terça-feira, 8 de julho de 2014

O FILHO PRÓDIGO



Jesus nos surpreende em todos os aspectos. Ele nos oferece um caminho surpreendente (Jo 14.6), se apresenta como nosso bom pastor (Jo 10), como médico dos médicos (Mt 9.12), não apenas surpreendentemente sábio mas é a própria sabedoria personificada (Jo 1.14) e além de todos outros, o que nos chama atenção em todos os relatos nos evangelhos é sua extrema habilidade de comunicação (Mt 4.17). Quando ele quis falar sobre a influência da igreja no mundo ele não fez um longo discurso, ele disse “vos sois o sal da terra e a luz do mundo (Mt 5.13)”. Quando quis assegurar os seus discípulos sobre os perigos do mal ele disse “um pouquinho de fermento leveda a massa inteira (Mt 16.6)”. Ao repreender a vida ansiosa que alguns poderiam levar, apontou e disse: “observai as aves do céu: não semeiam, nem colhem, contudo, vosso Pai celeste as sustenta (Mt 6.26)”. Pregando sobre a importância da santificação, visto a iminência de sua vinda, contou uma pequena história de “dez virgens (Mt 25.1-13)” e todos o compreenderam. Sobre seu maior mistério, revelando a importância do perdão ao próximo, nos deixou atemorizados com uma medonha história dos “dois devedores (Mt 18.23-35)” ou conhecida também como “a parábola do credor incompassivo” digna sem dúvida de hollywood. Jesus pregava para os publicanos e pecadores, uma classe bem mal quista pelos religiosos (Lc 3.12), e ao fim, se reúne para uma refeição com aqueles. É nesta hora que os fariseus e escribas se indignam contra Jesus pois naquela cultura, sentar-se à mesa com alguém é sinal de grande intimidade entre as partes (o que deixa muito mais escandaloso a traição de Judas Escariotes, pois pouco antes de trair o mestre, eles se assentaram a mesa juntos – Lc 22.21). Os fariseus sem entrar na casa em que acontecia a refeição, mas ficando da porta para fora, acusa Jesus de ter comunhão com os pecadores (Lc 15.2; At 11.3; Gl 2.12). Jesus conta três parábolas para confronta-los e temos na última delas, a famosa parábola do “filho pródigo (Lc 15.11-32)”.

Na parábola do “Filho Pródigo”, temos alguns fatores que merecem atenção:

1° - TITULO SEM FUNDAMENTO

a)       O título da parábola não faz menor justiça ao texto. A palavra “Pai” aparece no texto 12 vezes, e indiretamente mais 2, Jesus é bastante repetitivo procurando incomodar propositalmente o ouvinte. O centro da parábola é o Pai misericordioso que busca o filho pecador, portanto o que de mais “pródigo” temos na história é o amor incondicional do Pai.

2° - DEUS BUSCA A OVELHA PERDIDA

b)      Existia uma prescrição rabínica de que “não se associassem com os pecadores”. Os rabinos nem sequer ensinavam tais pessoas. Até acreditavam que Deus recebia os pecadores arrependidos. Mas nesta parábola de maneira surpreendente Jesus parece gritar que Deus não somente aceita o pecador arrependido, mas também vai em busca dele em seus caminhos tortuosos, assim como a ovelha perdida sem nenhuma chance de sobrevivência: “porque pela graça sois salvos, pela fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus, não por obras, para que ninguém se glorie!" (Ef 2.8-10).

3° - HISTÓRIA SEM FIM...

c)       A História como sabemos, termina meio que sem um final. A história termina com o Pai fazendo um pedido para o filho mais velho, tentando convencer-lo a participar da festa que ele mesmo preparou. E não sabemos o fim. Os ouvintes da história talvez perguntaram: “mas e o final? Como acaba? ”.

NEM TUDO SAI COMO PLANEJAMOS!

