segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

HOMENAGEM AO DIA DO PASTOR PRESBITERIANO




Gostaria de fazer uma singela homenagem até onde posso com minhas palavras neste dia tão especial. Temos o costume nas festas de fim de ano fazer a famosa troca de presentes entre familiares e amigos. Chamamos de “amigo oculto”, pois, antes de entregar o presente, estigamos os participantes a tentar adivinhar quem será o sortudo da vez. Porém agora o sortudo pela primeira vez nesta brincadeira não é quem recebe, mas quem está a escrever esta singela homenagem a esta pessoa tão especial.

Meu amigo oculto é... Na verdade, nem tão oculto assim! É talvez a pessoa mais conhecida em nosso meio. “Meio” esse que nem sempre se conhecem todos, mas todos conhecem este amigo. E não diga antes do tempo que isso seja um privilégio. Ele é sempre julgado como responsável de tudo que acontece de ruim. Quase sempre mal compreendido e desqualificado como um amigo, companheiro e parceiro das horas difíceis.

Meu amigo oculto é... No meu caso sempre parceiro das horas difíceis e presente nas melhores horas. Tem uma visão diferenciada de mundo, e gostaria de ver as coisas diferente de como elas são. Enxergo ele como um apaixonado pelo conhecimento e apesar dos protestos, nos aniversários e datas especiais sempre dá um livro de presente.

Meu amigo oculto é... Ele diz as vezes que tem a cara feia, e em parte concordo, mas quando se tem a oportunidade de conversar e se conhecer melhor sempre se surpreende com a beleza de suas atitudes.

Meu amigo oculto é...  Uma das pessoas que ajudaram a crer que existe Deus. É fácil dizer que Ele existe, o difícil é demonstrá-lo, percebo Deus na vida de meu amigo oculto.

Meu amigo oculto é... Bom, acho que já deu para adivinhar de quem estou falando. Talvez não tenha o presente que meu amigo merece, nem quero dar um livro como ele gosta de dar pois tem uma biblioteca particular inteira para ler. Chegou a hora de dar meu presente, e cada vez mais tenho plena convicção que nesta oportunidade, quem recebe mais uma vez o presente sou eu mesmo que é sua amizade! Me permita retirar para um abraço o título de pastor ou de reverendo pois admiro muito seu trabalho e por isso esta homenagem de sua igreja, mas ainda queria dizer que:

Meu amigo oculto é...  o nada oculto Silvio Ribeiro Fernandes.


DE: PEDRO FERNANDES – EM NOME DA 1º IGREJA CRISTÃ PRESBITERIANA DE CIDADE OCIDENTAL

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

DE QUEM DEVO SER PRÓXIMO?



Uma parte significativa do ministério de Jesus começa em um episódio que Lucas coloca pouco depois da tentação no deserto (Lc 4.1-15). Jesus sai da Galileia e volta para Nazaré e como o costume dos Judeus, a criança se torna adulta depois de completar 12 anos, e todo sábado é dia de frequentar a sinagoga (Lc 2.41-52).

Alguns estudiosos dizem que este fato se deu na sinagoga em que o Jairo era chefe, o explica aquele episódio em que sua filha seria ressuscitada e o que Jairo sabia sobre Jesus. A liturgia se dava assim: Os mais velhos sentavam nas cadeiras da frente, atrás os mais moços e no fundo as mulheres e crianças. O chefe da sinagoga se apresentava ao povo, cantava-se os hinos de Israel (provavelmente os salmos) e depois seria dada a oportunidade para a leitura da lei. Jesus sai do meio do povo, isto significa que ele estava sentado entre os mais moços, e segue em direção ao púlpito. Havia no púlpito três cadeiras, uma a direita, outra a esquerda e uma central. Esta cadeira central segundo a tradição era destinado ao messias:

