quarta-feira, 5 de agosto de 2015

O NAMORO DO PORCO ESPINHO


TEXTO BÍLBICO - 1 JOÃO 4:17-21

“Dessa forma o amor está aperfeiçoado entre nós, para que no dia do juízo tenhamos confiança, porque neste mundo somos como ele. No amor não há medo; pelo contrário o perfeito amor expulsa o medo, porque o medo supõe castigo. Aquele que tem medo não está aperfeiçoado no amor.

Nós amamos porque ele nos amou primeiro.

Se alguém afirmar: "Eu amo a Deus", mas odiar seu irmão, é mentiroso, pois quem não ama seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. Ele nos deu este mandamento: Quem ama a Deus, ame também seu irmão. 1 João 4:17-18”


O Namoro do Porco Espinho

Se você fosse um animal qual animal você seria? Muitas pessoas já fizeram esta pergunta e ao responder sempre se comparam com o estilo de seu animal favorito. Águia pela visão de mundo, Leão pela liderança, formiga pela sua força, etc... Porém quando o interlocutor é o responsável pela analogia, geralmente se troca o tal do bicho. Se a pessoa é meio sujinha à comparamos com o porco que gosta da lama, Cobra pelo veneno das palavras (geralmente sogra), Rato pela falta de ética, Bicho Preguiça dispensa comentários.... Quando parte para comparação estética o negócio complica, Elefante o gordinho, Girafa o mais alto, Pinguin o mais baixo, Tucano o narigudo, e a maldade não termina...

Porém se pela nossa visão agente se valoriza demais ou na visão alheia está carregada de maldade, qual bicho será que a bíblia diria que nós somos?

Guardado a intenção de exemplificar o conceito abstrato, penso que a bíblia diria que seriamos um PORCO ESPINHO!

Os espinhos do bicho na verdade são pelos, naturais, e o pecado também no ser humano o é. Todo recém-nascido ao invés daquela etiqueta com prescrições médicas, deveria estar escrito e tarjado em negrito o rótulo: “COM DEFEITO DE FABRICAÇÃO”.

A bíblia ao contrário de um livro de regras é um manual de um ser resgatado e traz as condições de relacionamentos em todos os âmbitos. De como nosso relacionamento com Deus pai foi prejudicado e como resgatamos o relacionamento do Pai através do Filho.

Se o cerne do cristianismo é relacionamento do homem com e Deus e com o próximo, pense o quanto é difícil se relacionar sendo nós um “Porco Espinho”?

Como se casar com um porco espinho? Como ficar perto? Como afagar ou ser afagado? Como cumprimos este desafio de se relacionar tendo tantos espinhos?

O relacionamento para o Cristão é tão importante que se tivermos a visão errada neste ponto, minimizamos até a noção de salvação. Como se fosse uma realidade apenas futura e não tivesse nenhuma conexão com a vida presente. O evangelho não é para criar uma expectativa futura, mas uma perspectiva de uma vida presente. Não é a história de uma pessoa que vive querendo ser salva, mas como um salvo vive. Existem teologias que dizem que o crente perde a salvação para que ele viva buscando ser salvo, como um produto a ser alcançado. Nós dizemos nas palavras de Jesus que:

"O Reino dos céus é como um tesouro escondido num campo. Certo homem, tendo-o encontrado, escondeu-o de novo e, então, cheio de alegria, foi, vendeu tudo o que tinha e comprou aquele campo. (Mateus 13.44)”.

Aqui a noção é de realidade de vida! Perspectiva, não somente expectativa. O Evangelho deve ser condição de natureza, não obrigação de religião. O poder da lei de Deus reage em nós de dentro para fora, não de fora para dentro. Ela não é lei opressora como o é para o ímpio, mas a lei de Deus para o crente não diz como se deve ser, mas revela como o crente já o é (natureza transformada). Jesus não disse “vocês não serão assim”, mas diz: “Vocês não SÃO assim! ”...

HOMEM NÃO CHORA!

“Dessa forma o amor está aperfeiçoado entre nós, para que no dia do juízo tenhamos confiança, porque neste mundo somos como ele. No amor não há medo; pelo contrário o perfeito amor expulsa o medo, porque o medo supõe castigo. Aquele que tem medo não está aperfeiçoado no amor. 1 João 4:17-18”

Sempre ouvimos o pai dizer que “homem não tem medo! ” ou também “para de frescura menino!” Será se é isso que Deus pai está dizendo no texto?

Para começo de conversa parece bem complicado dizer que os sentimentos citados pelo o apostolo João são excludentes entre si: onde há amor não há medo e onde há medo não existe o amor de Deus. Segundo dizer que o amor de Deus em nós não é perfeito (completo) e que ainda precisa ser trabalhado.