A verdade é que planejamos nossa vida em detalhes, criamos expectativas, sonhamos e criamos um mundo de maravilhas, mas, infelizmente nem tudo sai como planejamos. Todo pai, por exemplo, cria seu filho com muita expectativa acerca de seu futuro, seu primeiro emprego, primeiro amor, suas futuras decisões... E uma verdade que todo pai parece ignorar é que criamos nossos filhos para que um dia eles possam sair de casa, de perto de nossos cuidados e possam trilhar seus caminhos no mundo com suas próprias pernas. Assim como Moisés que foi criado por sua mãe biológica sabendo que em certo tempo, ele seria entregue para viver no Egito (Ex 2.7-10). Mas parece que nesta família aquilo que em certo tempo deveria acontecer de forma natural, explode em tempo errado, da maneira errada e com os propósitos errados.

Leitura:

“Continuou: Certo homem tinha dois filhos; o mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte dos bens que me cabe. E ele lhes repartiu os haveres.”

DOIS PECADORES

Nestes dois filhos temos dois exemplos de pecadores que retrata talvez todos nós que servimos a Deus. Um mais incrustado, que peca escondido, o famoso que “bate e esconde a mão” e outro mais escancarado que peca sem “medo de ser feliz”. Comprometido demais com o pecado para se importar com suas trágicas consequências. É este último que certo dia, faz ao Pai este estranhíssimo pedido de receber a herança em vida. É como se ele estivesse dizendo ao Pai que “não me importo com você e o prefiro morto! ”. Em nossos dias nos soa amedrontador, imagine naquela cultura patriarcal que essa ofensa para aquele Pai seria uma ofensa sentida por toda a tribo. Todos na comunidade sentiriam aquela ofensa como pessoal. A questão do pedido da herança é notícia de telejornal: “EXTRA! EXTRA! filho pede herança a seu Pai em vida”. E o mais surpreendente é que o Pai parece acatar e reparte entre os dois filhos a herança. Uma família em decadência, uma baderna total.

O MAIS VELHO...

O filho mais velho, mais conhecido como primogênito, teria o papel de exortar seu irmão pela catástrofe que ele criou naquela família. O primogênito naquela cultura, na repartição ficaria com o dobro da parte que lhe cabe na herança. Assim como Eliseu que pediu uma porção dobrado do espírito de Elias (2Rs 2.9), não para fazer sinais dobrados, poder dobrado, mas, querendo apresentar uma espécie de “primogenitude ministerial”, em outras palavras queria ser o sucessor de Elias. Talvez seja este o motivo do silencio do irmão mais velho, ganancia! Por mais escondido que este pecador se mova, não se engane, ele também recebeu sua parte da herança (v. 12), beneficiado pela atitude de seu irmão. Esta bagunça em nossas famílias se deve muito a falta de compromisso com nossos papeis dentro de casa.
Temos uma total inversão de funções dentro dos lares. Pais omissos, mulheres insubmissas que enfrentam de igual seu marido. Filhos que enfrentam os pais, não escutam exortações e pouco se importam com seu próximo. Ninguém naquele primeiro planejamento sonhou com uma família assim, pensou?

PORTANTO, FAÇA O POSSIVEL HOJE!

Faça o que puder para manter ou salvar sua família hoje. Plante o melhor hoje para não chorar amargamente amanhã. Ninguém colhe bom fruto plantando espinho. Em uma família que gostavam de se reunir sempre para jantar, tinha um velho muito idoso com mal de Parkinson e sempre deixava a colher cair da mão, se pegasse um suco derramava na mesa, era sempre um desastre se reunir para a refeição. O pai irritado decidiu tirá-lo da mesa nas refeições pois sempre aconteciam as mesmas trapalhadas. Colocou o vovô para comer no chão para que não mais atrapalhasse. Porém ainda sim o velho quebrava os pratos de louça, pois por mais que tentasse não conseguia controlar bem seus movimentos. O Pai resolve confeccionar um prato de madeira para que o vovô não quebrasse. Ele mesmo o fabricou. Muito triste o velho ficou, pois ele tinha sido privado de participar do momento mais fantástico de comunhão naquela família que ele tanto amava. Seu netinho começou a ajuntar alguns pedaços de madeira e ficou em um canto sozinho. O pai vendo seu filho triste num canto foi perguntar o que ele estava fazendo. O Pai diz: “meu filho o que você está fazendo?” Então o filho responde: “papai eu estou fabricando um prato de madeira, igual ao do vovô. Quando você ficar velho eu vou dar um para o senhor também...” Faça o possível hoje. Plante as mais belas sementes mesmo se o solo não parecer fértil, pois quem cuida para que a semente cresce não é quem planta, ou nas palavras de Paulo: “Por isso, nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento. 1 Cor 3:7”