“E, chegando a Nazaré, onde fora criado, entrou num dia de sábado, segundo o seu costume, na sinagoga, e levantou-se para ler.
E foi-lhe dado o livro do profeta Isaías; e, quando abriu o livro, achou o lugar em que estava escrito:
O Espírito do Senhor é sobre mim, Pois que me ungiu para evangelizar os pobres. Enviou-me a curar os quebrantados de coração,
A pregar liberdade aos cativos, E restauração da vista aos cegos, A pôr em liberdade os oprimidos, A anunciar o ano aceitável do Senhor.
E, cerrando o livro, e tornando-o a dar ao ministro, assentou-se; e os olhos de todos na sinagoga estavam fitos nele. Então começou a dizer-lhes: Hoje se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos.
Lucas 4:16-21”

Jesus não somente afirma que a professia se cumpriu como se assenta na cadeira reservada ao messias e apavorou toda a multidão. A partir deste fato, os mestres da lei começam a perseguir Jesus e inquirir sobre a sua afirmação tão contundente.

A PROVAÇÃO DE JESUS

Depois de que o pecado entrou no mundo através do primeiro casal, viver passou a ser um “meio”, resolver o problema de comunhão com o Criador. Antes do pecado viver era um fim em si mesmo, porém a única questão que precisamos resolver agora é como resolver o problema de como resgatar a eternidade: comunhão com a Trindade. Temos no hoje a única oportunidade de resolver isso. Do que adianta “ganhar o mundo inteiro e ser condenado eternamente?” Do que adianta resolver as questões menos importantes e esquecer a única que realmente importa?

“E eis que se levantou um certo doutor da lei, tentando-o, e dizendo: Mestre, que farei para herdar a vida eterna? “E ele lhe disse: Que está escrito na lei? Como lês? E, respondendo ele, disse: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo.
E disse-lhe: Respondeste bem; faze isso, e viverás.
Ele, porém, querendo justificar-se a si mesmo, disse a Jesus: E quem é o meu próximo?
E, respondendo Jesus, disse: Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram, e espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto.
E, ocasionalmente descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo.
E de igual modo também um levita, chegando àquele lugar, e, vendo-o, passou de largo.
Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão;
E, aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre o seu animal, levou-o para uma estalagem, e cuidou dele;
E, partindo no outro dia, tirou dois dinheiros, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida dele; e tudo o que de mais gastares eu to pagarei quando voltar. Qual, pois, destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores?
E ele disse: O que usou de misericórdia para com ele. Disse, pois, Jesus: Vai, e faze da mesma maneira. Lucas 10:25-37”

Aqui por mais uma oportunidade os mestres da lei continuaram a perseguição começada no capitulo 4 como já vimos, certo doutor da lei (provavelmente fariseu) veio a provar Jesus diante do povo.

A pergunta era perfeita teologicamente, mas o problema era sua intenção, “certamente não saberá me responder. Ele vai inventar”. Como este messias responderá esta questão tão central?

Jesus responde de maneira simples, mas brilhante: o que disse Moisés sobre este assunto? Você é mestre e deveria saber sobre isso.

A “INVENÇÃO” DO FARISEU

Sobre a réplica de Jesus o fariseu se esquiva e responde de pronto:

E, respondendo ele, disse: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo.

Na verdade, se o fariseu esperava que Jesus inventasse o “feitiço virou contra o feiticeiro”. Moisés foi apenas até “todoas as tuas forças” e o próprio fariseu acrescentou por conta própria de todo seu entendimento.

Esta prática é bem própria do farisaísmo. Na tradição de Israel o centro da fé sempre foi o sacrifício. Após o retorno do exílio na babilônia, o centro mudou de sacrifício para o “guardar a lei”.

Podemos entender a Deus? Evidente que um ser finito não pode compreender o infinito. Entendemos no máximo a revelação de Deus, e somente com o auxílio do Santo Espirito. A lei pedia que agente matasse um animal se não agente morria. A lei não nos matava pois não podia ressuscitar. Por isso a gente ficava esperando o messias. Jesus resolveu isso. Ele morreu por nós, e morremos com ele no batismo, e ressuscitamos com ele.

Este fermento dos fariseus é fácil de ser percebido em nosso meio. Sempre queremos colocar um fardo tão pesado nas costas dos outros quanto nós mesmos não poderíamos carregar. Não são poucos os que quando se veem em situações complicadas, pedem socorro e mudam a perspectiva sobre a questão. Por isso aprendemos que o sofrimento é uma ótima ferramenta de santificação. Quando vemos um “neófito” praguejando contra os outros dizemos sempre em seguida: “este tem que apanhar demais ainda para aprender que a vida não é assim”.

