão corremos o risco de lutar contra a “carne e sangue” e combater moinhos de vento. Gritaram e clamaram por impressionantes duas horas seu clamor idolatro. Me parece a cena de filmes em que se enfileira o exército de um lado com seu general, o príncipe e dominador deste século, e de outro o exército celestial. O exército inimigo tenta bradar, espernear, grita agora com o intuito de amedrontar seu grande clamor demoníaco “grande é a Diana dos Efésios”. Com seu comandante montado em um cavalo branco o exército celestial para a batalha e de sua boca sai uma espada poderosa e com apenas uma palavra ele derrota todos inimigos.

TEM MEDO DE SE MOLHAR ENTÃO NÃO ENTRA NA ÁGUA!

Esta coragem está cada vez mais perdida no homem moderno. Dou como exemplo, a proibição de armas de brinquedos para as crianças. Não quero promover a violência e nem penso que a este via seja a mais equilibrada. Porém bastava que ensinássemos a nossas crianças de que lado deveriam ficar. Se eles fosses brincar de polícia e ladrão, deveriam ensinar que ficassem sempre do lado da polícia. Desta forma estão crescendo crianças que não se defendem, que vão virar pais omissos, maridos que não tem condição de defender sua casa. Penso que em breve poderemos saquear os lares pois não temos mais os valentes dentro da casa que precise ser amarrado. Criamos os “mariquinhas de Jesus”.

NOSSO ARMAMENTO

“E foi isto notório a todos os que habitavam em Éfeso, tanto judeus como gregos; e caiu temor sobre todos eles, e o nome do Senhor Jesus era engrandecido. E muitos dos que tinham crido vinham, confessando e publicando os seus feitos. Também muitos dos que seguiam artes mágicas trouxeram os seus livros, e os queimaram na presença de todos e, feita a conta do seu preço, acharam que montava a cinquenta mil peças de prata. Assim a palavra do Senhor crescia poderosamente e prevalecia. Atos 19:17-20”
Em meio a todo este caos, Paulo triunfa de seus inimigos que saíram derrotados e desposados diante do poder indestrutível e incomparável da proclamação do evangelho. Como lição precisamos enumerar algumas ferramentas que nos possam auxiliar quando estivermos frente ao inimigo no campo de batalha. O mesmo apostolo mais tarde escreveria “Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus para destruição das fortalezas; 2 Co 10:4”.  Poderíamos resumir nosso poderio de guerra em três elementos básicos: Oração; Santificação e Proclamação do Evangelho. Não precisamos apelar para nossa imaginação e começar a pensar em coisas carnais para destruir o poder das trevas, o velho “feijão com arroz” sem dúvida nenhuma é a arma mais potente contra o domínio do mal.

Precisamos nos despertar e nos apresentar e como o profeta dizer em alto e bom som “eis me aqui!”. Fomos revestidos de armadura espiritual poderosa e simplesmente negligenciamos o nosso chamado, fomos recrutados para o exército de Cristo e além de não querer estar na frente e combater o bom combate, ainda atrasamos o avanço das tropas, atrasamos o avanço do Reino de Deus. Quem fica inerte e de molho, enferruja a armadura da qual fomos revestidos....



PEDRO FERNANDES