Leitura:

“Passados não muitos dias, o filho mais moço, ajuntando tudo o que era seu, partiu para uma terra distante e lá dissipou todos os seus bens, vivendo dissolutamente.
Depois de ter consumido tudo, sobreveio àquele país uma grande fome, e ele começou a passar necessidade.Então, ele foi e se agregou a um dos cidadãos daquela terra, e este o mandou para os seus campos a guardar porcos.
Ali, desejava ele fartar-se das alfarrobas que os porcos comiam; mas ninguém lhe dava nada.”

O PECADO DO PECADOR

Quando o filho mais moço sai de casa prosseguimos com ele na história e deixamos o Pai de lado. Mas até na hora do desespero aprendemos com a postura do Pai, pois ele não fecha a porta da reconciliação. Até na hora do desespero precisamos ter calma e tomar a melhor atitude possível, ou então, esperar que nos acalmemos para que possamos agir tranquilamente. O fato é que este filho vai para longe e começa a viver irresponsavelmente. Sem se preocupar com o dia de amanhã. Não necessariamente ele se envolveu com prostitutas e bebidas como o seu irmão o acusará mais tarde (Lc 15.30). Como qualquer um comprometido com o pecado a este nível, seu destino é o fundo do posso. Logo o filho mais novo chega ao ponto de ter que cuidar de porcos, o que para um judeu, é um sacrilégio. É como se víssemos uma mulher de alta classe tendo de mexer diariamente com baratas, ou coisa do gênero. Ele talvez olhasse o porco se mexendo, o som de seus passos, seu mau cheiro, seu grunhido. Infelizmente toda ação produz uma reação. Nossos atos pecaminosos que cometemos, produzem consequências terríveis. NÃO, O PECADO NÃO É BOM. Ele destrói famílias, casamentos, relacionamentos entre filhos, pais, amigos... O texto diz que ele chegou a mendigar pois “ninguém lhe dava nada (v. 16)”. Chega a desejar comer alfarrobas que é uma fruta ruim, mas em épocas de escassez de comida, principalmente no deserto é o único alimento disponível. Alguns estudiosos dizem que o fruto da alfarrobeira é conhecida no deserto por “gafanhoto” e talvez seja este fruto que João Batista comia no deserto simbolizando que Israel passava por um período de “escassez espiritual”. O nosso pecador escancarado se meteu em uma enrascada. Lembre-se, suas atitudes vão dizer quem você é! Quando pegarem o álbum de sua família e olharem sua foto o que elas vão comentar sobre você? Qual adjetivo vão colocar depois do seu nome?

Leitura:

“Então, caindo em si, disse: Quantos trabalhadores de meu pai têm pão com fartura, e eu aqui morro de fome! Levantar-me-ei, e irei ter com o meu pai, e lhe direi: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus trabalhadores.”