O CONFRONTO SECRETO

Jesus dá uma resposta simples e inesperada pelo mestre da lei:

E disse-lhe: Respondeste bem; faze isso, e viverás.

Em seguida o mestre responde:

Ele, porém, querendo justificar-se a si mesmo, disse a Jesus: E quem é o meu próximo?

E nos perguntamos: “se justificar do que?” Jesus apenas concordou com o que o fariseu tinha dito e ele se sentiu agredido. Que poder maravilhoso. Que rebuliço interno causou as simples palavras de Jesus. O fato era que o “guardar a lei” como o mestre da lei pregava não o era possível. Ninguém entendia bem como eles conseguiam guardar toda lei. Os mestres não faziam sacrifícios por eles mesmo pois eram “guardadores da lei”. E o povo se perguntava: “como eles conseguem?” Jesus tinha a resposta: “HIPÓCRITAS!”

Esta palavra “hipócrita” é correspondente aos atores de teatro que usavam máscara para as cenas. Jesus queria dizer que eles não viviam o que pregavam. Viviam de aparências. Lavavam o exterior do copo para usar mas deixavam seu interior sujo o tornando impróprio para uso. Querer aparentar santidade é uma tentação em nossa vida, por isso a palavra central na fé Cristã é a GRAÇA!

DE QUEM EU DEVO SER PRÓXIMO?

O fariseu em situação ainda encontra força e pergunta:

E quem é o meu próximo? E, respondendo Jesus, disse: Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram, e espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto.
E, ocasionalmente descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo. E de igual modo também um levita, chegando àquele lugar, e, vendo-o, passou de largo.
Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão;
E, aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre o seu animal, levou-o para uma estalagem, e cuidou dele;
E, partindo no outro dia, tirou dois dinheiros, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida dele; e tudo o que de mais gastares eu to pagarei quando voltar. Qual, pois, destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores?
E ele disse: O que usou de misericórdia para com ele. Disse, pois, Jesus: Vai, e faze da mesma maneira. Lucas 10:25-37”

Para começo é importante pensar que talvez este relato não seja uma parábola mas um fato realmente acontecido e que escandalizou todo o povo. Não se contavam histórias comparando Judeus e Samaritanos pela rivalidade histórica entre eles.

Em outras palavras Jesus disse, você se lembra da história daquele “Bom Samaritano”?

Todos tiveram a oportunidade de ajudar mas não tiveram o “mover de íntima compaixão”.

Mudou o foco da pergunta, começou com a pergunta certa porém percebeu que o sentido estava errado. Os romanos chamavam que estava do meu lado no teatro de o “outro”, na fé cristã chamamos de “Próximo” o que dá uma mudança de perspectiva. E a parábola não somente me ensina quem é meu próximo, mas de quem eu devo ser próximo.
Começou com a pergunta: como se tem a vida eterna, e a reposta final não veio de Jesus, a parábola de Jesus foi tão forte que provocou uma resposta negativa do próprio mestre da lei, quem tem a vida eterna,

fica comovido de intima compaixão sempre pelos mais necessitados.


PEDRO FERNANDES

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

O NAMORO DO PORCO ESPINHO


TEXTO BÍLBICO - 1 JOÃO 4:17-21

“Dessa forma o amor está aperfeiçoado entre nós, para que no dia do juízo tenhamos confiança, porque neste mundo somos como ele. No amor não há medo; pelo contrário o perfeito amor expulsa o medo, porque o medo supõe castigo. Aquele que tem medo não está aperfeiçoado no amor.

Nós amamos porque ele nos amou primeiro.

