segunda-feira, 25 de agosto de 2014

AMIGO DO CAPETA!




Quando ele nasceu em 1642 numa pequena vila na Inglaterra, quase nada se conhecia sobre o mundo da física. Sua infância foi extremamente infeliz e seu pai morreu antes de seu nascimento. Sua mãe o abandonou e foi criado por sua avó rígida e puritana. É certo que nunca superou esta situação pois anos mais tarde em uma espécie de confissão, escreve pedindo perdão a Deus por sempre ter tido vontade de atear fogo na casa com seu pai e sua mãe juntos. Já na faculdade, enquanto seus colegas pouco se importavam com os estudos, ele tinha uma vida de reclusão e completo isolamento por causa de uma obsessão com o pecado arraigado no movimento puritano. Em todo a sua vida teve poucos amigos e nenhum romance. A ponto de alguns biógrafos afirmarem que ele havia morrido virgem. Aprende matemática avança sozinho e com 20 e poucos anos de idade inventa o “calculo”. Mas guardou sua descoberta para si. Se optasse por divulgar suas descobertas poderia ser considerado o maior matemático da Europa! Estamos falando do físico, matemático, revolucionário, sobretudo Cristão: Sir. Isac Newton. Com Vinte e quatro anos, sentou-se e viu uma maçã cair. Inspirado, após olhar para maçã olhou para a lua e colocou uma questão crucial: “se a maçã cai, será se a lua também cai?”. Com este raciocínio, deu um golpe de mestre e percebeu que a mesma “força” que faz a maçã cair é também a que faz a lua cair em volta da terra. Anos mais tarde ainda sobre o mesmo assunto, em 18 meses de reclusão, trabalhando até 20 horas sem parar e saltando refeições escreve sua obra prima: “Principia”. Para muitos, fundou-se ai o pensamento filosófico que conhecemos hoje como “determinismo”. Em resumo o Determinismo acredita que tudo no mundo está predeterminado, segundo Newton, por leis naturais (as três grandes leis). Veja como isto parece se harmonizar com o ensino de Paulo em Efésios onde se diz que “nos elegeu nele antes da fundação do mundo para que fossemos santos e irrepreensíveis (...) (Ef 1:4)”. Mas enquanto o ser humano não é alcançado pela graça para ser “santo e irrepreensível” se libertando de suas próprias paixões, ele continua sendo atacado, infligido, bombardeado pelo mundo ao seu redor, que ainda está ligado a ideia do determinismo. Mogli (Mowgli no original - 1893) é uma personagem do conto O Livro da Selva. Mogli é uma criança selvagem que teria sido criado e alimentado por uma alcatéia de lobos e cresceu com tal. Este livro foi uma produção cultural que nos explica o pensamento de Newton. Quem anda em meio a lobos, viverá como lobo. O meio em que um ser vive, determina suas volições e apetites. Tarzan é um personagem de ficção criado pelo escritor americano Edgar Rice Burroughs em 1914, e também é um exemplo de determinismo. Quem nasce em meio a gorilas e chimpanzés, certamente vai se comportar como um deles. Rômulo e Remo são, segundo a mitologia romana, dois irmãos gêmeos, que abandonados num rio sobreviveram e foram criados por uma alcateia de lobos. Destes irmãos, Rômulo, foi o fundador da cidade de Roma e seu primeiro rei que ainda depois de adulto, tinha traços de lobo. Veremos adiante um caso clássico de determinismo. De como o meio social em que o indivíduo vive, determina seu caráter, suas vontades e suas preferências.