O ARREPENDIMENTO DO PARAGUAI

Neste ponto é preciso desfazer uma confusão. A história parece mudar de rumo. Muitos lendo estes versos dizem “Ufa!”, enfim ele se arrependeu. Mas sua motivação não é bem essa. “caindo em si”, era bastante utilizado para arrependimento para os judeus. Mas não é o arrependimento esperado por Deus. É relativo ao que usamos hoje por remorso. É como o rapaz que comprou um carro e se arrependeu. Chateado, aborrecido, com remorso, disse: “como é que eu fui fazer uma coisas dessas”. Como Judas que sentiu um grande “remorso” depois de trair Jesus, mas não se arrependeu (Mt 27.3).
Quando ele pensa em sua estratégia já tem em mente que nunca mais vai poder ser filho de seu pai. Ele sabe o que fez, e que foi algo muito grave, por mais triste que esteja ele não se arrepende, mas sente apenas remorso. As vezes pessoas em situações adversas se voltam para Deus não porque estão arrependidos mas para garantir o pão, o básico, “pelo menos o feijão e a farinha o Senhor garante”. Mas se você está passando por isso, pensando que o que você fez foi muito grave, ou que não tem mais jeito, ou que será impossível Deus te perdoar deste pecado, te diria que: “onde abundou o pecado, superabundou a graça (Rm 5.20)”. Por mais que o seu pecado tenha sido grave, gravíssimo, por mais que o pecado tenha enchido até o limite, a graça de Deus sempre irá transbordar.

Leitura:

“E, levantando-se, foi para seu pai. Vinha ele ainda longe, quando seu pai o avistou, e, compadecido dele, correndo, o abraçou, e beijou.
E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho.O pai, porém, disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, vesti-o, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés;
Trazei também e matai o novilho cevado. Comamos e regozijemo-nos,
Porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado. E começaram a regozijar-se.”

ENFIM O PAI...

Como o pai o viu de longe? Possivelmente moravam em uma pequena aldeia na palestina. Uma cidade como as outras, murada, com apenas um portão, onde ficavam as sentinelas, atalaias, juízes, as pessoas mais importantes e se o rapaz chegasse naquele lugar não teria a mínima chance de sobrevivência. O crime que ele cometeu é simplesmente imperdoável para os cidadãos. Possivelmente o Pai ansioso pelo regresso do filho, fitava sempre os olhos naqueles portões a ponto de ficar mais atento do que os atalaias.
Em vista do filho, Jesus diz que o pai saiu correndo. É importante dizer que para aquela cultura um senhor correndo era motivo de muita vergonha. Imagina o presidente de um banco, chega na empresa na maior carreira. O que nos parece? Incoerente com sua posição. Correndo o Pai passa a maior vergonha por causa da besteira que seu filho faz. Você se afastou de Deus, fez as maiores besteiras e por causa disto, Deus passou a maior vergonha por causa de você. PORQUE ELE AMA VOCÊ. Por maior que seja o seu pecado lembre-se, Deus passou a maior vergonha por você. E muito mais que isso! Ele nos abraça e nos beija. Por que esta ordem é importante? Por que na posição do abraço, qual o único lugar que se pode beijar? No rosto é claro. Portanto o Pai com esta atitude está dizendo a todos que além de nos receber ele nos redime e nos trata como igual, nos restaura a nossa dignidade. Nas palavras do próprio Jesus: “Eu vim para vos dar vida e vida em abundancia (Jo 10.10). O próximo verso fala sobre essa restauração.

PLENA RESTAURAÇÃO DA GRAÇA DEUS

O pai interrompe o discurso programado do filho e pede os servos a “melhor roupa”, que roupa? A do próprio pai. “Anel” é o cartão de Crédito. Coloquem “sandálias” nele. Todo servo andava descalço. Portanto pedir que os servos o calçasse era colocar em posição de honra. Lembra de João Batista que diz que não era digno de atar as sandálias de Jesus (Mc 1.7)? Era o sinal máximo de submissão. E Jesus nos dá outro baque surpreendente no lava pés (Jo 13), que nos dá o exemplo máximo de servidão, de classe tão baixa que Pedro se nega a deixar que Jesus lave seus pés.

CHURRASCÃO DE BOAS VINDAS

Existiam dois tipos de festas. Matar um carneirinho ou uma cabra, seria uma festa apenas para os familiares mais próximos. O tipo de festa que o pai decide fazer é para a cidade inteira. Tragam o novilho gordo e vamos nos alegrar. As fofocas na cidade, “aquele menino doido que saiu voltou e o pai corredor vai fazer o maior churrasco”. Vamos lá ver que no mínimo a gente come um pouco de carne. Porém nesta festa está faltando alguém. Naturalmente todos na festa esperavam o filho mais velho. É como esperar em um casamento a noiva. Por onde anda este menino?