Se alguém afirmar: "Eu amo a Deus", mas odiar seu irmão, é mentiroso, pois quem não ama seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. Ele nos deu este mandamento: Quem ama a Deus, ame também seu irmão. 1 João 4:17-18”


O Namoro do Porco Espinho

Se você fosse um animal qual animal você seria? Muitas pessoas já fizeram esta pergunta e ao responder sempre se comparam com o estilo de seu animal favorito. Águia pela visão de mundo, Leão pela liderança, formiga pela sua força, etc... Porém quando o interlocutor é o responsável pela analogia, geralmente se troca o tal do bicho. Se a pessoa é meio sujinha à comparamos com o porco que gosta da lama, Cobra pelo veneno das palavras (geralmente sogra), Rato pela falta de ética, Bicho Preguiça dispensa comentários.... Quando parte para comparação estética o negócio complica, Elefante o gordinho, Girafa o mais alto, Pinguin o mais baixo, Tucano o narigudo, e a maldade não termina...

Porém se pela nossa visão agente se valoriza demais ou na visão alheia está carregada de maldade, qual bicho será que a bíblia diria que nós somos?

Guardado a intenção de exemplificar o conceito abstrato, penso que a bíblia diria que seriamos um PORCO ESPINHO!

Os espinhos do bicho na verdade são pelos, naturais, e o pecado também no ser humano o é. Todo recém-nascido ao invés daquela etiqueta com prescrições médicas, deveria estar escrito e tarjado em negrito o rótulo: “COM DEFEITO DE FABRICAÇÃO”.

A bíblia ao contrário de um livro de regras é um manual de um ser resgatado e traz as condições de relacionamentos em todos os âmbitos. De como nosso relacionamento com Deus pai foi prejudicado e como resgatamos o relacionamento do Pai através do Filho.

Se o cerne do cristianismo é relacionamento do homem com e Deus e com o próximo, pense o quanto é difícil se relacionar sendo nós um “Porco Espinho”?

Como se casar com um porco espinho? Como ficar perto? Como afagar ou ser afagado? Como cumprimos este desafio de se relacionar tendo tantos espinhos?

O relacionamento para o Cristão é tão importante que se tivermos a visão errada neste ponto, minimizamos até a noção de salvação. Como se fosse uma realidade apenas futura e não tivesse nenhuma conexão com a vida presente. O evangelho não é para criar uma expectativa futura, mas uma perspectiva de uma vida presente. Não é a história de uma pessoa que vive querendo ser salva, mas como um salvo vive. Existem teologias que dizem que o crente perde a salvação para que ele viva buscando ser salvo, como um produto a ser alcançado. Nós dizemos nas palavras de Jesus que:

"O Reino dos céus é como um tesouro escondido num campo. Certo homem, tendo-o encontrado, escondeu-o de novo e, então, cheio de alegria, foi, vendeu tudo o que tinha e comprou aquele campo. (Mateus 13.44)”.

Aqui a noção é de realidade de vida! Perspectiva, não somente expectativa. O Evangelho deve ser condição de natureza, não obrigação de religião. O poder da lei de Deus reage em nós de dentro para fora, não de fora para dentro. Ela não é lei opressora como o é para o ímpio, mas a lei de Deus para o crente não diz como se deve ser, mas revela como o crente já o é (natureza transformada). Jesus não disse “vocês não serão assim”, mas diz: “Vocês não SÃO assim! ”...

HOMEM NÃO CHORA!

“Dessa forma o amor está aperfeiçoado entre nós, para que no dia do juízo tenhamos confiança, porque neste mundo somos como ele. No amor não há medo; pelo contrário o perfeito amor expulsa o medo, porque o medo supõe castigo. Aquele que tem medo não está aperfeiçoado no amor. 1 João 4:17-18”

Sempre ouvimos o pai dizer que “homem não tem medo! ” ou também “para de frescura menino!” Será se é isso que Deus pai está dizendo no texto?

Para começo de conversa parece bem complicado dizer que os sentimentos citados pelo o apostolo João são excludentes entre si: onde há amor não há medo e onde há medo não existe o amor de Deus. Segundo dizer que o amor de Deus em nós não é perfeito (completo) e que ainda precisa ser trabalhado.