“E, chegando Pedro à Antioquia, lhe resisti na cara, porque era repreensível.
Porque, antes que alguns tivessem chegado da parte de Tiago, comia com os gentios; mas, depois que chegaram, se foi retirando, e se apartou deles, temendo os que eram da circuncisão.
E os outros judeus também dissimulavam com ele, de maneira que até Barnabé se deixou levar pela sua dissimulação. (Gl 2:11-13)”

1 - JOSÉ, O “BARNABÉ”

Barnabé era um Judeu (Levita) que foi testemunha da história de Jesus. Não era chamado assim, seu nome natural era José. Os apóstolos lhe deram este apelido que significa “filho da exortação”. Vivia em Jerusalém e acompanhou de perto todos os grandes acontecimentos daquela época. Não temos os detalhes mas certamente Barnabé tinha ouvido falar que um nazareno tinha andado sobre as águas, que tinha feito cego ver, coxo andar, mudo ouvir, ressuscitado alguns dentre os mortos e que este mesmo que se intitulava o messias, o salvador prometido, tinha sido crucificado e morto numa cruz. Soube também que durante sua morte o véu do santuário se rasgou de cima a baixo, a terra tremeu, alguns mortos viveram, o céu se rompeu em trevas ainda durante o dia e o mais impressionante, que no terceiro dia ele ressuscitou! Porém nada disso persuadiu José Barnabé. Nada o tinha feito crer que Jesus era o Cristo. Mas foi na maneira como os discípulos se comportavam que o deixou impressionado. Viviam em harmonia. Em comunidade. Um era o “coração e a alma” (At 4.32). Repartiam entre si seus tesouros e também repartiam suas necessidades. Enquanto alguns em nossos dias esperam uma chuva de bênçãos cair do céu para que possam crer, Barnabé ficou maravilhado pelo COMPORTAMENTO da igreja e quebrantou seu coração. Decidiu se entregar completamente a Jesus. Numa atitude de entrega total, vendeu suas propriedades e entregou aos apóstolos (At 4.37). Apesar de ser Levita e este povo ter recebido algumas cidades (Js 21) o mais certo é que estas terras pertenciam a sua esposa. Muitas coisas aconteceram com Barnabé e a igreja primitiva, mas permaneceram firmes, inabaláveis, confiando nas promessas de Jesus que disse que “as portas do inferno não vão prevalecer contra a igreja” (Mt 16.18b).

2 - A VISITA DE PEDRO

Estevão sofre o martírio (At 7-8) e explode em Jerusalém uma grande perseguição e todos exceto os apóstolos, fogem de Jerusalém. Deste povo alguns se firmaram em Antioquia e pregando o evangelho e fundou-se uma igreja forte e prospera neste lugar. Os apóstolos ficaram sabendo desta igreja e enviaram Barnabé para pastorear este povo. Vemos que todos nós temos amigos e por outro lado somos amigos de muita gente. Sempre em momentos de crise ou de alegria podemos contar com nossos amigos. Quando se fura o pneu do carro para quem ligar? Quando se precisa urgente de uma palavra de conforto para quem procurar? Quando se quer festejar e comemorar algo com quem gostamos de aproveitar estes momentos? Com os amigos é claro. Sempre teremos amigos que podemos contar nos momentos de bonança e também de peleja. Os apóstolos quando precisaram de ajuda, sabiam que poderiam contar com a ajuda do amigo barnabé. No primeiro versículo de nosso texto principal, diz que Pedro estava chegando à Antioquia.

“E, chegando Pedro à Antioquia, lhe resisti na cara, porque era repreensível. (Gl 2.11)”

Pedro estava devolvendo uma visita que Paulo o havia feito em Jerusalém (At 11.30) e ficou por algum tempo na igreja de Antioquia. O Texto começa com um péssimo testemunho de Pedro e sabemos que ele não tem bons antecedentes. Quando pensamos em suas histórias pensamos sempre em desastres. Você lembra do Pedro de mente pequena? Jesus ensinavam por meio de parábolas, Pedro quase sempre não o compreendia. Você lembra do Pedro autoconfiante? Jesus disse que na sua morte todos se escandalizariam e Pedro disse que até podia ser que eles o fizessem mais eu não! Você lembra do Pedro amante do mundo? Pedro olhou ao templo e disse a Jesus: “vede que construção!” E Jesus lhe respondeu: “não ficará pedra sobre pedra que não seja derribada”. Você lembra do Pedro violento? Jesus no Getsêmani depois de três longos anos de ensinamento, Pedro pega a espada e corta a orelha do soldado Malco. Pega esta cena e depois leia o sermão do monte que Pedro também ouviu e verá um contraste impressionante. Você lembra do Pedro de pequena Fé? Jesus andando sobre as aguas garantiu a possibilidade a Pedro.  E por sua falta de Fé, afundou em meio as aguas turbulentas. Você não pode esquecer ainda do Pedro que negou a Jesus!