Leitura:

“Ora, o filho mais velho estivera no campo; e, quando voltava, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças.
Chamou um dos criados e perguntou-lhe que era aquilo.
E ele informou: Veio teu irmão, e teu pai mandou matar o novilho cevado, porque o recuperou com saúde.Ele se indignou e não queria entrar; saindo, porém, o pai, procurava conciliá-lo.
Mas ele respondeu a seu pai: Há tantos anos que te sirvo sem jamais transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito sequer para alegrar-me com os meus amigos;
vindo, porém, esse teu filho, que desperdiçou os teus bens com meretrizes, tu mandaste matar para ele o novilho cevado.
Então, lhe respondeu o pai: Meu filho, tu sempre estás comigo; tudo o que é meu é teu.
Entretanto, era preciso que nos regozijássemos e nos alegrássemos, porque esse teu irmão estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado.”

O FILHO MAIS VELHO

Chegamos ao fim desta história e agora é a hora do pecador comportado se revelar. Ele diz “olha" (NVI). Isto é impensável. Uma tremenda falta de respeito, consideração e insubmissão. Não diz “meu pai”, ele vai direto ao assunto e mostra seus verdadeiros interesses. Por traz de suas palavras está sua auto justiça. "Sou muito bom, faço minha oração de noite, sou um santo e o senhor não me dá o que mereço". Recebeu o dobro e ainda não se dá por satisfeito e não consegue ser uma pessoa grata. Chega a dizer que gostaria pelo menos uma daquelas festinhas menores, para se divertir com quem? Com os outros, com os de fora, pois não me sinto seu filho. É a síndrome de quem só enxerga os defeitos dos outros e se sente intocável. É como aquela mulher que ficava sempre dizendo que sua vizinha não sabia lavar roupa porque ela sempre estendia as roupas sujas no varal. Até que indignado seu esposo levantou um dia mais cedo e lavou a sua vidraça e a mulher percebeu que o que estava sujo era seus vidros e não a roupa da vizinha. As vezes usamos estas mesmas lentes para enxergar o mundo. Sempre criticando as obras dos outros, criticando os defeitos dos outros, somos capazes de perceber um cisco no olho alheio, e como Jesus nos ensina, somos hipócritas, pois não tiramos a trave que está no nosso (Mt 7.5).
O filho mais velho lucrava mais com a desobediência do seu irmão do que com seus acertos. Existem pessoas que mesmo sem lucrar nada com o fracasso de seu irmão se alegram quando alguém se dá mal. O sangue do filho mais velho corre na veia de todos os pecadores hipócritas com síndrome de santidade. O sangue dele corre nas nossas veias, estamos debaixo de sua pele, o nosso DNA é o DNA do filho mais velho...

DE JESUS PARA OS FARISEUS...

E como dito no começo, a história termina sem um fim. Terminamos o texto com o filho do lado de fora e o Pai tentando leva-lo a participar daquele banquete. E o surpreendente desta história é exatamente o cenário em que Jesus contou esta parábola. Jesus comendo com os pecadores, e os fariseus do lado de fora criticando e fazendo o papel do filho mais velho. O final desta história é justamente para que nós a terminemos com nossa escolha. Que papel queremos viver em nossas vidas? Ficar junto dos fariseus do lado de fora da festa criticando e se recusando a se alegrar com o regresso do filho mais novo? Do lado dos que se recusam a se alegrar com o arrependimento de mais um pecador que regressa a casa do Pai? Dos que se acham santo demais para enxergar um arrependimento sincero? As vezes todos nos passamos pelas garras do pecado. Somos tragados em nossas próprias paixões e nos deixamos levar pelas circunstancias e não faltam os santos que não cooperam para a salvação das ovelhas perdidas, mas ainda querem colocar condições para a escandalosa graça de Deus (Pai). Qual sua escolha? Quer ser o filho mais velho ou o mais moço?


PEDRO FERNANDES