É evidente que nenhuma das afirmações são verdadeiras e tão pouco resistem a uma análise simples. O verbo que diz no verso 18b. que o “perfeito amor LANÇA fora o medo” na verdade chamamos na gramático do grego de “verbo aoristo” que no português, comparamos com o “gerúndio”. Se melhor traduzido o texto lido diríamos: “o perfeito amor vai LANÇANDO fora o medo”. Na verdade, os conceitos são antagônicos, porém coexistem na vida do crente. O que João nos ensina é que quanto mais se aperfeiçoa o amor de Deus em nossa vida, temos menos medo do juízo e da condenação eterna.

Brilhante! Estupendo e maravilhoso! Divino! Quanto mais amor, mais espiritual. O amor de Deus se revela na prática com o próximo. Pensemos então: Precisa-se de muita fé para acreditar que um porco espinho como nós que em toda e qualquer relação com o próximo só faz machucar não precisa temer condenação não acha? Machucamos o marido ou esposa diariamente, filhos e filhas, amigos e colegas de trabalho, em todas as relações ferimos, machucamos e saímos feridos.

 - Como dar fim nisto tudo?

NOVA VIDA!

“Nós amamos porque ele nos amou primeiro. 1 João 4:19”

Assumir pela fé uma nova condição de vida é a resposta do último apostolo vivo na época. João bem velho (diziam que nunca morreria) as vezes era carregado na igreja de Éfeso para dar alguma palavra e nas suas ultimas, sem vigor e sem tempo a perder, sempre repetia as mesmas palavras: “amem-se uns aos outros com Ele disse!”. E sempre repetia a mesma frase.

O sentir-se salvo faz parte da vida cristã. Uma vez levei o chamado “baculejo” da polícia na rua com amigos e me senti um verdadeiro bandido. Hostilizado e humilhado, sofri uma ação externa e a minha reação (como diria Newton) foi de mesma intensidade e sentido contrário. E assim também quando sofremos a transformação pelo santo Espirito, precisamos nos “sentir” nova criatura.

A postura de quem ama é a postura de quem tem fé, de quem assumiu uma nova vida em Cristo. Somos capazes de amar porque fomos resgatados. É uma ótima forma de resumir o evangelho: “Nós amamos porque ele nos amou primeiro.”

O DESAFIO!

“Se alguém afirmar: "Eu amo a Deus", mas odiar seu irmão, é mentiroso, pois quem não ama seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. Ele nos deu este mandamento: Quem ama a Deus, ame também seu irmão. 1 João 4:20-21”

Aqui João nos dá a direção da verdadeira espiritualidade, que nada mais é que o relacionamento em amor. As vezes procuramos os métodos mais exotéricos para buscar uma vida espiritual, para não dizer os mais estranhos. Rir no culto, sapatear, dançar, subir para o alto de uma montanha, enfim, tantas trapalhadas que são meras tentativas mundanas e criações humanas.

O único método de Deus se “manifestar” é no relacionamento. As vezes pegamos o texto de Mateus 18.20 e colocamos como se fosse uma espécie de prova de que Deus está presente no meio da liturgia do culto. Porém quer dizer simplesmente que a “manifestação” de Deus só é possível no relacionamento com o próximo. Deus até se relaciona com o indivíduo mas para se “manifestar” é obrigatório a presença de “dois ou três reunidos em seu nome”.

Durante a era glacial, muitos animais morriam por causa do frio.

Os porcos-espinhos, percebendo a situação, resolveram se juntar em grupos, assim se agasalhavam e se protegiam mutuamente, mas os espinhos de cada um feriam os companheiros mais próximos, justamente os que ofereciam mais calor.

Por isso decidiram se afastar uns dos outros e começaram de novo a morrer congelados.

Então precisaram fazer uma escolha: ou desapareciam da Terra ou aceitavam os espinhos dos companheiros.

Com sabedoria, decidiram voltar a ficar juntos.

Aprenderam assim a conviver com as pequenas feridas que a relação com uma pessoa muito próxima podia causar, já que o mais importante era o calor do outro. E assim sobreviveram.

O melhor relacionamento não é aquele que une pessoas perfeitas, mas aquele onde cada um aprende a conviver com os defeitos do outro, e a valorizar suas qualidades. Abandonar o pecado, aparar os espinhos, se não der, aprender a confronta-los.