Portanto passemos a uma outra percepção de amigo. Após compreender que existem amigos para todas as horas é preciso analisar a fundo estas pessoas. Como Pedro que passou por todos estes impasses ainda se tornou o líder e representante entre os doze? Será se não esperávamos um líder com maiores qualidades do que a de um pescador atrapalhado? É para que nos lembremos de que ninguém é perfeito e sempre age da maneira certa. Talvez quando citamos os problemas que Pedro passou, você também tenha se identificado com as mesmas atitudes de Pedro. Todos nós somos “Pedro” porque somos todos pecadores (Rm 3.23). Quando for ouvir o conselho de um amigo lembre-se que ele é um “Pedro” também. Quando você criar muita expectativa sobre um amigo e ele te decepcionar, lembre-se que ele é um “Pedro”. Enfim, todas as nossas relações sociais estão marcadas pela “síndrome de Pedro”.

3 - PEDRO INFLUENCIA BARNABÉ

Chegamos ao ponto alto da mensagem que é a influência de Pedro sobre Barnabé. Lemos no texto Paulo perplexo pela atitude de Barnabé mas não é tão claro o sentimento do apostolo. Primeiro porque num primeiro momento não podemos concordar com a perplexidade porque a atitude de Barnabé segundo estamos estudando é inclusive natural.

Porque, antes que alguns tivessem chegado da parte de Tiago, comia com os gentios; mas, depois que chegaram, se foi retirando, e se apartou deles, temendo os que eram da circuncisão.
E os outros judeus também dissimulavam com ele, de maneira que até Barnabé se deixou levar pela sua dissimulação. (Gl 2:12-13)”

Pedro estava em comunhão perfeita com os gentios, afinal de contas, a pouco Pedro tinha tido uma experiência na casa do Centurião Cornélio de que Deus através de Jesus tinha derrubado o muro de separação entre judeus e gentios. Mas então porque Pedro de uma hora para outra ficou receoso de comer com os gentios? Por temer a repreensão dos líderes de Jerusalém, simplesmente para agradar os capricho e preconceitos de homens. O problema não para por aqui. O Cerne da discussão é a perplexidade de Paulo ao ver a atitude de Barnabé. Você se lembra quanto anos Barnabé conhece a Pedro? Você consegue mensurar as dificuldades de ser cristão num império que considera como sacrilégio e blasfêmia a sua confissão de fé? Lembra que Barnabé e Pedro passaram por tudo isso juntos. Portanto é natural que Barnabé fosse influenciado pela atitude negativa de Pedro.
  
Lembre-se que você não escolhe se vai ser influenciado ou não por um amigo. Mas pode escolher quem será seu amigo. Uma amizade ruim pode salvar a sua vida ou pode destruir de maneira avassaladora. Temos um exemplo do tamanho da desgraça que uma amizade pode trazer para sua vida:

“E aconteceu depois disto que, tendo Absalão, filho de Davi, uma irmã formosa, cujo nome era Tamar, Amnom, filho de Davi, amou-a.
E angustiou-se Amnom, até adoecer, por Tamar, sua irmã, porque era virgem; e parecia aos olhos de Amnom dificultoso fazer-lhe coisa alguma.
Tinha, porém, Amnom um amigo, cujo nome era Jonadabe, filho de Siméia, irmão de Davi; e era Jonadabe homem mui sagaz.
O qual lhe disse: Por que tu de dia em dia tanto emagreces, sendo filho do rei? Não mo farás saber a mim? Então lhe disse Amnom: Amo a Tamar, irmã de Absalão, meu irmão.
E Jonadabe lhe disse: Deita-te na tua cama, e finge-te doente; e, quando teu pai te vier visitar, dize-lhe: Peço-te que minha irmã Tamar venha, e me dê de comer pão, e prepare a comida diante dos meus olhos, para que eu a veja e coma da sua mão. 2 Sm 13:1-5”