É evidente que nenhuma das afirmações são verdadeiras e tão pouco resistem a uma análise simples. O verbo que diz no verso 18b. que o “perfeito amor LANÇA fora o medo” na verdade chamamos na gramático do grego de “verbo aoristo” que no português, comparamos com o “gerúndio”. Se melhor traduzido o texto lido diríamos: “o perfeito amor vai LANÇANDO fora o medo”. Na verdade, os conceitos são antagônicos, porém coexistem na vida do crente. O que João nos ensina é que quanto mais se aperfeiçoa o amor de Deus em nossa vida, temos menos medo do juízo e da condenação eterna.

Brilhante! Estupendo e maravilhoso! Divino! Quanto mais amor, mais espiritual. O amor de Deus se revela na prática com o próximo. Pensemos então: Precisa-se de muita fé para acreditar que um porco espinho como nós que em toda e qualquer relação com o próximo só faz machucar não precisa temer condenação não acha? Machucamos o marido ou esposa diariamente, filhos e filhas, amigos e colegas de trabalho, em todas as relações ferimos, machucamos e saímos feridos.

 - Como dar fim nisto tudo?

NOVA VIDA!

“Nós amamos porque ele nos amou primeiro. 1 João 4:19”

Assumir pela fé uma nova condição de vida é a resposta do último apostolo vivo na época. João bem velho (diziam que nunca morreria) as vezes era carregado na igreja de Éfeso para dar alguma palavra e nas suas ultimas, sem vigor e sem tempo a perder, sempre repetia as mesmas palavras: “amem-se uns aos outros com Ele disse!”. E sempre repetia a mesma frase.

O sentir-se salvo faz parte da vida cristã. Uma vez levei o chamado “baculejo” da polícia na rua com amigos e me senti um verdadeiro bandido. Hostilizado e humilhado, sofri uma ação externa e a minha reação (como diria Newton) foi de mesma intensidade e sentido contrário. E assim também quando sofremos a transformação pelo santo Espirito, precisamos nos “sentir” nova criatura.

A postura de quem ama é a postura de quem tem fé, de quem assumiu uma nova vida em Cristo. Somos capazes de amar porque fomos resgatados. É uma ótima forma de resumir o evangelho: “Nós amamos porque ele nos amou primeiro.”

O DESAFIO!

“Se alguém afirmar: "Eu amo a Deus", mas odiar seu irmão, é mentiroso, pois quem não ama seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. Ele nos deu este mandamento: Quem ama a Deus, ame também seu irmão. 1 João 4:20-21”

Aqui João nos dá a direção da verdadeira espiritualidade, que nada mais é que o relacionamento em amor. As vezes procuramos os métodos mais exotéricos para buscar uma vida espiritual, para não dizer os mais estranhos. Rir no culto, sapatear, dançar, subir para o alto de uma montanha, enfim, tantas trapalhadas que são meras tentativas mundanas e criações humanas.

O único método de Deus se “manifestar” é no relacionamento. As vezes pegamos o texto de Mateus 18.20 e colocamos como se fosse uma espécie de prova de que Deus está presente no meio da liturgia do culto. Porém quer dizer simplesmente que a “manifestação” de Deus só é possível no relacionamento com o próximo. Deus até se relaciona com o indivíduo mas para se “manifestar” é obrigatório a presença de “dois ou três reunidos em seu nome”.

Durante a era glacial, muitos animais morriam por causa do frio.

Os porcos-espinhos, percebendo a situação, resolveram se juntar em grupos, assim se agasalhavam e se protegiam mutuamente, mas os espinhos de cada um feriam os companheiros mais próximos, justamente os que ofereciam mais calor.

Por isso decidiram se afastar uns dos outros e começaram de novo a morrer congelados.

Então precisaram fazer uma escolha: ou desapareciam da Terra ou aceitavam os espinhos dos companheiros.

Com sabedoria, decidiram voltar a ficar juntos.

Aprenderam assim a conviver com as pequenas feridas que a relação com uma pessoa muito próxima podia causar, já que o mais importante era o calor do outro. E assim sobreviveram.

O melhor relacionamento não é aquele que une pessoas perfeitas, mas aquele onde cada um aprende a conviver com os defeitos do outro, e a valorizar suas qualidades. Abandonar o pecado, aparar os espinhos, se não der, aprender a confronta-los.

Para se acasalar o porco espinho se pendura na arvore e busca a melhor maneira de o fazer. Vamos driblar o pecado, abandonar o egoísmo, assumir vida nova, e ao invés de “porco espinho”, “Ovelha”, pastoreado pelo bom pastor (Jo 10). Amém!


PEDRO FERNANDES