Para se acasalar o porco espinho se pendura na arvore e busca a melhor maneira de o fazer. Vamos driblar o pecado, abandonar o egoísmo, assumir vida nova, e ao invés de “porco espinho”, “Ovelha”, pastoreado pelo bom pastor (Jo 10). Amém!


PEDRO FERNANDES

segunda-feira, 27 de abril de 2015

LENDO A MAMÃE...



Vou pela “Semiótica”. O que é semiótica? É a visão significada que alguém tem sobre as coisas, fatos, pessoas. De novo em outras palavras, semiótica é a perspectiva subjetiva da realidade. É a interpretação que o sujeito tem do mundo. Difícil de entender né? Vou explicar com um exemplo.

Quando fui tomando consciência de que eu existia comecei a chamar uma pessoa de “mamãe”. Isso mesmo, antes eu não existia, no sentido de que eu não conseguia discernir que eu estava aqui no mundo (pausar e perguntar para uma criança: você existe?). Ela me ensinou a me comportar dentro da existência, foi essa pessoa que eu insistia em chamar de mãe. Ensinou-me a não por a chupeta no vaso e em seguida na boca. Ensinou-me que tem que tomar banho uma pessoa de cada vez. Mostrou-me como ir ao mercado sem levar tudo, pegando somente o que for pagar ou somente o planejado. Dessas coisas não me lembro, apenas me contaram com um tom de trauma e choro na voz.

Mas tarde, quando eu já tinha mais razão, me ensinou a sabedoria de se relacionar com as pessoas sem magoar, ter misericórdia e compaixão do sofrimento alheio e respeitar a todos. Então veio a grande lição: a de se adaptar. Quando a vida te der um susto e arrancar parte de você, temos que aprender a nos adaptarmos. Disse-me que na hora da dor, temos que chorar mesmo. Se for para sofrer, sofra com toda a sua força. Mas no outro dia se levante do chão porque existem dois meninos que depende de você. E a partir de agora você tem que ser uma metamorfose ambulante. Agora tem que ser Pai e Mãe de uma vez só. Mesmo doendo, trave os dentes; feche as mãos; aperte os olhos e vai tomar um banho, lavar a louça e receber visitas na sala. Uai! Tanta força para tarefas tão simples?! É mas de dentro do sofrimento ela disse que a única vontade que você tem é de não existir mais. Assim, ela me ensinou a sofrer.

E as pessoas que vem visitar são irmãs, sobrinhos, amigos. Que também tem uma visão semiótica dessa pessoa, que para mim era mamãe. Para vocês é tia. Para um é esposa. Para outro, amiga irmã. Então começo a entender que semiótica é uma significação que cada um dá as coisas. Quem é Sandra Fernandes Costa para você? Qual a sua visão em relação a essa pessoa tão extraordinária? Quais as suas experiências com essa pessoa? Como você foi abençoado por ela? Para mim ela é o máximo, inteligente, bonita, santa, o máximo. Entretanto algumas pessoas veem esta mesma pessoa como soberba e metida. Como pode? Será que agente consegue ter a visão correta sobre ela? Será que eu não sou influenciado por uma paixão instintiva maternal e isso me impede de ter uma visão real dos seus defeitos? Será que ela é isso tudo que eu acho que é?

Bom, agora me senti como o salmista perguntando “Senhor, quem pode perceber os seus próprios erros?” (Sl 19:12). Aqui entra o divisor de aguas. Porque minha mãe não me ensinou a Palavra de Deus durante a minha vida. Não na teoria. Mas o sumo da palavra de Deus é pratica: “Aquele que ama, conhece a Deus, porque Deus é amor” (1 Jo 4:8). Então, sem citar um versículo da bíblia minha mãe me mostrou ao longo de 24 anos sobre a essência de Deus: o amor. E num certo dia Esse mesmo Deus se manifestou a mim e me deu um dom. Conhecer a Palavra de Deus. Jesus de Nazaré hoje para mim é o meu Deus, a única razão verdadeira de existir. E agora não dependo mais do meu “coração, que é enganoso e perverso, mais que todas as coisas e que ninguém o pode conhecer” (Jr 17:9). Hoje posso olhar para minha mãe e para a bíblia e comparar para saber se ela realmente é “tudo isso” que eu sempre achei.