Amnom tinha uma meia irmã formosa e virgem. E ficou literalmente doente de desejo por Tamar. Ele tinha um “amigo do capeta” chamado Jonadabe. Seu amigo pergunta o motivo porque ele estava naquela situação. Ele se abre com Jonadabe, que ainda era seu primo, e ele lhe sugere que se finja de doente e que se deitasse com Tamar quando ela fosse cuidar dele. O resultado é catastrófico. Não é ficção é vida real. É o poder de um concelho. É o poder de uma amizade mal resolvida. Amnon estupra Tamar para depois sentir nojo dela. Absalão provoca uma festa como emboscada para Amnom e o mata. Irmão que mata irmão. Seu Pai revoltado nunca o perdoa, Absalão por sua vez tenta tomar o trono de Davi para depois ser morto pelo exército do rei. Veja o poder destruidor daquele concelho não verificado.

4 - ESCOLHER AS AMIZADES É NOSSA SALVAÇÃO!

Temos de escolher melhor nossas amizades. Jonatan escolheu ser amigo de Davi. Daniel escolheu a “dedo” seus amigos. Escolheu de dentre todos aqueles jovens que foram para a babilônia Sadraque, Mesaque e Abdnego. Na hora dos conflitos ficou claro a escolha de Daniel. Não por exagero mas o futuro de nossa saúde talvez dependa disso. Talvez o futuro de nosso trabalho, nosso filhos e nossa família dependa disso. Portanto fiquemos atento aos tipo de amizades que podem nos rondar.

1.       O primeiro tipo é o amigo “Pedro”. Ele é pecador como todos os outros e inclusive você. Ele vai vacilar, pode te dar mal concelho, vai escurregar e pode fazer ir junto no mesmo tombo! Tenha cuidado com ele. Examine tudo e “retenha o que é bom”. Fique atento pois até mesmo o amigo “Pedro” que é cristão, pode fazer você ir para o fundo do buraco!
2.       O amigo “Paulo”. Este é o amigo que todos temos a obrigação de ter um por perto. Alguém sábio disposto sempre a te reclamar, orientar, mostrar seus defeitos sem medo de você ficar magoado ou ferido pois o que importa é que você abandone completamente esta ferida. Se você não tem um amigo “Paulo” por perto, corra atrás urgente de um para que você possa se abrir com ele.
3.       O amigo “Jonadabe”. Este é o “amigo do capeta”. Provavelmente você já teve ou tem alguém assim por perto. Que tem uma vida desestabilizada, que não professa crer no que você acredita, que sempre faz e te incentiva a fazer coisa errada, que conta piada pornográfica, que te induz a mergulhar na pornografia ou no adultério. Este só tenho um conselho para você FUJA DELE AGORA MESMO! Não deixe que este “amigo do cão” destrua sua vida.

Acabamos de colocar então uma boa lista de amigos para que fiquemos atento. E como dito esta lista está boa, mas ainda não está completa. Quero te apresentar um amigo de todas as horas. Quero te apresentar alguém disposto a morrer por você. Aquele de quem depende todas as suas amizades, todos os seus relacionamentos, toda a sua vida depende deste amigo.

“Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos. Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. Já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, (Jo 15.13-15)”

A águia faz seu ninho nas alturas, longe dos predadores. Faça o mesmo. Faça um compromisso com seu verdadeiro amigo. Não deposite suas esperanças em um tipo de governo, num pensamento filosófico ou em seus amigos. Lembre-se que por melhor que seja um amigo, ele um dia vai te decepcionar. Faça o ninho de suas esperanças naquele amigo que nunca vai virar as costas para você e nunca vai te colocar em apuros!



PEDRO FERNANDES