A bíblia diz que a beleza da mulher não está no seu vestuário, embora minha mãe se vista como uma TOP MODEL. A beleza da mulher não está na sua aparência, embora minha mãe seja bela como Giselle BINTCHI. A beleza não está na sua intelectualidade, embora minha mãe seja inteligente como AINSTEIM. Mas a beleza da mulher está na virtude. No ser interior. A mulher virtuosa é aquela que quando ela age, todos conseguem ver Deus nas suas obras. A tia Sandra é uma peça estratégica no xadrez. Se você está com um problema no coração do Amazonas, o pneu do Jipe furou. Você pega seu telefone, vê que só tem bateria para uma ultima ligação. QUAL O NÚMERO QUE VOCÊ LIGA?!?! (...) 99585756. Que confiança ela transmite! Que credibilidade! Quanta disposição em limpar um velhinho desconhecido num hospital qualquer. Isso realmente é a beleza que todos nós, filhos, irmãos, sobrinhos, amigos, esposo, conseguem ver quando essa pessoa age.

Semiótica é o significado que damos ao mundo. Tá vendo, já ficou mais fácil entender que quando olhamos as coisas imprimimos sentimentos e conceitos do nosso coração nestas coisas. Temperamos o mundo com um olhar generoso. Ou azedamos tudo e todos com um olhar de amargura. E que a bíblia também tem uma leitura sobre você. Ela diz que existem filhos de Deus que praticam o amor, e que existem filhos do Diabo que não amam ao próximo, nem a Deus. Hoje, eu posso ler minha mãe com uma semiótica da Bíblia e dizer: Ela realmente é tudo isso que eu sempre achei que ela fosse!


Graças a Deus!

sábado, 21 de fevereiro de 2015

PARA NOSSA ALEGRIA...


O que te faz feliz?

Como um assunto tão simplório e basilar pode ser tão pouco explorado? Pela importância que o tema transparece, já deveria ter sido debatido e conhecido em todos seus desdobramentos. O fato é que não só não sabemos o que nos faz feliz como também não sabemos o que é felicidade.

Para começar no Novo Testamento a palavra utilizada para alegria ou felicidade é “Makário (μακαριο)”, que significa alegria, prazer, sempre voltado para um bem-estar físico e emocional. Um Cristão por definição é alguém alegre! Um Cristão é sempre um “Makários”! Não quero parecer triunfalista, mas alguém em estado de inimizade eterna com um Ser cujo poder sustenta o universo, e que foi novamente reaproximado pelo sangue do cordeiro para ser adotado como filho, não deveria se sentir feliz?

Para ser um “Makarios” em todas as áreas não se depende de circunstâncias. Não se precisa de carro novo, casa própria ou de qualquer coisa. Essa nova teologia, fez confusão na nossa mente. Guarde isso na sua cabeça: “Ser abençoado para um cristão não é ter, mas, estar...”

“Assim que, se alguém ESTÁ em Cristo, nova criatura É; 2 Cor 5:17a.”

O que te faz feliz? Jogar bola? Contar piadas (sadias)? Conversar com um amigo? Comer uma comida gostosa?

Estas coisas te dão PRAZER (χαρά), mas ainda não é FELICIDADE(μακαριο). Jesus em seu sermão mais longo e conhecido disse que mesmo os que choram podem experimentar a felicidade, mesmo os que são perseguidos ou passam por qualquer intempérie podem ser felizes (Mt 5.1-12). Seria insano dizer que alguém que chora é feliz. E então o que Cristo nos quer dizer?

Que a alegria repousa não na circunstância, mas no favor de Deus! Felicidade é estar com Cristo! Pense nisso...

“Felizes os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus;
Felizes os que choram, porque eles serão consolados;
Felizes os mansos, porque eles herdarão a terra;
Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos;
Felizes os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia;
Felizes os limpos de coração, porque eles verão a Deus;
Felizes os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus;
Felizes os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus;
Felizes sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Mt 5:3-11”